Kayky Brito, o preconceituoso Candé: “Vai levar um toma lá da cá”

De volta à Globo, ator diz que aprendeu a “não criar expectativas” na carreira


  • 06 de março de 2019
Foto: Henrique Falci


Por Luciana Marques

Aos 30 anos, Kayky Brito já pode ser considerado veterano na TV. Afinal, completa quase 20 anos de carreira, desde a estreia em Chiquititas, no SBT, em 2000. Após um tempo longe da Globo – ele fez Alto Astral, em 2014 -, o ator está de volta à emissora na pele do playboy Candé. “A gente faz teste, teste, teste, é não, não, não... E aí você recebe uma ligação com um convite como esse. Mas isso faz parte da vida, não só do ator”, constata ele.

O jeito metido e arrogante do personagem já tem mexido com os fãs da trama nas redes sociais, resultado, então, do bom trabalho de Kayky. Antes do seu retorno, o ator passou temporada em Nova York fazendo cursos de teatro. “Foi muito bom! Eu voltei reciclado, cheio de ideias”, conta. Na entrevista, ele também avalia a sua carreira, e diz ter aprendido a “não criar expectativas, e sim viver”.

Candé (Kayky Brito). Foto: Globo/João Cotta

Você se inspirou em alguém para viver o Candé?

Eu sempre fui de pegar um pouco de cada pessoa. E inspiração veio de gestos arrogantes que eu vejo, respostas ríspida. Tudo isso eu levo para o personagem.

Trouxe um pouco do seu lado surfista para o personagem?

Trago um pouco o jeito de andar, falar. Mas o que eu fiquei feliz é porque ele é um empresário. Ele é sócio da Play TV, a primeira emissora de videoclipe do Brasil. E mostra mais o lado ruim dele, que é meio ríspido nas respostas, sem paciência com as pessoas, é bem o playboy dos anos 90. Mas vai ter uma reviravolta! Ele vai levar um toma lá da cá, e vai mudar.

 

 

Na sua opinião ele chega a ser vilão?

Ele tem uma amargura nas respostas. Ele não é um vilão, é um playboy. Ele se acha, aonde ele chega gosta de falar, não gosta de ouvir um não. E de onde vem toda essa certeza dele? É do dinheiro! Por isso ele se garante, é o riquinho do Leblon, daquela época.

O personagem tem algo em comum com você?

Não importa o quanto flui, eu acho que qualquer personagem vai ter algo de você ali. Mas eu não sou uma pessoa ríspida nas respostas, eu não sou um playboy da Zona Sul... Mas eu gosto de mergulhar nisso tudo, então tem o laboratório do ator.

O que signfica para você este trabalho neste momento de sua carreira?

Estou muito feliz, com vontade de estudar e de realizar cada vez mais. É óbvio que nas primeiras cenas a gente quer fazer tudo, chorar, rir... Mas não é nem assim, tem que ir com calma, devagar com o que você criou e ver o que você quer para o personagem.

Você estava há quanto tempo longe da TV?

A minha última novela foi O Rico e Lázaro, na RecordTV, uma novela da babilônia e persas, uma coisa totalmente diferente do que eu estou fazendo agora aqui. E é a primeira vez que vou trabalhar com a Izabel de Oliveira e a Paula Amaral. Elas escrevem muito bem e nos dão liberdade de criar, porque tem certos textos que não dá pra mudar muita coisa. Mas o delas você pode colocar uns caquinhos que não muda muita coisa. Então, estou muito à vontade.

Candé ( Kayky Brito ), Quinzinho ( Caio Paduan ) e Tobé ( Bernardo Marinho ). Foto: Globo/Rafael Campos

Nos anos 90 você estava em Chiquititas. Como foi essa época e quais as suas lembranças?

Foi uma época que a gente se mudou pra Argentina, minha irmã (Sthefany Brito) também fez, ela foi 1 ano antes, eu fiquei 1 ano lá, e ela, 2 anos. A gente morava num prédio com vários brasileiros. Tenho essas memórias boas, eu fiz a sexta série lá. Então, anos 90 é só saudade.

Qual música ou cantor você mais lembra dessa época?

Eu curtia muito Fagner, Lulu Santos, sou fã dessas pessoas que me remetem a coisas boas.

Você é saudosista?

Sim, por natureza. Dizem que o tempo hoje em dia é uma ilusão, que o passado não existe. Então eu acho que o Instagram está aí para provar que o passado existe, todo mundo revive seu passado, é só entrar nas redes sociais que está tudo lá registrado. A mídia social é o passado...

Como você avalia a sua carreira. A gente sabe que é de altos e baixos, você começou muito novo... Acha que tudo aconteceu como tinha que ser, se arrepende de algo, há mágoa?

Eu aprendi nestes últimos anos a não criar expectativas, e sim viver. Não depender de ninguém, e você fazer o seu. Eu ahco que isso foi o que eu evolui na minha vida nestes anos. E de resto eu só genho a agradecer. Foi tudo sempre um presente lutado, nada foi dado de graça. Eu acho que se você treina, estuda, as coisas acontecem, ficar esperando, não vem. Você pode ter a sorte de ganhar na megasena e fazer uma novela das 8, mas você tem que persistir. Eu avalio de uma forma muito boa. Eu sou muito grato!

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