Marieta rouba a cena como vilã: "Vamos poder pensar, que vida é essa que só almeja poder?"


  • 05 de novembro de 2017
Foto: TVGlobo/Fábio Rocha


Por Davi Somar

Brilhante como sempre, Marieta Severo está cuspindo veneno como a vilã Sophia, de O Outro Lado do Paraíso. E do jeito que ela gosta. Afinal, a intérprete não tem o menor escrúpulo quando defende uma megera. "Se a personagem tiver que matar, eu mato. Qual é o problema?", brinca, enquanto bota mais lenha na fogueira. "A Sophia tem razões para fazer o que ela faz. Falo de sacanagem, porque as razões dela são horrorosas. Mas não posso ficar com vontade de puxar o cabelo da personagem. Tenho que saber qual é a dela, e mergulhar".

Simples assim para quem faz da arte de representar um ofício há 52 anos. E que nessa longa e vitoriosa jornada, sempre se posicionou ou se engajou nos mais diversos momentos pelos quais o Brasil passou e passa. Tanto que Marieta aproveita a vilã, que vem roubando a cena em duas semanas da novela de Walcyr Carrasco, para dar uma alfinetada em quem acha que todos os problemas se resolvem pelo dinheiro. "A Sophia compra quem ela tiver que comprar. Os valores dela são esses. Vai ser ótimo levantar essa questão. Vamos poder pensar e criticar, perguntar que tipo de vida é essa que depende de dinheiro? Quanto mais dinheiro, melhor. As pessoas não têm um helicóptero e uma lancha, as pessoas têm cinco lanchas, dez helicópteros. O que é isso?".

Feliz por vias tortas

Segundo a atriz, a malvada passa por cima de qualquer um para conseguir seus objetivos. "A única coisa importante na vida da Sophia é ter o poder que o dinheiro pode dar para ela. Faz o que tiver que fazer, passa por cima do que tiver que passar. Ela é sem limite. É feliz. Acha que a vida é essa. Acha que é ótima mãe. Quer o melhor para os filhos dela", acrescenta a atriz sobre a personagem, que já começou a trama como viúva de um fazendeiro de soja.

"Esse negócio de bater em mulher não tem nada a ver. Todos esses assuntos levantados são muito atuais, contundentes e importantes de não serem apenas falados. A ficção coloca a vivência do tema, através de personagens" 

Lado de pegadora

Com o andar da carruagem, O Outro Lado do Paraíso vai demonstrar o lado de pegadora da vilã. Afinal, ela está superenxuta, sabe que ninguém é de ferro... Sophia terá um caso com o capataz e garimpeiro ambicioso Mariano, vivido por Juliano Cazarré. "Eu não sei ainda se eles são amantes. Ainda não recebi essa parte. O autor pode ir pra qualquer lado, ainda não sei para que lado ele vai. Mas parece que os dois têm um caso. Ainda não gravei isso", despista Marieta.

Vilania dividida

A atriz faz piada ao dizer que os assuntos polêmicos não são exclusividade de seu papel. "Não é tudo comigo não (risos). Não, não! Tem o lado homofóbico que é do núcleo da Ana Lúcia Torre; o lado do preconceito racial que é da Eliane Giardini. Vamos começar a dividir a vilania. É muita gente que não presta. Nossa!".

"Não é tudo comigo não (risos). Tem o lado homofóbico, da Ana Lúcia Torre; o do preconceito racial, da Eliane Giardini. Vamos começar a dividir a vilania. É muita gente que não presta." 

Questão de mulher

"A questão da mulher é comigo. Esse negócio de bater em mulher não tem nada a ver", destaca a intérprete que classifica como ótimo tocar nesse assunto. "Todos esses temas levantados são muito atuais, contundentes e importantes de não serem apenas falados, porque falar a gente fala. Mas a ficção coloca a vivência do tema, através de personagens de uma história".

Gravaçõs no Tocantins

Marieta conta que não conhecia Tocantins e considera ter sido fundamental para o personagem ter cenas gravadas na região. "Tem uma rudeza, uma crueza, uma secura que eu acho que determinou muita coisa da novela, que é esse épico quase western que estamos vendo. Foi importante ter ido e podido usufruir daquela beleza toda. É uma natureza avassaladora. De uma beleza impressionante! Aquela coisa agreste, com aquela luminosidade, com aquele céu azul, cada sol mais bonito que o outro e, de repente, tá num lugar verde, e encontra uma cachoeira deslumbrante de águas translúcidas, que forma um laguinho que você não afunda, é o lugar mais doido que eu já vi. É um dos fervedouros do Jalapão. Quando digo que não afunda, é não afunda, nem que você quisesse. Empurra o outro para baixo e ele não desce. É uma coisa louca, doida".



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