Maurício Destri: “Camilo anda agora com as próprias pernas”

Ator de Orgulho e Paixão festeja papel e exalta parceria com Gabriela Duarte


  • 28 de julho de 2018
Camilo (Maurício Destri). Foto: Globo/João Miguel Júnior


Por Redação

Intérprete do Camilo, em Orgulho e Paixão, Maurício Destri só tem a comemorar as “curvas” do personagem, que de “filhinho da mamãe”, tomou as rédeas da própria vida, principalmente, após se apaixonar por Jane (Pâmela Tomé) e se decepcionar com a mãe, Julieta (Gabriela Duarte). “Ele ganhou força. Antes, era mandado, inseguro, porque dependia da mãe e estava sempre debaixo da saia dela”, avalia ele.

Na entrevista, o ator, que estreou na TV em Cordel Encantado, e desde lá vem fazendo trabalhos elogiados, como o trangressor Leon, da série Os Dias Eram Assim, em 2017, fala também sobre a repercussão do papel e da parceria com Gabriela Duarte. “Quando olho para ela, lembro da minha mãe”, conta.

Julieta (Gabriela Duarte) e Camilo (Maurício Destri). Foto: Globo/Raquel Cunha

Como foi a repercussão das lutas do Camilo?

É um momento legal, que dá um desafio maior para gente, enquanto ator. Poder sair de um personagem que era tão doce para um cara que começa a dar porrada por dor, por uma tristeza, por embate com a mãe e por essa vontade de ficar com a Jane (Pâmela Tomé). As pessoas têm comentado, principalmente as que estão próximas de mim, minha família. Eu tive pouco tempo de estar em lugares para perceber a reação do público, mas tenho visto que as pessoas estão se identificando e vendo a novela. Passei por uma situação bacana agora recente. Estava comendo no Ataulfo de Paiva, no Leblon, e uma mulher sentou no meu lado e me abraçou. Fiquei meio que: 'Caramba, o que está acontecendo?'. Ela disse que só queria um abraço. Em seguida, pediu um beijo e disse que estava surpresa com o trabalho e como esse personagem sofria e estava apanhando muito. Então, rolou essa identificação, esse carinho. Fiquei feliz! No começo achei estranho, mas foi um gesto carinhoso.

Como você se preparou para fazer esse lutador? 

No começo, queria que esse personagem fosse um cara que chutava lata nos sofrimentos, e as tintas espirravam na parede. Logo em seguida o Marcos (Bernstein) já tinha falado que ele iria virar um lutador, então não poderia ficar nessa loucura, de achar que esse cara era um pintor. Eu comecei a fazer algumas aulas de boxe, independente. Quando chegaram os capítulos, eu me preparei durante 10 dias. Fique num intensivão com um professor particular na minha casa e a equipe da produção da novela também contratou um cara especialista nessas ações. O trabalho ali é muito técnico. A marcação das cenas é muito técnica. Tem uma coreografia para que aquilo aconteça. Depois começaram a botar lutadores profissionais. Então virou uma aventura mesmo. Tinha momentos que me sentia dentro do ringue e acertei alguns socos na cara.

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E ele perdoa a mãe após saber que ela armou um casamento falso entre ele e Jane?

Não tem como não perdoar a mãe. No fundo, a gente acaba sempre perdoando por mais difícil que seja. Já perdoei quantas vezes minha mãe também, na vida real, como não vou perdoar na ficção? A trama é essa, esse gato e rato. A principal história desse cara é a relação com essa mãe. Então, ele perdoa ela, apesar dos altos e baixos. Cada hora vai acontecendo alguma coisa nova que ele tem que tirar satisfação com ela, fica puto, volta e acaba se reconciliando.

O Camilo vai ficar sabendo do passado de Julieta?

Não posso adiantar muito isso. Ela dá uma entrevista para um jornal, e ali ela fala todas as verdades. Vai, de uma forma muito sutil, pedir perdão, e eles recomeçam. Poderia ter sido diferente. A gente poderia ter construído uma outra história, mas é isso que a gente tem para hoje e daqui para frente a gente segue juntos nessa, para recomeçar essa história.

Como está sendo sua parceria com a Gabriela Duarte?

Já tinha conhecido a Gabi em A Lei do Amor (2016). A Gabriela é uma grande mulher, ela é linda. Minha mãe também é muito linda. Elas têm uma coisa do olho. Quando olho para ela, lembro da minha mãe. Então rolou uma identificação de imediato, e ela é jovem para fazer uma mãe. Tem uma coisa meio complexo de Édipo. Fui gravar uma cena com ela um dia que eu me tremia inteiro, minhas pernas estavam tremendo. Mas a sensação de fazer a cena, de viver aquela situação, é muito interessante. Depois até corri, dei um abraço nela e falei: 'Gabi, que doideira, cara'. A gente vai para um lugar muito misterioso quando fazemos as cenas. Parece que a cena estava acontecendo mesmo. No físico, no corpo, mesmo.

Depois de tantas reviravoltas o Camilo deixou de ser um garotinho. Ele aprendeu a viver?

Ele começou a andar com as próprias pernas. Começou a ter sua própria decisão e fez das próprias palavras a vida dele. Ele ganhou força. Antes, era mandado, inseguro, porque dependia da mãe e estava sempre debaixo da saia dela. E do nada esse cara vai para a vida, vai para São Paulo e começa a lutar. Independente de ser uma coisa que não seja tão sadio, o cara está apanhando para ganhar dinheiro, mas está lá. Tem uma mistura de dor também. As porradas que ele tomava eram um pouco a dor dessa distância da mãe, dessa falta de amor, dessa falta de toque. É muito interessante a forma como Marcos (autor) cria isso.

Jane (Pâmela Tomé) e Camilo (Maurício Destri). Foto: Globo/Raquel Cunha

Como você lida com essas dores do personagem? 

As primeiras cenas que eu gravei no estúdio pós-luta, eu ainda não tinha noção de onde estavam as dores no meu corpo. Então, era uma coisa dali eu ir percebendo onde estavam essas dores, na forma de sentar. Fiquei meio sem saber direito como realizar aquilo porque eu não sabia onde eram as dores desse cara. Quando nas cenas seguintes eu fui lutar, comecei a ver que as dores eram nas mãos, no ombro. Tinha uma coisa da respiração, mas não era tanto. Tinham momentos que eu nem conseguia falar direito. E era muito interessante porque eu mudei a visão desse cara, a forma dele de andar, de sentar. Fiquei meio vendido em algumas situações, tipo: 'Caramba, onde são as dores desse cara?'. Depois tomei mais consciência.

Orgulho e Paixão já passou do capítulo 100. Como está o Maurício Destri, como se sente nesse trabalho?

Confesso que estou muito feliz. É um trabalho com diretores diferentes, que eu achei que nunca ia trabalhar, e estou aqui. É bacana poder circular nessas produções, de não trabalhar sempre com o mesmo diretor. E entender esses novos lugares e jeitos de fazer, isso me deixa muito contente. Estou muito grato porque mais uma vez a vida me dá a chance de fazer algo completamente diferente.

Você acredita nesse amor à primeira vista que une o Camilo e a Jane?

Acho que os relacionamentos hoje estão tão líquidos, descartáveis, que hoje acho meio difícil você olhar e se apaixonar. Acho que é uma coisa construtiva, um trabalho diário. Você vai se apaixonando aos poucos. Acho que esse jeito de se apaixonar era uma moda antiga, que acho que hoje não cabe mais. Não consigo olhar para uma pessoa e falar: 'caramba, estou completamente apaixonado'. Preciso ouvir um pouco o que ela tem a dizer, as coisas que ela acredita, a família dela, o que ela pensa, o que ela quer fazer da vida. A partir daí eu começo a construir alguma coisa.

Assim como o Camilo, você mudaria o rumo da sua vida por um amor?

Hoje não. Confesso que não. Estou tão focado no meu trabalho, na minha experiência pessoal. Até parece ser egoísta, mas eu realmente me blindei a me apaixonar ou viver um grande amor. Não mudaria por amor, mudaria pelo meu trabalho. A gente canaliza e foca em determinadas coisas em algum momento da vida que, querendo ou não, o universo não traz isso para você. Pode ser que uma hora eu encontre a pessoa e fale: 'caramba! Vou viver isso com ela'. Mas hoje estou canalizado para outras coisas, outros tipos de relacionamento, principalmente meu trabalho, que não me vejo mudando por amor.

No nosso último encontro, você falou que deu uma casa para sua mãe. Como você enxerga essas conquistas?

Eu sinto que eu não cheguei lá ainda. Estou em uma eterna evolução. Não consigo ficar estagnado. Estou toda hora tentando sair das minhas zonas de conforto e tentando me surpreender a cada dia. A possibilidade de dar a casa para minha mãe foi uma passagem da minha vida, onde desapeguei de coisas minhas e falei que ia dar uma força para ela. Tenho essa relação com a minha mãe. Quando alguma coisa da minha vida acontece, está intercalada a alguma coisa dela. Então, parece que para eu resolver as minhas coisas, eu tenho que dar uma passada lá, passar uma tinta branca, deixar as coisas mais claras, suaves, e aí eu consigo resolver as minhas coisas. Ela é sempre o estopim para uma coisa nova que está chegando na minha vida. É muito gratificante ajudar a pessoa que me colocou no mundo e me deu a vida. Tanto ela quanto meu pai. São duas pessoas extremamente importantes.



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