Yasmin Gomlevsky, de Tempo de Amar: Dos palcos para a TV

“Está cada vez mais difícil fazer arte no Brasil”


  • 28 de dezembro de 2017
Foto: Ju Colinas


Por Claudia Dias

Sempre que uma personagem que era para ser pequena, ganha mais destaque nas novelas, o mérito é quase todo do ator que o interpreta. E nesse quesito, Yasmin Gomlevsky vem dando um verdadeiro show. Foi assim em Malhação, com a divertida Joaquina, em 2014. Depois em participações em Liberdade, Liberdade e em Novo Mundo. Agora, o "fenômeno" se repete em Tempo de Amar. Na trama, ela era a Irmã Assunção, que fazia parte do núcleo do Convento, e ajudou Maria Vitória (Vitória Strada) a fugir. Agora, retorna à trama como Isabel, uma jovem que deixou de ser freira e vai ganhar um papel fundamental no reencontro da mocinha com o pai, José Augusto (Tony Ramos).

Foto: Globo/Marília Cabral

Antes de se apaixonar pela atuação, Yasmin queria ser amazona ou bailarina. Irmã do também ator Bruce Gomlevsky, ela conta que foi ele quem a ajudou nos primeiros passos na profissão. Entre alguns dos seus trabalhos de destaque nos palcos, os musicais, Cazuza e Rock in Rio e, mais recentemente, o monólogo Fogo Frio. Multifacetada, além de atuar na TV e no teatro, Yasmin também canta. Ela é vocalista da banda Sirigaita. "Onde me quiserem, eu vou", dispara. Na entrevista, ela também fala sobre a situação complicada do cenário cultural brasileiro. “Os atores que se propõem a fazer teatro no Brasil é porque amam”.

Teatro ou televisão

Eu comecei no teatro, faço desde os oito anos de idade, profissionalmente desde os 17. O teatro sempre foi muito presente na minha vida e ainda é. Estou no palco pelo menos uma vez por ano. Mas, acho que a minha carreira foi trilhando o seu caminho. Eu nunca pensei em querer fazer só uma coisa ou outra. Eu fui fazendo uma coisa, que foi trazendo outra e isso foi abrindo o meu leque. Realmente, eu tenho tido ótimas oportunidades na televisão, que tem me presenteado com personagens muito bacanas. Mas, eu estou aí, construindo uma carreira. Onde me quiserem, eu estarei.

"Realmente, eu tenho tido ótimas oportunidades na televisão, personagens muito bacanas. Mas, eu estou aí, construindo uma carreira. Onde me quiserem, eu estarei."

Personagens ganham destaque

Eu não sei porque a personagem de Tempo de Ama ganhou esse tamanho. Novela é uma obra aberta e tudo pode acontecer, dependendo de como for o retorno de cada personagem. Eu vejo a Irmã Assunção como uma peça chave na história da novela. Ela é uma pessoa que tem uma história de vida muito parecida com a da Maria Vitória (e, portanto, elas de cara tiveram uma afinidade grande. Mas, foi um prazer passar por esses caminhos da personagem. Agora, ela voltou de uma maneira diferente. Ela já não é mais freira e sabe muito a respeito do que aconteceu tanto com a criança - que ela já contou - quanto com Maria Vitória. Ela acaba sendo o elo de ligação dela com o pai, que está em Portugal. Mas, não sei porque ela acabou crescendo.

Foto: Ju Colinas

Estudiosa ou intuitiva?

Sou mais estudiosa, dentro do que gosto. Nunca fui boa aluna, nunca fui aquelas alunas dedicadas na escola, e não me orgulho disso. Mas, eu também sou partidária de estudar o que você gosta e eu gosto da atuação e de tudo o que vem junto com ela, inclusive o estudo. Gosto de ler sobre o assunto, de ver filmes, de ir ao teatro. Se eu gosto tanto disso, não tem como dissociar da minha vida: o estudo, o trabalho, a vida, fica tudo meio misturado. E é lógico que, quanto mais você se dedica, quanto mais você coloca os seus esforços nisso, mais bacanas são os resultados. E o meu objetivo é sempre crescer dentro do que eu faço, estudar cada vez mais, nunca achar que eu estou pronta, porque a gente nunca está. Acho que tudo isso tem a ver sim, no quadro geral, com um resultado final.

"Com essa volta inescrupulosa desse conservadorismo louco, que também traz censura, tantos regressos após tantas conquistas. É uma pena! A gente torce para que, no futuro, a coisa se alinhe."

Projetos no teatro

Eu vinha fazendo Fogo Frio, que é um monólogo que eu escrevi e adaptei do meu livro de poemas. A gente ainda não tem previsão de voltar aos palcos, mas certamente vamos voltar esse ano. No ano passado, ficamos em cartaz por um mês na Casa Rio e foi bem bacana. E eu estou ensaiando um outro projeto, além de estar com outros projetos para o teatro nas mãos. Mas, nada ainda com data. E com essa situação que estamos passando no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, esse cenário cultural complicado, ficou um pouco difícil. Mas, a classe está se unindo e batalhando para fazer o máximo que pode.

Teatro no Brasil

É para os que realmente não conseguem ficar sem. Porque, se a gente parar a nossa produção, o que acontece? A gente morre? Eu estava conversando com uma amiga outro dia, e ela é de outra especificidade, mas também da área da cultura, e ela estava falando isso, que a gente deveria parar de fazer teatro sem dinheiro. Porque eles, lá em cima, olham e dizem: 'Olha aí! Eles se viram, eles fazem sem dinheiro. Para que a gente vai incentivar, patrocinar ou investir?'. Eu entendo o ponto de vista dela e chego a concordar algumas vezes. Penso: será que a gente deveria fazer uma greve geral, parar tudo? Por outro lado, isso é uma das únicas coisas que a gente tem. Muitas pessoas vivem de teatro ainda, por mais difícil que isso seja. E quem não vive financeiramente disso, vive disso como alimento para a alma. Os atores que se propõem a fazer teatro, é porque amam. É tão difícil esse tema. É realmente cada vez mais difícil fazer não só teatro como qualquer forma de arte.

Foto:  Tomás Konrath

Conservadorismo atual

Com essa volta inescrupulosa desse conservadorismo louco, que também traz censura, tantos regressos depois de tantas conquistas. É uma pena! A gente torce para que, no futuro, a coisa se alinhe, tome um jeito.

"Cresci vendo o meu irmão (o ator Bruce Gomlewski) atuar. Então, ele foi uma grande influência na minha vida, foi ele quem me levou para o Tablado, quando fiz 13 anos."

Decisão de ser atriz

Eu cresci vendo o meu irmão (o ator Bruce Gomlewski) atuar, embora nunca tenhamos morado na mesma casa. Eu cresci assistindo ele nos espetáculos e novelas. Não tem mais ninguém na minha família que seja ator ou que trabalhe como artista. Então, ele foi uma grande influência na minha vida. Foi ele que me levou para o Tablado, quando eu fiz 13 anos. Depois, fui para a CAL e fui indo...Eu acho que toda criança tem um monte de sonho doido. Eu já quis ser amazona, porque meu pai adora montar a cavalo e me colocou na Hípica, já quis ser bailarina. Cheguei até a quase fazer prova para o Municipal. Não sei se teve um momento de decisão, acho que as coisas foram acontecendo, eu fui me sentindo em casa, fui me sentindo bem interpretando, senti que não precisava de mais nada, que eu gostava e fazia com amor e prazer.

Cantora

Eu sou cantora também: atriz e cantora. Eu tenho uma banda chamada Sirigaita. Também trabalhei em alguns musicais. E amo tudo o que eu faço!



Veja Também