João Emanuel Carneiro sobre Segundo Sol: “É leve e emotiva”

Autor diz que nova vilã de Adriana Esteves é bem diferente da Carminha de Avenida Brasil


  • 14 de maio de 2018
Foto: Globo/João Miguel Júnior


Por Redação

Um dos autores jovens de maior sucesso dos últimos tempos – ele escreveu a icônica Avenida Brasil, de 2012 – , João Emanuel Carneiro está de volta esta noite, 14 e maio, com Segundo Sol. A nova trama da 9, segundo ele, promete muita emoção, dramas familiares, romance e humor. “Ela é muito singela, de fácil compreesão e um canal direto de emoção com o público”, explica ele, autor também de tramas como Da Cor do Pecado, de 2004, Cobras e Lagartos, de 2006.

Ambientada na Bahia, a novela conta a saga da marisqueira Luiza (Giovanna Antonelli), uma mulher, simples, guerreira, que cria sozinha dois filhos. Mas ela tem a vida virada após se apaixonar pelo cantor de axé Beto Falcão (Emílio Dantas), dado como morto. E após maldades das vilâs Laureta (Adriana Esteves) e Karola (Deborah Secco), namorada de Beto, ela precisa fugir do Brasil. E fica longe 20 anos, quando tem a chance de recomeçar, o seu “segundo sol”, e reconquistar a família.

Veja aqui quem é quem na trama:

Com os diretores Dennis Carvalho e Maria de Médicis. Foto: Globo/João Miguel Junior

De onde surgiu esta ideia de fazer uma novela ambientada na Bahia?

Eu sempre fui para a Bahia, sempre gostei muito de lá e sempre quis contar uma história localizada no estado. Daí me surgiu a ideia de fazer um personagem músico, e fiz dele um cantor de axé.

Como foi a pesquisa para a época, e sobre os temas abordados na trama?

O axé é uma coisa dos anos 90, ainda existe, mas naquela época era o auge. Pensei numa passagem de tempo que começasse nos anos 90 e viesse até os dias de hoje. Durante minha pesquisa li muito sobre o tema, e vi muitos documentários sobre axé.  Eu já gostava de axé, porque na adolescência nos carnavais, eu dançava também.

Qual história Segundo Sol vai contar?

A trama é calcada nas relações pessoais e familiares, no valor da família. Eu acredito muito em histórias de família para escrever novela. A trama vai contar a saga de Luzia, uma mãe buscando se reaproximar dos filhos, que precisou abandonar por diversas circunstâncias. O segundo sol significa a nova chance que ela vai ter para recompor sua vida. Todos nós podemos ter a oportunidade de um novo começo e somos os protagonistas dessa mudança. A novela vai mostrar isso por meio da trajetória da Luzia e de outros personagens, como o Beto Falcão e o Roberval, cujas famílias também são muito importantes na trama.

A família Falcão aceita viver uma farsa por muitos anos. A novela também pretende fazer uma reflexão sobre ética?

Essa questão da ética é forte em todos os meus trabalhos. No filme Central do Brasil, a protagonista escrevia cartas para analfabetos e não postava, tinha essa dubiedade. Em ‘Cobras e Lagartos’, o Foguinho se fazia passar pelo dono da loja em que trabalhava. Tenho vários outros exemplos. Nessa novela, a mentira da família Falcão é uma falha de caráter, mas vivida dentro de uma situação extrema. Beto vai o tempo todo se chocar internamente com a situação de precisar se esconder. Isso é um problema e um dilema ético fortíssimo na vida dele. Acho que a ambivalência é uma característica da complexidade do ser humano.

E como é ter duas vilãs principais, a Laureta e a Karola? Você buscou alguma inspiração em algum lugar?

Existem vários exemplos de parceria em que uma pessoa é mentora da outra, e de certa forma elas têm uma relação de amor e ódio, de gato e rato.

Conte um pouco sobre essas vilãs...

Elas são amorais, mas bem-humoradas, até um pouco palhaças. As duas se dividem nas maldades, mas a Laureta está sempre à frente, é a mentora dos planos. Karola e Laureta mantêm uma relação de dependência, um pouco simbiótica, se complementam.

Ter que dividir essa vilania fica mais fácil para o autor e para as atrizes?

Não. É apenas uma maneira de se fazer, teriam outras. Essa é uma dupla que se ama e se odeia.

A internet é muito rápida. Em um trailer da trama, os internautas foram à loucura com uma cena da Laureta, interpretada pela Adriana Esteves, e disseram: ‘Carminha está de volta’...

Eu não sou muito da internet, leio sites, mas não vou em rede social. Somos apenas o mesmo autor e a mesma atriz trabalhando juntos. Eu acho que a Carminha era uma pessoa essencialmente dissimulada, louca, quase psicopata, mas fazia cena para todos em volta como a mãe de família tradicional. O que mais marca na Laureta é ser uma pessoa amoral, que gosta de afrontar. Ela é livre. Justamente essa coisa desaforada, e livre que marca ela, um pé na porta ao contrário da outra.

Como é a forma de liberdade dela?

Ela é livre porque tem uma conduta sexual da cabeça dela, não dá satisfações a ninguém, uma pessoa totalmente original. Diferente da Carminha, totalmente contrária, porque dava satisfações a todo mundo.

E a Carminha gostava só do Max (Marcello Novaes), né?

Ela gostava um pouco do Tufão também, era meio dividida.

Você chegou num lugar como autor em que o público já espera pelas suas obras. Elas geralmente fazem muito sucesso. Como você lida com esse tipo de cobrança ao começar a escrever uma novela nova?

Eu tenho que esquecer essa expectativa toda em cima de mim, porque é uma coisa muito opressiva. No caso dessa novela, ela é muito singela, emotiva, de fácil compreensão, um canal direto de emoção com o público. Acho que ela vai emplacar por causa disso. A novela tem uma leveza, e é muito bem-humorada.



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