Rafael Vitti, a “cara dos anos 90”: “Quase vivo sem tecnologia”

Ele será o boa praça João, par romântico de Isabelle Drummond em nova trama das 7


  • 30 de dezembro de 2018
Foto: Globo/João Cotta


Por Luciana Marques

Sabe aquele jovem querido, gente boa, tranquilão e da paz? Assim é o ator Rafael Vitti, de 23 anos. E ele vem trilhando um caminho bonito na mesma profissão dos pais, os atores João Vitti e Valéria Alencar, e do irmão, Francisco, desde a estreia na TV, em 2004, como o Pedro, de Malhação: Sonhos. Na ocasião, o casal #Perina, formado por Pedro e Karina (Isabella Santoni) fez muito sucesso. “Eu não luto contra o que está acontecendo. Agradeço de verdade a confiança e as oportunidades”, diz ele.

E agora a oportunidade é das grandes. Rafa é um dos protagonistas de Verão 90, nova trama das 7 com estreia no fim de janeiro. Na novela de Izabel de Oliveira e Paula Amaral, com direção artística de Jorge Fernando, o ator vive o gente boa João. Ele é ex-integrante do grupo infantil de sucesso Patotinha Mágica, junto com o irmão, o ambicioso Jerônimo (Jesuíta Barbosa), e Manuzita (Isabelle Drummond), por quem sempre foi apaixonado. Eles se reencontrarão após 10 anos. “Tem muito amor, acho que é uma bonita história”, diz.

Na entrevista, Rafa, que namora a atriz Tatá Werneck, revela que não é muito ligado em tecnologia. “Gosto de que tudo não seja assim, tão imediato”, ressalta. A novela se passa nos anos 90, e quem viveu, vai poder relembrar daquela saudosa época em que não existia nem celular.

Manuzita (Isabelle Drummond), João (Rafa Vitt) e Moana (Giovana Cordeiro) formam triângulo amoroso. Foto: Globo/João Cotta

O que tem mais encantado você na novela Verão 90?

É uma novela muito astral, uma comédia romântica, mas que vai também por um viés que traz uma verdade. Ela é leve, divertida, os personagens são múltiplos em relação a forma como vivem e veem o mundo. E isso é bom porque quando se encontram é bem legal. A novela tem uma coisa bem humorada para entreter e fazer a gente esquecer um pouco dos nosso problemas. O texto maravilhoso das autoras me deixou muito empolgado. Logo que eu soube que seria o Jorginho (Fernando – diretor artístico), e que teria a Claudia Raia, eu fiquei muito feliz. A Claudia representa para mim um símbolo dos anos 90. Estar com ela nos bastidores é quase um laboratório. Ela é realmente uma grande parceira para todo mundo. Este elenco tem pessoas que admiro demais, estou procurando só aprender mesmo, e fazer o que me designaram. Me sinto abençoado.

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E como vai ser o seu personagem?

O João Guerreiro é um ex-ator mirim que fez parte de um grupo que se chamava Patotinha Mágica, uma referência ao Balão Mágico. Depois do sucesso, o grupo acaba rompendo, principalmente porque existe uma rivalidade grande da Janaína com a Lidiane. O João é um jovem muito da época mesmo, alto astral, divertido e bem-humorado. Eu tento sempre fazer meus personagens divertidos, mesmo que não peçam tanto. No momento que a história se inicia ele trabalha na Rádio Maremoto FM. Ele é estagiário, mas tem um programinha que ele fala sobre surfe, é muito ligado a música. A vida começa a se mostrar não tão boa para o João por conta do irmão, que que tem um ressentimento pelo fim do grupo Patotinha. João tem bom coração, ama muito a mãe, mas vai sofrer bastante sem merecer.

Ele vai se apaixonar pela Manuzita, é isso?

Sim, ele tem uma grande paixão pela Manuzita. E é ela quem o escolheu para participar na época do Patotinha Mágica, enquanto a direção tinha aprovado o irmão dele, o Jerônimo. Então aí nasce o trio. João e Manuzita têm muito afeto um pelo outro, existe essa coisa da pureza e do amor. E passam-se 10 anos do fim do grupo, de uma maneira abrupta, e não houve mais contato entre eles, porque não tinha internet, celular. Então você não sabia sobre a vida das pessoas, e o que elas estavam fazendo. Aí eles se reencontram no meio da estrada, indo para o mesmo lugar, e volta tudo. O coração vai na boca... É muito legal porque ao mesmo tempo que tem esse amor, e é uma coisa do passado, que reascendeu agora, ele sempre a teve nos pensamentos. Quando se reencontram parece que voltam a ser crianças, talvez seja a forma como eu e a Isabelle estamos construindo isso. Tem muito amor, acho que é uma bonita história.

Janaína (Dira Paes) entre os filhos, João (Rafa Vitti) e Jerônimo (Jesuíta Barbosa). Foto: Globo/João Miguel Júnior

Há muita coisa em comum entre você, Rafa, e o João?

Eu acho que muitas vezes nós somos designados a fazer papeis que se aproximam da gente, o que é maravilhoso, e eu adoro. É um personagem incrível e a gente é parecido sim. Não tem como eu não colocar coisas da minha personalidade nele. Vendo a postura dele, eu me inspiro um pouco. Há uma mistura.

Como é conhecer a realidade dos anos 90?

É engraçado, por mais que eu não tenha vivido, meus pais viveram. Todas as referências musicais e coisas que ficaram marcadas dessa época vieram deles.

Você saberia viver sem tecnologia?

Eu quase vivo sem... Eu não vou me colocar como uma pessoa que não usa internet e rede social, porque não tem como não usar. Mas eu acho que gosto de não ser tudo tão imediato, de não ser sempre muito acessível. Talvez eu não tenha me adaptado a isso direito. Eu penso até nas relações, que hoje em dia tem acabado muito rápido, é um imediatismo para resolver. Você briga e não tem o tempo para absorver aquilo, pensar sobre. Não é saudável, você não tem um tempo natural. Agora a gente vê um pôr do sol e a gente não pensa em apreciar, já quer tirar foto. Eu faço isso, é horrível. Porque eu não estou olhando, eu estou perdendo um momento que está acontecendo, o real.

Rafa Vitti e João Bravo interpretam João em fases diferentes. Foto: Globo/João Cotta

Você vai protagonizar Verão 90, com um papel super bacana, veio de outros trabalhos legais, também no cinema. Como vê isso tudo acontecendo na sua carreira até aqui?

Eu não gosto de ir contra o natural. Eu gosto de tomar as minhas decisões e ter minhas escolhas. Mas não luto contra o que está acontecendo. É um lugar de muita responsabilidade, eu dei muita sorte, trabalhei com diretores que se deram muito bem comigo. Eu me preparo para o trabalho de ator e me sinto abençoado, às vezes, não tão preparado. Nosso trabalho é tão subjetivo que acho que nunca vamos estar preparados, mas as oportunidade que eles têm me dado, eu tento acompanhar isso com estudos. Às vezes eu sinto falta de não ter uma formação, eu aprendi como fazer TV com os meus colegas, com a experiência. O ator precisa sentir confiança e a faculdade traz isso. É um trabalho de superexposição e a gente quer fazer sempre muito bem feito.

Você a a Tatá são muito requisitados, como administram as coisas para ter o tempo de vocês?

A gente trabalha na mesma empresa, a gente dorme junto... Na verdade estamos sempre juntos, e quando não, sempre nos falamos. Eu tenho bem mais tempo que ela, na verdade, porque eu me atenho a fazer só o que eu estou fazendo no momento, eu não fico buscando. E ela também tem essa questão de ser muito solicitada, gosta de ter o tempo dela bem preenchido.

Quem é mais pé no chão, você ou a Tatá?

Acho que sou eu. Depende... Para as coisas da vida, que exigem um pouco mais de pé no chão, sou eu. Mas para as questões profissionais, é a Tatá. Pergunta difícil, a gente é pé no chão, a gente é tudo, nós somos múltiplos... A nossa relação é muito bem-humorada, a gente acorda rindo.



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