Sthefany Brito: “Viver essa dor, essa relação tóxica da Donatella, mexe comigo como mulher”

Com papel desafiador em Amor Sem Igual, ela diz que não há amor em relação abusiva


  • 10 de fevereiro de 2020
Foto: Blad Meneghel/Record TV


Por Luciana Marques

Em seu terceiro trabalho desde a contratação pela Record TV – ela fez o Rico e o Lázaro, em 2017, e Jezabel, em 2019 -, Sthefany Brito interpreta atualmente em Amor Sem Igual uma personagem que deve marcar a sua carreira: a estudante de enfermagem Donatella que, à noite, é a garota de programa Doutorzinha. Mas o foco da trama dela é a relação tóxica que a jovem vive com o vilão Tobias (Thiago Rodrigues). “Infelizmente, é a realidade de muitas mulheres hoje em dia”, diz.

Sthefany revela que, desde as pesquisas e conversas com pessoas que vivem essa situação, tudo tem mexido muito com ela. “O que mais me dói é o quanto isso é confundido com amor. Amor não é isso! Por isso, tento fazer com a maior verdade do mundo”, conta. Com 20 anos de carreira – ela estreou na TV em Chiquititas, em 1999 -, a atriz diz se orgulhar de sua trajetória. “Tudo é ensinamento, experiência de vida”, avalia.

Como definiria a Donatella? Eu falo que a minha personagem é a Donatella e a personagem da Donatella é a Doutorzinha. Uma é completamente diferente da outra, uma tem o cabelo enrolado, a outra, liso, uma tem esmalte, a outra não, uma usa roupa curta, a outra não. Visualmente, já muda muito. Então, eu não me preocupei em transformar muito ela no jeito. Ela vive essa vida dupla e acaba se apaixonando por um dos clientes, o Tobias. Ela se apaixona mesmo por ele e acredita que ele também se apaixona. Aí ela entra num relacionamento superabusivo com ele.

Donatella (Sthefany Brito). Foto: Blad Meneghel/Record TV 

Qual a importância para você de se tratar de um assunto tão necessários nos dias atuais? E eu acho importantíssimo abordar esse tema porque é a vida de muitas mulheres hoje em dia. A gente vê o tanto de feminicídio, de mulheres que morrem por ciúme do parceiro, por ele não aceitar o fim de um relacionamento. É a realidade de muitas delas. E o que mais me dói é o quanto isso é confundido com amor. Amor não é isso. E é o que mais tento fazer, com a maior verdade do mundo. Ela é realmente apaixonada por esse cara, o quanto ela acredita nele, ela tem a esperança de ele assumir esse relacionamento. Eu tento fazer com a maior verdade do mundo pra representar essas mulheres que passam por isso. E que no final se veem num relacionamento do qual não conseguem sair, estão presas.

Você fez laboratório? Mais do que esse universo da prostituição, por ela ser garota de programa, eu me aprofundei muito mais em ler histórias e conversar com mulheres que passam por esse tipo de relacionamento. O que pensam, o que acham, e é isso, é você acreditar no que o outro está te falando. Você está com uma pessoa que você acredita que gosta de você. Essa pessoa fala que te ama, que você é a pessoa mais importante do mundo, mas ele age de uma maneira completamente diferente. Então, eu tentei entrar nesse universo, entender melhor, porque pra mim isso é muito louco, aceitar tudo isso e entender porque não consegue sair dessa relação. Não tem força para sair daquilo, pra poder trazer essa verdade da relação da Donatella com o Tobias. Eu li história, encontrei algumas meninas, mas, nossa, é muito triste.

 

 

Você acha que o Tobias tem algum afeto pela Donatella? Ele acha que ele tem! Eu vou gravar cenas e falo para o Thiago, ele é louco. Porque é muito doido assim... A gente vê a mulher com tanto poder agora, tão empoderada, com tanta força, uma apoiando a outra. Então ver esse tipo de situação... Eu tenho vontade de pegar na mão da Donatella e falar, amiga, senta aqui, vamos conversar, está tudo errado. Isso não é bom pra você, nem pra ele. Isso não é saudável pra ninguém.

Falando nisso, dessa nova mulher, empoderada, forte, você se considera uma dessas mulheres? Eu agora eu vivendo esse sofrimento dela e vendo que ela não consegue sair dessa relação, não consegue se livrar desse cara, isso mexe muito comigo como mulher. Eu venho de uma família muito forte de mulheres, a minha mãe é muito empoderada, tenho amigas como se fossem irmãs e todas muito fortes. E é isso, é você reconhecer o seu valor, você se respeitar acima de qualquer coisa. Então quando você se valoriza, não é no sentido de achar que você é a incrível, não, mas saber o que você merece. Acho que você consegue enxergar melhor uma situação que você é colocada e, de repente, não é bom. Então, mexeu muito comigo como ser humano e, principalmente, como mulher.

O Brasil acompanha você desde nova na TV, como avalia a sua caminhada, porque não é fácil, né? Eu me orgulho de tudo o que eu passei até aqui, de toda a minha carreira, que foi o que me fez chegar até aqui, me fez a mulher que eu sou hoje, a atriz que eu sou hoje. Eu tenho muito orgulho da minha história, de tudo o que eu construí. Acho que as coisas acontecem como tem que acontecer, tudo é ensinamento, experiência de vida. Muita coisa que aconteceu na minha vida pessoal me ajudou muito na profissional, tudo de ruim tem sempre um lado bom. Acho que o segredo da vida é esse, pegar só as coisas boas e usar. Eu tenho usado muita coisa da minha vida pessoal, principalmente aqui nessa novela. E eu estou muito feliz, vive uma fase muito legal, com um personagem desafiador, num momento de vida bem bacana.

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