Juliana Paes explica quem é “A Dona do Pedaço” Maria da Paz

Protagonista da nova das 9 foge de cidade jurada de morte, grávida, e vira boleira rica


  • 20 de abril de 2019
Maria da Paz (Juliana Paes) na primeira fase. Foto: Globo/João Miguel Júnior


Por Luciana Marques

Quando se lê o nome da próxima trama das 9, A Dona do Pedaço, com estreia em maio, é fácil associar o título também à história vitoriosa de sua protagonista, Juliana Paes. Até porque todos sabem que a atriz niteroiense enfrentou poucas e boas, dificuldades financeiras junto com a família, até se tornar uma das mais requisitadas estrelas da TV e de publicidade do país. “A Dona do Pedaço vai conversar com as mulheres que são donas de si”, explica ela.

Na história escrita por Walcyr Carrasco, a atriz dará vida à Maria da Paz. A trama começa mostrando ela, ainda criança, numa pequena cidade fictícia do Espírito Santo. Nova ainda, ela sempre observava a sua avó, Dulce (Fernanda Montenegro), fazendo bolos. Mas o fato de pertencer a uma família de justiceiros faz com que, já adulta, sua vida se torne um inferno naquele local. Ela se apaixona por Amadeu (Marcos Palmeira), do clã rival, também de matadores. E no dia do casamento deles, o noivo leva um tiro durante a cerimônia.

Jurada de morte e pensando que o amado morreu, ela parte para São Paulo, onde descobre estar grávida. Vinte anos depois, torna-se uma empresária de sucesso, dona de uma cadeia de confeitarias. Sua filha, Josiane (Agatha Moreira), será uma vilãzinha, terá vergonha do jeito da mãe e vai armar um casamento que pode até fazê-la perder todo o patrimônio que suou tanto para conseguir. Lógico que, no decorrrer da novela, Amadeu ressurge na vida de Maria da Paz.

E é a própria Juliana Paes, com seu carisma e simpatia de sempre, que dá mais detalhes sobre a personagem e a história. 

Maria da Paz (Juliana Paes), na primeira fase. Foto: Globo/João Miguel Júnior

O título da novela tem muito a ver com você, com a sua história de vida, de ser uma mulher vitoriosa. Como vê isso?

Acho que A Dona do Pedaço fala com todas as mulheres. Eu estou muito feliz ao criar essa personagem, porque A Dona do Pedaço vai conversar com as mulheres que são donas de si. Que se fizeram pelo próprio esforço e que são a razão do próprio sucesso. Esse é o sentido de ser a dona do seu próprio pedaço, da sua própria vida, da sua própria história. Nesse sentido a personagem vai falar muito com o público feminino. Essa palavra do empoderamento que está na moda agora, e eu acho muito bom que esteja, tem tudo a ver com essa Maria da Paz que estamos trazendo.

 

 

Quem é a Maria da Paz?

A gente tem uma passagem de tempo grande no início da trama. O primeiro bloco da novela vem mostrando o passado, de onde vem essa mulher. A Maria da Paz vem de uma família do interior, uma cidade fictícia que se chama Rio Vermelho. É uma família de matadores e existe uma outra família rival de matadores também, isso nos anos 90. Então existe nesse contexto um clima de Romeu e Julieta. Mas no sentido de que são famílias inimigas. E claro que os protagonistas se apaixonam, a Maria da Paz se apaixona pelo Amadeu (Marcos Palmeira). Mas só descobrem tudo isso depois que já estão completamente apaixonados. É a primeira vez que ela mostra a razão pela qual tem esse nome, ela quer promover a paz entre essas famílias. Chega um momento que ninguém sabe mais o porque de tudo isso, quem começou com tudo isso.

E o que ela faz para isso?

Ela quer viver esse amor, ela já teve um noivo que foi morto pela família e ela propõe esse pacto. Mas isso não se concretiza. A partir daí ela passa por poucas e boas, tem que fugir para São Paulo porque ela fica jurada de morte. Sem ninguém, sem saber para onde está indo, e conhece pessoas que acolhem ela. E a única coisa que ela sabe fazer é bolo, que ela aprendeu com a avó. Então ela começa assim, vendendo bolo na rua em uma carrocinha, depois em uma portinha de garagem e aí a coisa começa a dar certo. Ela tem esse jeito doce, generoso, amoroso com as pessoas e ela coloca tudo isso nos bolos. Existe um pouco de lúdico nessa história toda. Nisso, passam-se 20 anos e ela se transforma em uma grande dona de um império da confeitaria.

Juliana Paes no laboratório de confeitaria para a segunda fase da novela. Foto: GloboRaquel Cunha

A gente viu fotos de você no laboratório, teve gente que provou e adorou os seus bolos... Mas você aprendeu ou já sabia fazer?

Eu não sou muito de ir para a cozinha, mas quando eu vou é para fazer sobremesa. Claro que fazer um bolo comum, um bolinho de banana sempre foi fácil para mim. Mas eu tive aulas de uma culinária mais avançada, existem segredinhos e jeitos de fazer no manejo, que são mais profissionais. Quebrar o ovo com uma mão só, dar um toque diferente no brigadeiro para ele ficar um pouco mais cremoso. Eu sempre untei a forma do bolo colocando manteiga e farinha, mas dá para fazer também colocando só papel embaixo.

Você saiu de uma bandida, a Bibi Perigosa, de A Força do Querer, e agora será uma mulher batalhadora. Como é isso para você?

Eu gosto muito dos processos criativos antes da novela, para mim essa é a parte mais saborosa. Quando eu começo a fazer um bolo e começo a entender como são as mãos dessa mulher, como é que ela se comporta, como ela era como menina. Tudo isso a gente vai colocando num caldeirão de ideias e vai criando o corpo do personagem, mas eu preciso puxar uma brasa para uma parte importante que é a caracterização. Cinquenta por centro do trabalho do ator está nesse trabalho da equipe, que é quando entra o figurino, o cabelo e a maquiagem. Porque uma vez que você coloca a roupa do personagem, o cabelo, a maquiagem e você se olha no espelho e vê essa figura, imediatamente é um outro corpo em você. E isso me ajuda de uma maneira que eu não sei explicar. Eu conto muito com isso, para mim os dias de prova de figurinos, são de muita concentração, porque eu sei que ali eu vou achar meu personagem definitivamente. Para mim aquilo é uma viagem que eu começo a entender quem é essa mulher.

Marcos Palmeira, Juliana Paes e a diretora Amora Mautner, em intervalo de gravações da primeira fase no sul.

Foto: GloboJoão Miguel Júnior

Você é das estrelas da TV mais famosas, mas é perceptível que você não esquece das suas raízes, né?

Eu sempre achei muito chato essas pessoas que se sentem descoladas das outras profissões porque são artistas. Eu acho que o trabalho do artista é como o trabalho de qualquer outro profissional. O que a gente tem de diferente é a visibilidade, a gente fica em uma vitrine o tempo todo. E ninguém consegue enxergar isso como um bônus. Mas isso é difícil, porque são expectativas que você tem que atender o tempo todo. Por outro lado o bônus para mim é poder viver personagens diferentes, estar cada dia em um lugar, cada dia com uma equipe. O que as pessoas julgam que as vezes é o grande bônus, não é.

Como está sendo a troca com o elenco?

Eu estou muito feliz com esse elenco, não poderia estar mais feliz. O Marcos (Palmeira), a gente já tinha trabalhado antes (em Celebridade), então a gente já tinha essa troca de amizade. Ele é muito pé no chão, muito simples. É um cara nada deslumbrado. Acaba uma novela e ele volta lá para a fazenda dele, eu volto para a minha turma de São Gonçalo e é mais um dia, vida que segue.

Quando você se sente a dona do pedaço?

Eu me sinto a dona do pedaço quando eu consigo dar conta de muitas coisas ao mesmo tempo. Quando eu consigo gravar, chegar em casa, tomar conta da merenda das crianças (Pedro, 8 anos, e Antônio, 5, do casamento com o empresário Carlos Eduardo Baptista), fazer dever de casa, colocar para dormir, ler uma historinha e ainda assistir um filminho. É aí que eu falo que estou me sentindo a dona do pedaço.

 

 

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