Simone Gutierrez sobre cena da morte do bebê: “Sem noção da dor”

Atriz vê como grande desafio a sequência dramática da Aline em Orfãos da Terra


  • 13 de maio de 2019
Foto: Globo/Paulo Belote


Por Luciana Marques

Reconhecida por grandes trabalhos em musicais e também mais na linha do humor na TV, Simone Gutierrez mostrou em cena desta segunda-feira, 13 de maio, de Órfãos da Terra, a sua grande capacidade também de fazer drama.

Ela emocionou a todos com a tristeza da personagem Aline ao saber que o seu bebê, a menina tão esperada pela família, morreu no parto. Em conversa com o Portal ArteBlitz, a atriz avaliou a cena

Como foi gravar essa sequência?

A questão é essa, é algo que não fazia parte da minha história. Então eu tive que buscar isso, tive um trabalho incrível com a nossa preparadora de elenco, a Ana Kfouri. Eu cheguei pra ela e disse: ‘Estou em pânico’. Porque todas as vezes que eu fiz uma cena dramática era um drama diferente, porque era cômico. E esse na verdade é um drama familiar, é a perda de um ente querido, então, eu fui muito para esse lado de buscar algo que me frustrasse. É difícil dizer o que a gente pensa na hora, mas eu fui muito a fundo do que me causava tristeza mesmo. Principalmente, em relação ao outro. Você perder um pai, uma mãe é muito difícil, imagina uma filha ou filho que você levou 9 meses na barriga. E morre no dia do parto? Eu acho que não tenho nem noção do tamanho dessa dor.

 

 

Você chegou a conversar com alguma mulher que passou por isso?

Eu não cheguei a conversar com alguém que passou por isso, fui mais pelo meu interior mesmo, de buscar coisas. Eu sou uma pessoa muito bem resolvida em tudo, mas eu nunca passei por uma situação nem parecida com essa, não sei como eu reagiria. Por mais que eu conversasse com alguém... Uma coisa é você ter um filho e passar por isso, outra é você imaginar passar por isso. Eu fui morar sozinha com 22 anos, fui dar aula com 14, eu sou uma pessoa que resolve as coisas. Então é muito difícil eu ficar depressiva, triste, tenho que resolver e passar pra frente. E sou muito difícil de chorar. Quando eu terminei de gravar a cena, uma das meninas da caracterização me disse: ‘Nossa, eu senti a sua dor’. Pensei, Graças a deus, pelo menos eu consegui passar uma verdade. Eu procurei o máximo de passar a verdade de uma dor que eu sinto em perder algo de um amor incondicional.

E depois a Aline passa um período bem difícil, né?

Ela entra numa depressão, fica uns três anos assim. E eu disse, não sei se eu vou conseguir chorar. E uma semana antes dessa cena, eu vi uma entrevista do Tony Ramos. E ele disse que você não precisa chorar para chorar, a lágrima às vezes é a ultima que cai. E eu me desapeguei disso, de precisar chorar e foi... E isso está sendo legal pra mim, estou crescendo muito como profissional. Se eu conseguir fazer isso bem, eu estou melhorando para poder  fazer mais drama, humor... Esse personagem é um ‘puta’ presente.

 

 

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