Roberto Birindelli será o bronco Tobias em O Sétimo Guardião

No elenco de 4 filmes, e cenas quentes com Adriana Lessa na TV


07 de agosto de 2018

Foto: Wagner Carvalho

Por Luciana Marques

Com mais de 40 filmes, Roberto Birindelli é, de fato, um dos atores que mais faz cinema no Brasil. E ele não para quando o assunto é a telona. Além de aguardar os lançamentos de O Olho e a Faca e Humanpersons, vem por aí as coproduções Águas Selvagens (Brasil e Argentina), que já está filmando, e Two Shots of Tequila (Colômbia, USA e Brasil), que ainda rodará em Los Angeles. “Seguidamente, embola, mas a gente vai organizando a agenda e acaba dando certo”, diz ele.

Nessa sua trajetória, que começou com desenho e pintura, nos anos 70, em sua terra natal Montevidéu, e só depois a atuação, quando já vivia em Porto Alegre, ele diz ter poucos arrependimentos. O maior, “de não ter dito não mais vezes”. Mas o tempo passou e hoje ele pode dizer “sim” para os trabalhos que lhe enchem os olhos. Além de estar no ar nas séries A Vida Secreta dos Casais, da HBO, e 1 Contra Todos, da FOX, ele estará de volta à Globo na nova trama das 9, O Sétimo Guardião, de Aguinaldo Silva, como o bronco Tobias.

O ator roda o longa Águas Selvagens, coprodução Brasil e Argentina. Foto: Pedro Rodríguez

Como é retomar essa parceria com o Aguinaldo Silva em O Sétimo Guardião?

Quando Aguinaldo Silva mandou e-mail perguntando se eu toparia fazer o Josué, na novela Império, quase nem acreditei. Já tinha trabalhado com Papinha (Rogério Gomes, diretor) em A Teia, com uma equipe maravilhosa que trabalha junto há muito tempo. Foi uma experiência incrível, nunca tinha feito uma novela das 9, com o desgaste e acúmulo de trabalho que isso implica. Agora, boa parte dessa equipe está de novo em Sétimo Guardião. Lilian Cabral, Ailton Graça, Marina Ruy Barbosa, Viviane Araújo, vários dos diretores, produtores, técnicos. Familião armado!

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Qual será o seu personagem?

Tobias é um bronco, dono de uma birosca numa cidade fictícia, Serro Azul, isolada nas montanhas. É casado com Clotilde (Adriana Lessa), ex socialite. É um homem em quem se pode confiar, tem o único bar/armazém de secos e molhados da cidade, o Tobias Lounge, onde todos se encontram. Ombro amigo pros segredos e mazelas dos moradores da cidade. Seu filho, Leonardo (Jaffar Bambirra), tem o sonho de ser cineasta, e grava tudo o que vê. A conexão com Clotilde, apesar de tão diferentes, se dá na cama e nos lugares pitorescos onde transam, e muitas vezes pagam mico porque são descobertos naquela hora...

Recentemente, você fez Apocalipse... E antes tinha aquela “coisa” de ator que faz novela na Record, demora para voltar à Globo. E parece que isso terminou. O que pensa disso?

Não tenho isso muito claro. Quando terminei Poder Paralelo, na Record, duas semanas depois estava estreando um cenário novo em Viver a vida, de Manoel Carlos. Fazia um argentino que seria concorrente do Maradona (Mario Paz). Coincidências, Mario chega amanhã para as filmagens de Aguas Selvagens. Hoje, essa questão está muito mais diluída em função das séries. Atores trabalham em Netflix, HBO, FOX, Amazon, Sony, Turner...

Como foi a experiência em Apocalipse, curte série bíblica, acha que as pessoas buscam nesse tipo de produção algum alento para as coisas tão terriveis que acontecem pelo Brasil e mundo?

Apocalipse faz parte da série de novelas de temática religiosa, então, acaba sendo mais focada na mensagem do que propriamente numa narrativa ou estudo psicológico dos personagens. Foi uma oportunidade de reencontrar velhos amigos, Samara Felippo e Fernando Pavão, e novos parceiros, Igor Cosso. A união do grupo foi o ponto mais alto de Apocalipse. Mantemos contato mesmo depois do fim das gravações. Fiz amizades que vão ser pra sempre! Em relação a alento, não sei bem como se dá essa relação. Tenho muito medo da esperança, porque vem do verbo esperar, que é imobilista. A coisa mais terrível hoje no Brasil é o foro privilegiado. O que me daria alento é ver uma grande mobilização da população contra essa casta de políticos acima da lei.

Foto: Wagner Carvalho

Você está no elenco das séries A Vida Secreta dos Casais, da HBO, e 1 Contra Todos, da FOX. Acha que o Brasil já está produzindo bem séries e com roteiristas tão bons quanto os lá de fora?

Ultimamente, as séries tem ocupado mais espaço, e eu estou adorando! Temos bons roteiristas e boas equipes trabalhando. Muitas séries não faladas em inglês estão surgindo, como La casa de Papel. Exemplo de mercado que está se abrindo. As plataformas, como Netflix, muito em breve vão nortear os caminhos das novas produções.

Fale um pouco sobre o longa Águas Selvagens, de que se trata, o que tem instigado você nesse trabalho...

No longa Águas Selvagens vou fazer Lucio Gualtieri, um ex-policial investigador argentino, que aceita um trabalho para solucionar um crime cometido na tríplice fronteira. Como todo filme noir, os elementos vão sendo apresentados aos poucos e vamos descobrindo que nada, de fato, é o que parecia ser. Ele vai descobrir que há uma trama muito pior que o assassinato que veio desvendar, e quando o o rumo das coisas sai de seu controle, terá de tomar duras decisões. Este filme é uma coprodução Brasil/Argentina, que está em fase de filmagens em locações no sul do Brasil e depois seguirá para a tríplice fronteira. Temos uma equipe de vários países. Atores argentinos Mario Paz e Mausi Martinez, e do elenco brasileiro, Luiz Guilherme, Mayana Neiva, Allana Lopes e Leona Cavalli, entre outros.

Você é um dos atores que mais faz cinema, mas também sempre está na TV com papeis bacanas. Resumindo, está sempre trabalhando. Como tem visto essa sua trajetória?

Realmente, tenho trabalhado direto, e seguidamente embola, de eu estar em mais de um projeto ao mesmo tempo, mas a gente vai organizando a agenda e acaba dando certo. Comecei com desenho e pintura nos anos 70, em Montevidéu. Depois mudei pra Porto Alegre e na faculdade de arquitetura comecei a fazer parte de grupos de mímica e teatro. Me formei também em Artes Cênicas, e no final dos anos 90 comecei a atuar em cinema, e bem mais recente, na TV. Entre curtas e longas já se vão mais de 40 filmes, algumas séries e novelas, e poucos espetáculos de teatro, mas durante muito tempo. Se pensar que fiz um solo de Dario Fo, Il Primo Mirácolo durante 21 anos. Viajei por 9 ou 10 países e apresentei em mais de 200 cidades. Foi uma experiência marcante, tantas pessoas, tantos lugares e idiossincrasias diferentes.

No longa Águas Selvagens. Foto: Wagner Carvalho

Vem mais trabalhos por aí no cinema?

Em breve, será lançado o longa O Olho e a Faca, de Paulo Sacramento. Foram 12 dias embarcados filmando numa plataforma de petróleo, um desafio e tanto. E em setembro estreia o longa Humanpersons, coprodução que rodou em Chicago, Panamá e Medellin, sobre tráfico de órgãos. Agora vêm pela frente dois longas, duas coproduções, Águas Selvagens (Brasil Argentina), que já estou filmando em Curitiba, e Two Shots of Tequila (Colômbia, Usa, BR) que roda em Los Angeles.

Se arrepende de algo nessa caminhada em sua carreira?

Sim, teria corrido o risco de dizer não muito mais vezes. Aceitaria de bom grado que posso estar certo ou errado, e que isso não tem tanta importância.

Você já fez muita coisa legal. Mas há algum personagem ou tipo de papel que você ainda quer muito fazer?

Escolho os personagens justamente pelo grau de desafio e complexidade. Fiz papéis bem diferentes. Pepe, de Um contra todos, tem uma curva enorme. Vai do psicopata assassino que comanda um cartel, até um pacato vô que cuida de sua filha e do neto. Em O olho e a faca, faço o papel de um engenheiro embarcado numa plataforma de petróleo. Passa o tempo todo num ambiente de extremo risco, e tendo que fazer escolhas em situações limites. Agora vem o Tobias, de O Sétimo Guardião, dono de um bar. Isso nunca tinha feito. Tô bem curioso...