Renato Góes, de Órfãos da Terra: “Serviço humano, necessário”

Ator renega título de galã e diz que o amor por Laila é uma virada na vida de Jamil


  • 13 de abril de 2019
Foto: Globo/Selmy Yassuda


Por Redação

Com quase 15 anos de carreira, inicialmente mais forte no cinema e no teatro, de uns três anos para cá Renato Góes vem conquistando com passos largos o seu espaço também na teledramaturgia. Após se destacar como o Santo, em Velho Chico, em 2016, ele protagonizou a supersérie Os Dias Eram Assim, e agora vive também o papel principal masculino da elogiada Órfãos da Terra. Mas ele não curte muito rótulos: “Acho que o galã não sou eu, mas uso dessa ferramenta para alguns personagens”, diz.

De certa forma modesto e distante desta glamourização do mundo artístico, Renato lembra da dedicatória que recebeu do colega Marcos Caruso, no lançamento da biografia do veterano e grande ator: “Que os aplausos venham para alimentar não o seu ego, mas sim a sua responsabilidade”. O certo é que já estamos todos apaixonados pelo Jamil e torcendo para que o romance dele com Laila (Julia Dalavia), já shippado nas redes sociais como #Jamaila, dê certo e continue emocionando o público.

Agora também somos ainda mais fãs do Renato!

Jamil (Renato Góes). Foto: Globo/Paulo Belote

Como você definiria o Jamil?

Ele é um cara que tem uma enorme gratidão pelo patrão dele, mas esse patrão não é um cara legal. Ele não sabe cem por cento, mas ele fecha um pouco os olhos para as coisas que o Aziz faz. Ele não tem noção da crueldade. Mas o amor que ele tem pela Laila é o que faz com que ele perceba tudo o que ele se omitiu. Esse romance é um ponto de virada na vida dele e ele entende como um novo caminho de vida. Por isso ele vai correr atrás desse amor, passar por cima de tudo em prol dessa família e desse futuro que ele enxerga para ele e a família da Laila.

 

 

Como está sendo o desafio de fazer essa novela?

É uma novela que eu tenho certeza que vai fazer as pessoas rirem e se apaixonarem. É um baita novelão com um assunto necessário, atual, comovente, instigador e que passa esperança para qualquer pessoa. E poder representar isso tudo junto com a Julia (Dalavia), com a Alice (Wegmann) e esse elenco que é incrível, sob o comando do Gustavo Fernandes, com quem trabalho pela quinta vez, é maravilhoso. Por sinal, esse também é o meu quarto trabalho com a Duca (Rachid) e a Thelma (Guedes). É realmente especial poder representar essas pessoas em refúgio. Entender o lado delas que saem, não como fugitivos de seus países, mas como vítimas. A gente quer tocar o público assim como fomos tocados com as histórias.

Esse contato com os refugiados você já tinha antes da novela?

Não, tudo nessa história eu acompanho de certa forma intelectualmente. Faço um curso de história, então volta e meia a gente aborda. Mas o contato em si, com a cultura, religião e as pessoas, só tive depois que sabia que iria fazer o trabalho. Antes de começar a pré-produção, já estava há uns três meses estudando a cultura, a religião e a língua, que para mim foi o maior ponto de conexão com esse povo e com essa história. Eles têm tanto respeito com a língua, que preciso ter no mínimo metade do respeito que eles têm e tentar representar da melhor forma possível.

Jamil (Renato Góes) e Laila (Julia Dalavia). Foto: Globo/Paulo Belote

Na trama vocês ainda falam só algumas palavras em árabe, né?

A gente não coloca a dificuldade de falar português. A gente fala muitas palavras em árabe, mas a grande ideia é falar muito bem as palavras em árabe e continuar com o português falado correto. Então cada um arranjou um caminho sem errar as palavras, dar uma identidade. Eu por exemplo uso uma boca mais fechada. Eu tento uma identificação, mas acho que o grande ganho é a gente estar preparado para falar bem o que tem de dizeres e palavras em árabe.

A vida de uma família lá aparentemente está normal, de repente, perde tudo... Vocês devem ter ouvido cada história, certo?

Não é que a vida tá normal, é uma guerra que vai e volta. E não é que as pessoas não estão esperando, elas não têm o que fazer. Se fosse fácil a saída, a escolha, teria um barco lá para todo mundo com conforto, sabendo que vai chegar do outro lado. Às vezes eles entram em um barco, onde quem facilitou aquela entrada sabe que não tem nem gasolina para chegar onde eles querem. É realmente uma covardia.

Ao viver o Jamil e conhecer várias dessas histórias, você começou a ver a vida de uma outra forma?

É mais do que ver a vida de uma outra forma. É transformar cada pequeno momento de você valorizar situações, valorizar pessoas e o chão que você pisa. É uma coisa natural e automática, não tem como você não evoluir e crescer no convívio com essas pessoas.

Você estava escalado para um outro trabalho (Deus Salve o Rei), mas acabou recebendo esse convite, e para um protagonista. Como foi isso para você?

Eu realmente tenho essa sorte, acho que já aconteceram umas três vezes. Eu estava em um produto e acabei saindo para fazer outro. Claro, teria uma história linda e com dedicação se tivesse. Mas eu sinto que era o lugar onde eu deveria estar, isso sempre vem de uma forma muito legal. Esse trabalho como eu falei é um serviço necessário, a gente tem muito orgulho em passar a situação, a ideia e esse amor com o qual eles têm e precisam viver, querem viver, para que a gente consiga de alguma forma ajudar e dar uma mão.

Renato Góes. Foto: Globo/Selmy Yassuda

Você chegou no momento da carreira que mais queria?

Eu vejo isso por um lado muito legal e faço sempre questão de falar isso. Quando eu estava fazendo Cordel Encantado com o Marcos Caruso, já nos últimos capítulos, eu trouxe um livro que era a biografia da vida dele. Um cara, que se eu não me engano já fez cinco ou seis peças ao mesmo tempo. Aquilo me motivava muito e quando eu pedi para ele me fazer uma dedicatória, ele escreveu uma coisa que eu nunca esqueço: ‘Que os aplausos venham para alimentar não o seu ego, mas sim a sua responsabilidade’. Então quando é esse lugar de acreditar no herói, no protagonista, eu coloco que preciso representar isso. E de certa forma trazer uma longevidade a isso. Se está vindo um atrás do outro, ao mesmo tempo que é um bônus, tem seu ônus. Eu não posso me repetir, eu não posso ficar enjoativo. Então eu faço de uma forma que meu esforço vai fazer com que eu apresente coisas diferentes.

Você é tido como um dos novos galãs da Globo, como lida com esses rótulos?

Eu separo. Cordel Encantado passou oito meses no ar e ninguém me mandava mensagem no Twitter e nem em canto nenhum dizendo que eu era galã. Assim como filmes e coisas que eu faço. Eu acho que esse rótulo é atribuído ao personagem, eu tenho feito personagens assim e também saio para o cinema e faço personagens que não têm essa característica.

Na novela o Jamil terá um filho com a Laila. Na vida real já bateu a vontade de ser pai?

Perto dos 30 eu comecei a ter uma grande vontade, mas era uma coisa meio distante. Quando eu conheci a Thaila (Ayala), a gente se conheceu meio que já falando sobre isso. Os dois tinham muita vontade e só aguçou.

 

 

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