Patrick Sampaio é Felipe, amante da vilã de Alinne Moraes

Cria do teatro, ator vê estreia em Espelho da Vida em fase especial da carreira


  • 26 de setembro de 2018
Foto: Patrick Sister


Por Luciana Marques

Com longa carreira no teatro, também diretor e roteirista, Patrick Sampaio vê a oportunidade de viver Felipe, amante da vilã Isabel (Alinne Moraes), em Espelho da Vida, como realmente uma estreia em novelas. Anteriormente, ele havia feito pequenas participações na TV. “Talvez se tivesse tentado chegar antes, não estaria tão feliz, com tantos projetos bacanas acontecendo”, avalia.

O fato da trama de Elizabeth Jhin tratar de espiritismo também é especial para o ator, que foi criado numa família espírita, kardecista. O personagem Felipe morre de um aneurisma nos primeiros capítulos da novela, logo após ter sido flagrado junto de Isabel pelo namorado dela, Alain (João Vicente de Castro). Os dois têm uma briga feia antes da morte, tanto que Alain leva essa culpa durante muito tempo. Alguns segredos envolvem esse episódio, tanto que Felipe, pai de Priscila (Clara Galinari), filha de Isabel, aparecerá em memórias da vilã e de Alain...

E ele deve retornar à trama como espírito. Mas a única certeza é que Patrick, seu intérprete, está com a agenda atribulada. Além da novela, ele faz parte do time de roteirista de Amor & Sexo, que estreia nova temporada em 9 de outubro. E também roda o longa O Barulho da Noite, no Tocantins, da diretora Eva Pereira, ainda sem data de estreia. Ele também é criador do Brecha, coletivo artístico de pesquisa teatral.

Foto: Globo/César Alves

Quem é o personagem Felipe?

O Felipe é primo do Alain. Eles cresceram juntos também com a Isabel. Ela e o Alain têm um relacionamento, mas o Felipe acaba se envolvendo com ela. E quando ela fica grávida, os dois fogem da cidade alguns dias antes de ela se casar com Alain, mas sofrem um acidente. Quando o Alain chega para socorrer a namorada, encontra o Felipe com a Isabel, e rola uma briga gigante. O Felipe morre depois de um aneurisma, e o Alain carrega essa culpa. Porque ele bate muito no Felipe. Como se trata de uma novela espírita, veremos os desdobramentos desse trauma...

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Acha que há a possibilidade de ele voltar à trama de alguma forma?

Está se encaminhado para isso... Ele desencarnou há pouco tempo, digamos, dentro da lógica do espiritismo, ele ainda está num processo mal resolvido, rondando essa vida atual. Mas pode até acontecer de ele estar envolvido também em 1932...

Como está sendo estrear nessa novela?

Eu estou apaixonado! Para mim pessoalmente é interessante porque eu cresci numa família espírita, kardecista. Isso atravessa muitas coisas relacionadas ao meu próprio passado, à minha própria história. E a novela é muito interessante, a questão da metalinguagem, de se filmar um filme dentro da novela. Isso abre espaço para muitas coisas, e para mim é especial também estar envolvido em um projeto que de alguma forma está tentando fazer bem para para a cidade de Mariana, que passou por um problema grande há pouco tempo. E o Pedro (Vasconcelos – diretor artístico) está fazendo questão de fazer a gente enxergar esta cidade de uma outra forma, a partir de agora.

Você acredita que a vida não termina neste plano?

Hoje eu acredito mais ainda. Eu acho que o espiritismo é uma abordagem, acho que outras linhas do espiritualismo, o candomblé, o kardecismo, a umbanda, o próprio catolicismo. Acho que são várias abordagens para tentar dar conta do mistério do inexplicável. O que eu tenho certeza é que existe muito mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia, como dizia Shakespeare.

Acha que demorou para estrear na TV com um papel bacana ou foi na hora que tinha que ser?

Acho que acontece tudo no momento certo. Estou muito feliz com os meus projetos que eu estou me envolvendo agora. Talvez se eu tivesse tentado chegar antes, não estaria tão feliz. Não sei... Acho que o 'se', nem sempre existe, serve para a gente ficar infeliz, às vezes. É uma carreira que não é nada fácil, mas também é uma profissão de muito prazer. É especial a gente conseguir fazer coisas que a gente se identifica, num país como o nosso, que não é tão comum a gente fazer o que gosta e conseguir sobreviver. Principalmente, com a cultura tendo o desprestígio que a gente vem enxergando nos últimos anos.

Foto: Patrick Sister

E como está sendo a experiência como roteirista do Amor & Sexo?

Fui convidado para entrar nessa temporada pelo roteirista-chefe, o Antonio Amâncio, e foi muito especial. É um programa que, ao mesmo tempo que tem entretenimento, tenta trabalhar com uma certa leveza temas difíceis. É uma espécie de trincheira de luta também, para que a gente possa conquistar mais espaço para discutir racismo, homofobia, gênero, e uma série de coisas que me são muito caras. Eu tenho um histórico de envolvimento com militância política, então para mim está sendo especial ter dois projetos estreando quase ao mesmo tempo dentro da casa

Você já escrevia?

Eu venho do teatro, comecei aos 8 anos e trabalhei de forma amadora até os 16. O meu primeiro trabalho profissional foi uma peça com o Marco Nanini chamada O Bem Amado. Desde então, já dirigi peças, atuei, escrevi. Então, foi especial estar agora escrevendo num novo formato como o Amor & Sexo. Descobri que consigo fazer isso, as pessoas curtiram o meu trabalho, fui muito bem recebido.

Você também está em processo de filmagem de um longa, é isso?

Estou filmando em Palmas O Barulho da Noite, em que tenho o prazer de contracenar com a Emanuelle Araújo, o Marcos Palmeira. É um filme de estreia da diretora Eva Pereira. Se passa em 1988, dentro do Brasil profundo, digamos, um sertão, meio cerrado, que vai tratar de temas difíceis, violência doméstica, abuso sexual. O meu personagem é o vilão. Eu chego na casa do meu tio para ajudar a família, enquanto ele vai ficar fora durante as comemorações da Festa do Divino, e acabo me envolvendo com a esposa dele. E a partir daí, muitas coisas pesadas passam a acontecer.



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