Jeniffer Dias chega “causando” como a Dandara em Malhação

Ativista, atriz ressalta importância de mostrar personagem que se posiciona e tem voz


  • 11 de setembro de 2018
Foto: Divulgação


Por Redação

A personagem Dandara, papel de Jeniffer Dias, chegou “causando” na Escola Sapiência, em Malhação: Vidas Brasileiras. Após uma temporada no Canadá, a filha do diretor Marcelo (Bukassa Kabengele) vem cheia de ideias, tanto que irá disputar a eleição do Grêmio Estudantil. E nesse ínterim, baterá de frente com Hugo (Leonardo Bittencourt), naquela de gato e rato. E, no final, devem se envolver.

Toda essa vontade de mudanças da personagem, do novo, tem muito em comum com a sua intérprete. “Eu sou super ativista”, conta Jeniffer, de 27 anos, que é idealizadora do Projeto 111, de resistência artística. Para ela, o ideal é que no Brasil existissem várias “Dandaras”. “No sentido de que as pessoas se posicionem mais”, diz a atriz, nascida e criada na comunidade Coronel Leôncio, em Niterói, Rio.

Formada em Gestão Ambiental, ela ia terminar o curso de Engenharia da mesma área, quando foi “picada” pelo universo artístico. À convite de Regina Casé, que a viu numa roda de samba em Bento Ribeiro, fez teste para o programa, em 2012, e passou. Depois, iniciou vários cursos de teatro, até na própria Globo. E em 2017, fez a sua estreia na TV como a Luana, em Novo Mundo.

Hugo ( Leonardo Bittencourt ) e Dandara ( Jeniffer Dias). Foto: Globo/João Miguel Júnior

Fale um pouco sobre a Dandara...

Ela chega de um intercâmbio no Canadá, é super ativista, defensora de várias causas. Então, ela não aceita qualquer coisa, bate de frente mesmo. Ela chega causando no Sapiência.

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E ela deve ter um envolvimento com o Hugo, é isso?

Acho que primeiro vai ter um envolvimento com o Hugo, de briga. Eles vão bater de frente porque as opiniões são muito diferentes. Depois, eu acho que eles vão acabar se envolvendo...

Mas ela crê nele, porque ele tem não tem um histórico tão bacana, né?

Nossa, ele é um embuste! Mas depois eu acho que ele vai acabar ficando legal, e eles vão se envolver. Ela vai acabar se deixando levar por ele...

Como é a relação dela com o pai?

Ela bate de frente com ele. Apesar de amar esse pai, ela acha que ele devia se posicionar mais. Ela acredita que o pai deveria ser um Martir Luther King, um Lázaro Ramos... Só que não, ele fica ali naquela sala da direção, não faz mais nada, não ouve ninguém. Então, ela bate de frente com ele por isso. Ela fala: 'Pai por que o senhor não se posiciona? Você tem o poder em suas mãos e não faz nada'. Mas, independente disso, eles se amam.

Você disse que ela é muito ativisita, tem os ideais dela. Ela é apoiada pelos colegas?

Algumas meninas apoiam ela, sim, como a Talíssia (Luellem de Castro), a Maria Alice (Alice Milagres). Mas os meninos zoam muito a Dandara, porque ela não deixa passar nada, ela não leva nada para a casa. Então, tem gente que gosta dela e gente que não gosta, como é na vida.

Você acha que faltam “Dandaras” no mundo, que retruquem tudo o que as pessoas falam?

Eu acho que faltam 'Dandaras', no sentido de que as pessoas se posicionem mais. É porque a Dandara é muito pavio curto. Às vezes, ela extrapola um pouquinho porque é muito nova também. Mas acho que falta nesse sentido de se posicionar, de se defender, de abrir a boca para o mundo, de não levar desaforo para a casa.

Foto: Reprodução Instagram

Mas você acha que essa explosão dela é um reflexo dessa juventude mais militante que a gente vê por aí?

Com certeza, acho que as meninas estão muito mais conscientes. Acho isso importante ter a Dandara aqui falando para esse monte de gente, de ter essa voz , acho que á a primeira vez em Malhação que eles abrem espaço para isso, para a gente falar o que acredita, o que precisa ser mudado.

Como você é nessa questão em relação a política, você se posiciona, é ativista?

Eu sou super ativista. A gente tem isso em comum. Eu tenho um projeto chamado Projeto 111, que é um sarau de resistência cultural. Sou eu e mais duas amigas, a Lorena e a Luisa. E a gente diz lá que a arte deve ser respeitada e valorizada. E aí no sarau, a gente chama a galera de periferia, e quem não é da periferia, a gente cria um intercâmbio cultural, para que esse encontro gere bons frutos. Eu acho importante a gente mostrar que tem jovens incríveis dentro da periferia e fora também. E mostrar essa galera que está chegando e não tem muito espaço na área artística. Geralmente, a gente faz no Espaço Front, na Praça XI, aqui no Rio. Mas a gente vai mudar de lugar porque ficou pequeno. A próxima edição será no dia 11 de novembro, quando o projeto vai fazer um ano.

Por que você decidiu montar esse projeto?

Porque eu sentia falta de uma movimentação dos circuitos artísticos nesse sentido, de jovens negros, favelados ou não, mostrarem o que tem de melhor artisticamente.

Você ia se formar em Engenharia, quando você fez teste para o Esquenta. Como foi essa mudança na sua vida?

Foi uma decisão muito difícil porque na minha cabeça a engenharia era a garantia de um futuro tranquilo pra mim e pra minha família. Mas estar no programa era o que me fazia feliz. A partir do convite, vi um mundo de possibilidades e vi que podia fazer parte desse universo. Mas foi no teatro que descobri o quanto sou artista. Sempre gostei de cantar e dançar, tive e tenho muito contato com a música e instrumentos dentro de casa.



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