Rafael Oliveira: Do sonho da NBA à estreia na TV em Bom Sucesso

Ator diz como a frustração de ter que deixar os EUA após lesão o fez descobrir outra paixão


  • 11 de setembro de 2019
Foto: Collin Stark


Por Luciana Marques

A história de Rafael Oliveira, no ar como o bartender Jeremias em Bom Sucesso, se entrelaça um pouco com a de Ramon (David Junior), protagonista da trama das 7. Assim como ele, Rafael tinha o sonho de jogar basquete na NBA, foi estudar nos Estados Unidos com a intenção de se profissionalizar no esporte, até que descobriu uma lesão. No caso de Rafael, uma hérnia de disco. “Foi uma frustração enorme na época, mas hoje em dia eu agradeço muito”, conta.

Aos 37 anos, ele diz que hoje tem a total noção que é um ator com formação de atleta, inclusive trouxe toda a disciplina das quadras para a nova profissão. Agora, são 17 anos de carreira na atuação, iniciada no teatro, com curso na renomada Companhia Atores de Laura, várias peças e filmes. “O caminho todo me preparou para esse momento agora, tudo o que eu passei... Já fiz inúmeros testes na Globo, muitas participações. E hoje em dia estou mais sólido, preparado para estar aqui”, avalia.  

Como está sendo a experiência de estrear numa trama tão elogiada como Bom Sucesso? Eu estou muito empolgado porque eu era jogador de basquete mais novo. E essa novela fala sobre basquete, eu joguei nos Estados Unidos, a minha história parece um pouco mesmo com a do Ramon. Eu voltei mais cedo que ele, quando ele indo na verdade. Eu voltei com 20 anos de idade. Eu até já falei pra produção que se precisarem de alguma ajuda estou aí. Outro dia me perguntaram uma coisa em inglês e eu ajudei. Está bem prazeroso!

Foto: Collin Stark

Como foi ter que deixar o basquete, que era um sonho, né? Foi difícil na época. Hoje em dia eu tenho total noção que eu sou um ator com formação de atleta. Isso me dá uma disciplina muito grande, eu sou muito focado, me ajuda muito no processo. Eu escuto com mais facilidade, estava acostumado a ouvir o técnico, estar em movimento e ouvir. Então estou adorando.

O que você mais aprendeu ao passar por esta experiência? Que as portas não se fecham. E se as portas se fecharem, eu vou lá e derrubo elas. Basicamente isso. A gente vai ter problemas na vida e a gente não pode esmorecer por causa disso. Na verdade, os problemas fazem parte do caminho, não travam o caminho. Isso ficou bem claro pra mim.

E como você se descobriu ator? O ator da família era o meu irmão mais velho. Ele faleceu quando eu estava nos Estados unidos. Quando voltei, descobri que não podia mais jogar, fiquei meio triste. E minha mãe começou a me perturbar para fazer curso de teatro. Eu dizia, não vou fazer de jeito nenhum, não sou ator. Ela perturbou tanto que eu fui fazer um curso na Companhia Atores de Laura, um dos maiores grupos do Rio. Tive aula com a Susanna Kruger e não tinha como não me apaixonar.

Foto: Collin Stark

Mas não é uma carreira fácil, né? Não é fácil. São 17 anos de carreira já. E a primeira novela depois de 17 anos. Antes fiz muito teatro, estou em dois filmes do Matheus Souza, estou no último filme do Antonio Fagundes, Contra Parede, faço uma participação. Eu estava fora, voltei de Los Angeles há três anos. Eu estava lá com tudo estruturado, com uma agente, e vim ao Brasil para pegar o visto para começar a trabalhar. Mas o visto foi negado. Aí eu fiquei no Brasil, mas acho que dessa vez eu lidei com mais tranquilidade, diferente do que na época do basquete.

Como é fazer parte de uma trama que tem um ator negro como protagonista, o David, ainda mais quando se fala tanto em representatividade, né? O David quando me viu nos bastidores vibrou, porque ele até comentou com a produtora que a gente compete por papel desde vinte e poucos anos e agora a gente trabalha junto. Porque é exatamente isso, a gente viveu um tempo grande que só tinha espaço para um negro numa novela, e agora estamos aí. O David protagonista, com um trabalho muito bonito. E é muito legal ver um tipo de retrato diferente, uma outra versão, um outro olhar sobre a história. Então é um lugar da representatividade mesmo, tem uma escola em Bom Sucesso. Uma história muito normal de um negro que vai para fora e é bem sucedido, ele não é um negro que está esmagado. Acho que é um exemplo pra muita gente.

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