Vladimir Brichta: “Nada que Remy tenha passado justifica seus atos”

Ator festeja vilão em novelas, trama na sua Bahia e cenas com Adriana Esteves


  • 14 de junho de 2018
Foto: Globo/João Cotta


Por Redação

Com o seu jeito bon vivant e malandro, o vilão Remy vai aprontando poucas e boas em Segundo Sol, e deixando cada vez mais o público com raiva dele. Já o seu intérprete, Vladimir Brichta, comemora, até porque é o seu primeiro vilão em novelas. “Ele pode ser um cara leve e simpático e, na verdade, ter um caso de anos com a mulher do irmão, o que o torna um canalha”, avalia o ator.

Mas não só o personagem tem sido um presente para Vladimir nessa novela. O fato de a sua Bahia ser o cenário da trama, o fez “retomar um laço que não tinha há 18 anos com o lugar”, desde que foi viver no Rio. “Pessoalmente, me fez muito bem, voltei de lá muito feliz. Espero que eu possa imprimir isso na tela”, diz.

Outro fator a se destacar, e muito, é a oportunidade de contracenar com a mulher, Adriana Esteves, a intérprete da cafetina Laureta. Com a atriz, ele tem Vicente, de 11 anos, também é pai de Agnes, de 20, de relação anterior, e padrasto de Felipe, de 18, da união de Adriana com Marco Ricca.

Remy (Vladimir Brichta). Foto: Globo/João Cotta

Para você há um sabor a mais poder participar de uma novela que se passa na Bahia? 

Para mim é especial contar uma história que se passa na Bahia. Claro que não temos como gravar a novela inteira na lá, mas espero que tenhamos conseguido absorver o máximo para trazer para a trama algo de muito autêntico que a Bahia tem culturalmente, na sua forma de expressar. Fico feliz de poder fazer parte, e tenho esperança ainda que essa novela, sem pretensões maiores, consiga jogar um pouco de luz sobre a Bahia, trazer protagonismo ao estado que precisa resolver questões urgentes que não têm a ver com entretenimento e sim com cidadania e política.

Você acabou não precisando de aulas de prosódia, né?

Me perguntaram se eu iria fazer, e eu respondi: ‘Aonde? Me espere’. Foi uma reconexão com um lugar muito especial. Retomei um laço com Salvador que eu não tinha há 18 anos. Volto lá todos os anos, mas dessa vez parece que consegui me reconectar e reencontrei amigos que eu não via há muito tempo. Me deu um impulso e um sentimento de pertencimento àquele lugar. Pessoalmente, me fez muito bem, e voltei de lá muito feliz. Espero que eu possa imprimir isso na tela.

Remy, então, é o seu primeiro vilão?

Em novelas, sim. Em Justiça meu personagem era um cara meio dúbio, mas não tinha a função de ser canalha como o Remy. No cinema eu fiz vilões também, mas em novela, de fato é a primeira vez.

Como está sendo, é diferente?

Não. São as escolhas dos personagens que fazem deles vilões. Ele pode ser um cara leve e simpático e, na verdade, ter um caso de anos com a namorada do irmão, o que o torna um canalha. O Remy, por exemplo, rouba dinheiro do irmão, e pode fazer isso com a maior simpatia, com o maior sorriso no rosto, mas é um bandido. Acho que é um cara que tem suas questões, sua carga, sua bronca.

Você já encontrou com alguém como ele?

Não sei dizer, mas eles existem no noticiário, na nossa vizinhança, e temos que nos controlar para não termos atitudes das quais vamos nos arrepender, porque a chance de a gente atropelar o limite do outro está o tempo todo aí.

Com a mulher, Adriana Esteves. Foto: Globo/Paulo Belote


Você vem de personagens muito fortes como o protagonista de Rock Story, e é uma grande retomada sua às novelas. Como tem visto esses acontecimentos na sua carreira?

Eu percebi há algum tempo que sou muito feliz trabalhando, e muitas coisas consigo conquistar graças ao meu empenho e dedicação com que faço meu trabalho. Eu estava fazendo séries de humor como Faça Sua História e Separação, que me colocaram num lugar muito importante, que me agradava e envaidecia. Evitei nesse tempo fazer no cinema comédias, que eu já fazia na televisão, e fui buscar outros gêneros, e sempre estudando. Hoje estou num ritmo embalado, sim, mas também tive muita calma lá atrás. Fiquei 5 anos fazendo Tapas & Beijos, e estava confortável porque conseguia ter um respiro em relação às novelas, e por isso conseguir realizar outros projetos como atuar no teatro, e produzir. Quando surgiram os convites para Justiça, Rock Story e Cidade Proibida, todos me agradaram, então, aquilo me motivou, e não estou fazendo nada obrigado hoje, faço um personagem porque gosto.


Acredita que o passado do Remy, devido ao pai bater nele, tenha feito ele ser como é? 
 

Nada que ele tenha passado o justifica ser um mau-caráter. Não gostaria que ele se vitimizasse,  mas também não precisaria descontar nas pessoas em volta porque teve um pai severo em excesso na infância.  Ao mesmo tempo, isso o humaniza e faz com que o telespectador tenha empatia por ele, mesmo discordando de suas atitudes. O que busco com o personagem é que ele seja vivo, falho, desonesto, mas um cara passível de amar. Ele tem na figura da mãe e do pai uma ausência que não explica, mas justifica essa rixa com o irmão, e isso está mesmo em várias histórias, seja na Bíblia ou na saga da Marvel. Eu reli uma peça chamada Paloma, que fala sobre uma atriz que namora um cara que tem um irmão, e eles disputam essa atriz e têm um ciúme louco. Achava que ali tinha stardado um olhar a respeito dessa questão. Eu nunca me lembro de ter competido com meus irmãos. Eu cresci gostando e admirando, mas é absolutamente possível, e presente nas famílias algum nível de competição. Claro que ameaçar a pessoa de morte, ou desejar aquilo é um salto grande que entra na área criminosa, mas um pouco antes, essa motivação é existente, e busquei referências, sobre em que momento a inveja pode surgir.

E como você lida com a inveja na vida real, porque agora a gente está na época das redes sociais e aí todo mundo se expõe...

Eu não tenho rede social. Não sei o que falam de mim, não me interessa. Whatsapp conta?

Foto: Globo/João Cotta


Mas críticas, notícias chatas chegam a você de alguma forma, alguém passa?

Não. Se passar eu mando de volta (risos). Não, não passam não. O que a imprensa fala eu fico sabendo, logicamente, porque eu acho que todo mundo tem direito de ter uma opinião. Mas a imprensa é composta por pessoas que se prepararam, que estudaram, se prepararam para comunicar determinada coisa, fazer aquela informação correr, eventualmente opinar sobre aquilo. Eu acho isso muito diferente da pessoa querer dar a opinião sem embasamento, acho que esse direito todo mundo tem que ter, mas também tenho o direito de não me interessar por uma opinião que seja a meu respeito e não seja embasada para eu levar em consideração. É basicamente isso!

A novela fala de escolhas, mudanças. Você passou por alguma grande transformação em sua vida, fruto de suas escolhas?

Mudança de fato eu tive quando senti que estava perdendo as rédeas da minha carreira, sendo escolhido e não escolhendo meus trabalhos. Em 5 anos, fiz 5 novelas, e aí pensei: ‘Espera, não estou me reconhecendo atuando assim’. Aí teve esse momento.  Essa foi uma escolha, reassumi o controle, e pensei: ‘Posso não ter tanto sucesso, mas vou fazer o que eu amo’. É isso!

Já se viu tendo uma segunda chance?

O tempo inteiro, até quando fui reprovado na escola e meu pai disse: ‘Eu vou pagar só mais esse ano’. Foi uma segunda chance para mim (risos).

Você acha que é possível Remy se regenerar e virar um mocinho? 

Não, mocinho não. Ele roubou dinheiro do irmão, se relaciona com a Karola, mulher do irmão na horizontal e, eventualmente, na vertical. Isso de alguma forma já o condena bastante. Ele dá muitos golpes.

Ele já foi garoto de programa?

Que eu saiba não, mas não o conheço tão a fundo.

Para além do casamento, você e Adriana (Esteves) são parceiros no trabalho?

Estamos sempre juntos nos trabalhos, nos ajudamos, tiramos dúvidas, decoramos textos, e achamos o tom da história. A gente se gosta e vibra um com o outro. É um barato estarmos juntos na mesma novela, porque vamos poder aproveitar para tirar férias juntos também.



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