Manuela Llerena, a Deborah: “Como ela, me lanço no mundo”

Atriz, do coletivo Mulheres de Buço, cita aprendizados com personagem em Jesus


  • 28 de dezembro de 2018
Foto: Luiz Brown


Por Luciana Marques

Com 10 anos de carreira e 23 de idade, Manuela Llerena tem como sonhos “estar sempre em movimento nesse potente mundo da arte”. “Eu quero sempre mais. Todos os dias eu agradeço as oportunidades que conquisto com minha dedicação”, diz.

Atualmente, a atriz dá vida à Deborah, uma mulher à frente do seu tempo na trama bíblica Jesus. Com o trabalho, ela garante ter aprendizados diários. “É necessário ter consciência de nossas escolhas”, ressalta. Entre as semelhanças com a personagem, a curiosidade, e ter sempre uma boa história para contar.

Manuela também faz parte do Mulheres de Buço, coletivo formado com mais seis artistas, onde elas experimentam várias formas de expressão, a partir de uma inquietação em comum: o espaço que as mulheres ocupam, tanto na vida quanto na arte.

Deborah (Manuela Llerena).Foto: Blad Meneghel/Record TV

O que tem mais instigado você ao viver a Deborah em Jesus?

Me instiga muito contar uma história que de fato acontece com muitas mulheres. O sofrimento de abandonar um filho por não poder criá-lo é algo que é bem forte na trama de Deborah e tem me tocado bastante.

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Ela agora parece que está se redimindo. Ao seu ver, há uma forma de justificar tanta confusão em que ela se meteu? Teria a ver com o fato de a mãe ter deixado ela e o pai?

Deborah é uma jovem em plena descoberta. Naquela época se relacionar com um rapaz estava vinculado ao casamento. Quando ela teve sua primeira paixão e engravidou de um soldado romano, que não assumiu o filho, foi quando ela se deu conta das consequências que poderiam acontecer. Após ter que abandonar seu filho para não ser apedrejada, acredito que abriu uma nova fase de sua vida que possibilitou que ela perdoasse a mãe e compreendesse os motivos que a levaram a abandonar a família.

Você acha que agora ela está mesmo apaixonada pelo Tiago Justo, torce por esse romance?

Certamente está apaixonada! E é um amor que ela demorou a perceber. Foi preciso 'rodar o mundo' para que ela enxergasse o amor que estava ali ao lado dela o tempo todo. Faço super parte da torcida para o casal se resolver, casar e quem sabe até ter um filho.

Ela abandonou um filho. Acha que agora, se redimindo, ela vai procurar esse bebê?

Sim. Deborah é uma personagem destemida e teimosa, quando bota algo na cabeça não desiste até realizar. Então de um modo ou de outro ela vai se movimentar para encontrar essa criança e viver esse universo do filho.

Foto: Luiz Brown

Há semelhanças entre você e Deborah?

Muitas. Deborah é uma menina curiosa e que se lança no mundo, Assim como eu, gosta de uma boa história para contar.

O que você mais tem aprendido com a personagem?

Não vivemos só para nosso umbigo, é preciso olhar em volta e perceber como podemos nos dedicar com o que e a quem amamos.

Qual a sua ligação com religião?

Não tenho uma religião específica. Mas acredito em uma força superior que movimenta as energias, as pessoas e o ambiente.

E que tal participar de uma trama bíblica, ainda mais contando a vida de Jesus?

É uma experiência inovadora. Ao chegar nos estúdios e me deparar com cenários, nós atores entramos em uma atmosfera totalmente diferente dos tempos atuais. Desde o cabelo, maquiagem, figurino até a história que está sendo contada. É um retorno a uma época que não vivemos, mas que com a novela podemos sentir um pouco a experiência.

Apresentação do coletivo Mulheres de Buço. Foto: Repodução Instagram

Você é nova ainda, mas já tem 10 anos de carreira. Como avalia essa sua caminhada, há algo que gostaria de fazer mais, ou tudo tem acontecido no tempo certo?

Tive o privilégio de descobrir cedo o que mais desejava para minha vida. E agora alimento e cuido para que possa sempre exercer o trabalho que tanto amo, e viver nesse potente mundo da arte.

O mercado de audivisual tem mudado com as séries nos canais abertos e fechados, as webséries... Você mesma participou da premiada Eu só quero amar. Como vê isso, curte ver e fazer esses produtos?

Com milhões de informações nos cruzando diariamente, percebo que o mercado teve que se readequar em determinados formatos. As séries sempre deixam um gostinho de quero mais, fazendo com que o espectador crie um vício por acompanhar aquela história. Poder fazer uma série é muito bom, pois cada temporada é uma obra fechada, onde já sabemos aonde o personagem vai chegar e como preparar nossa atuação para esse formato.

Quais os seus sonhos na carreira?

Para esse novo ano continuar com meus projetos autorias junto às Mulheres de Buço. E dar seguimento no mercado audiovisual. Meu sonho é estar sempre em movimento, podendo exercer meu trabalho e me instigar em todos os campos: cinema, televisão e teatro. 



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