Juliana Paiva, a Marocas: "A gente planta sementinhas"

Em O Tempo Não Para, atriz vive sua segunda protagonista


  • 31 de julho de 2018
Foto: Globo/João Miguel Junior


Por Redação

Imagina você passar 132 anos congelado – desde 1886 –, e ser despertado nos dias de hoje na cidade de São Paulo? É exatamente o que acontece com a personagem de Juliana Paiva, a Marocas, e sua família da ficção, em O Tempo Não Para, nova trama das 7, que estreou nesta terça, 31 de julho.

Longe da TV desde A Força do Querer, em 2017, Ju Paiva retorna ao ar como a protagonista dessa história escrita por Mario Teixeira e com direção artística de Leonardo Nogueira. Marocas fará par romântico com Samuca (Nicolas Prattes), o primeiro a se aproximar do bloco de gelo que chega à praia do Guarujá com os “congelados”.

Juliana, que vem emendando ótimos trabalhos, já foi protagonista em Além de Horizonte, em 2013. Entusiasmada, a atriz conta detalhes do mais novo desafio na trama das 7. Afinal, depois do primeiro capítulo, estamos todos apaixonados por Marocas.

Marocas (Juliana Paiva). Foto: Globo/João Miguel Júnior

Mesmo sendo do século XIX, parece que Marcocas é bem à frente do tempo dela, não é?

Exatamente! Ela vem do século XIX, mas ela não é uma donzela, isso é muito legal. O fato do pai tê-la criado como menino, já que ele não teve um varão, traz um conflito, ela é muito conflitante. É uma personagem que vai lá, pega e faz, mas tem os valores daquela época. É uma personagem muito forte, o humor acontece o tempo inteiro. E eu acho que o contraste é um prato cheio para o humor, uma pessoa que nunca viu nada disso fica enlouquecida,  para quem está recebendo eles, é engraçada a situação, e para eles também, de forma que seja engraçado para o público.

Mesmo com o humor todo da trama, Marocas será mais séria?

Não que ela não seja divertida, ela é tudo isso, mas ela está dentro de um choque. É um choque de realidade muito grande, tudo o que ela tinha como referência foi embora. Nada é piada, piada é a situação, porque quem está vendo eles atravessando a Avenida Paulista, vestidos daquele jeito, vai achar engraçado. Mesmo a gente falando do século XIX, que a gente não tem uma referência direta, é muito fácil de embarcar nessa história porque é tudo muito pé no não. A gente está acreditando bastante no que a gente está fazendo, o linguajar é diferente, as roupas são diferentes, mas a gente já se adaptou, a preparação foi fundamental.

Quando se fala em família de congelados, passa a impressão de que eles são colocados dentro de um laboratório para serem estudados. Em algum momento isso será explicado para o público?

Sim. É importantíssimo que as pessoas assistam aos primeiros capítulos, porque é a pontinha do fio que a gente vai começar a desenrolar. Tem uma parte da ciência que vai explicar isso, sim, que vai bater de frente com a parte humanitária do Samuca. Porque eles não são ratinhos de laboratório, são pessoas, tem sentimentos, estão assustadas e precisam ser protegidas. É tudo muito bem amarrado. O nosso desafio é embarcar nessa história dos congelados. Mas está acontecendo tanta coisa, então, porque não aparecer um bloco de gelo aqui? E tem gente apostando na criogênese.

Foto: Globo/João Miguel Júnior

Vocês tiveram palestras, workshops?

Sobre a criogênese não, mas a gente teve sobre o século 19, mas a gente estudou muito, cada um foi pesquisando e mandando um para o outro. Existem pessoas que pagam para ser congeladas e isso é real, isso está acontecendo nos Estados Unidos, já tem mais de 20 pessoas congeladas. A gente vai ter o personagem do Amadeu, que é um cara muito rico que vai estar investindo justamente na criogênese. A gente vai tentar reconhecer esses congelados, até porque são pessoas, vem com questões.

Com essa nova protagonista, você está em um momento da sua carreira bem especial, agora também mais madura. Você se cobra, isso tem um peso para você?

Eu acho que é um reconhecimento do nosso trabalho, não deixa de ser. Eu sempre falo isso, que a gente vai plantando sementinhas por onde passar e elas vão germinando. Não encaro como um peso, porque eu estou dividindo com um elenco de primeira, é um trabalho em conjunto, trabalho diário, que a gente precisa muito do olho do outro. É uma nova oportunidade, como todas as outras que eu já tive e agarrei, que eu vou querer fazer da melhor forma.

E sobre fazer a personagem que é filha do Dom Sabino, papel do Edson Celulari, você já tinha trabalhado com ele, não é?

O Edson fez a Força do Querer, a gente teve umas duas ceninhas juntos, mas passou muito rápido. É um querido, a gente teve uma troca muito especial, porque a preparação da novela começou só com nós dois, esse pai e essa filha tem uma coisa especial, é muito forte e isso vai ser revelado ao decorrer da novela. A Rosi Campos também é generosa demais, fez parte da minha infância e é um prazer. São pessoas generosas, que estão dispostas a trocar, que vem com um olhar de vamos jogar junto mesmo e nós nos damos muito bem.

Agustina (Rosi Campos), Marocas (Juliana Paiva), Dom Sabino (Edson Celulari), Kiki (Natalia Rodrigues) e Nico (Raphaela Alvitos). 

Foto: Globo/João Miguel Júnior

Você é do Rio, mas o que você está achando de gravar por São Paulo?

Eu estou adorando. Nós começamos a gravar já há um mês e meio o resgate da família lá em Angra. E par a São Paulo, eu sempre vim muito no bate e volta, agora estou podendo conhecer mais, fui ao Ibirapuera, fui passear na Paulista à noite. São Paulo tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. E tem esse contraste do velho com o novo, que eu acho muito interessante ser o plano de fundo da nossa história, tem uma parte cultural muito bacana.

Você vai precisar ter sotaque?

Ela tem um certo sotaque, vai precisar falar de um jeito mais diferenciado, usar palavras como ‘deveras’, ‘de certo que sim’, fora que eu não vou poder usar esse chiado do carioca, tem que ser algo mais neutro. Mas não se preocupar em fazer um super sotaque paulista, ajuda para entrar na época.

A sua maior mudança foi o cabelo?

Sim, o cabelo é o famoso tic tac, mas eu acho que ela vai ficar louca para cortar esse cabelo, porque ela é muito para frente. Teremos cenas dela comprando lingerie, antes ela usava espartilho, e era horrível.

Em A Força do Querer, você foi elogiada por ter um papel de menor porte e ter se destacado. Eu queria saber como foi isso para você, e agora voltar com uma nova protagonistas, depois de Além do Horizonte, em 2013?

Como eu não encaro o peso de ser uma protagonista, eu também não encaro o peso de não ser. Em Totalmente Demais, a Cassandra tomou uma proporção muito grande na trama, que não tinha no início e foi acontecendo, já a Simone em A Força do Querer, o presente de estar lá, de contracenar com as pessoas que eu estava contracenando, e falar sobre uma questão muito importante, não era pouca coisa. É muito legal esse reconhecimento natural que aconteceu e eu acho que é isso, o reconhecimento vai chegando, e eu acho que a Marocas é um pouco disso.



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