Ingra Lyberato volta à Globo após 17 anos: “Um recomeço”

Atriz de 51 anos festeja sua “matriarca bandida” em Segundo Sol


  • 02 de agosto de 2018
Foto: Edu Rodrigues


Por Luciana Marques

Na pele da matriarca da família de bandidos Garcia, de Segundo Sol, Ingra Lyberato está de volta à TV Globo após 17 anos. Seu último trabalho na emissora foi em O Clone, em 2001. Natural da Bahia, a atriiz vê a oportunidade como um “recomeço”. “É a reaproximação de um mercado que eu já tive. As coisas estão frutificando de novo”, conta a atriz.

Intérprete de papeis icônicos como a Ana Raio, em A História de Ana Raio e Zé Trovão, em 1990, na TV Manchete, e de vários outros trabalhos importantes, também no cinema, Ingra admite que ela própria “deu as costas” para a carreira, principalmente, em momentos de grande exposição. Tanto que nesse processo de autoconhecimento, ela escreveu o livro O Medo do Sucesso.

Na entrevista, a atriz de 51 anos, que continua linda, fala da felicidade de retornar numa trama do horário nobre, com audiência em alta e um núcleo que está dando o que falar. Ah, e mais especial ainda porque se passa na sua Bahia.

Quem mais como a gente estava louco de saudades de ver Ingra novamente no ar ? Vambora curtir esse super bate-papo com a atriz, que é mãe de Guilherme, de 15 anos, da união com o ex, o músico gaúcho Duca Leindecker.

Fátima (Ingra Lyberato). Foto: Globo/Raquel Cunha

Como é para você reencontrar o público das novelas após tantos anos?

Eu fico muito emocionada. Ana Raio e Zé Trovão, por exemplo, é um trabalho de tantos anos e as pessoas lembram com tanto carinho. É um presente ter vivido esta personagem. Foi um presente da vida a oportunidade de poder ter interpretado uma personagem da qual as pessoas se identificaram. Na verdade, eu tento trazer essa humanidade, esse brilho e essa emoção para todas as personagens que faço. E agora neste momento vivendo a Fátima, nesta família que é um pouco diferente, tenho me sentido muito tocada, emocionada. Porque é uma mãe com um sentimento maternal muito forte em cena.

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Como é essa família, é de bandidos, né?

Sim. O João Emanuel Carneiro trouxe essa história porque é uma família de bandidos que ganha a vida de uma forma ilegal. Eles foram pegos de surpresa na crise e tiveram que se virar. Infelizmente, isso pode estar acontecendo com alguma família por aí, mas eles são muito unidos. Tem a preocupação com os filhos, a filha não pode chegar em casa depois das 10h, eles não podem beber nem álcool. Eles vivem da forma que conseguiram, foi uma fatalidade, mas tem o contraponto que deixou divertido.

São pessoas que traficam mas eles não fazem uso da droga, né?

Isso fica muito claro, que eles fazem isso como trabalho mesmo, como forma de sobrevivência. Infelizmente, isso é uma realidade num país onde as coisas andam tão difíceis. Eu encaro como uma família que é o retrato da realidade.

Ela vai aliviar a barra da Manu (Luisa Arraes)?

Eu tenho um certo limite para contar as coisas. Mas, a Manu me ajudou na história, eu (Fátima) tenho uma gratidão por ela, mas tem ossos do ofício dentro da atividade da família que eu não posso dar spoilers, mas, são fortes emoções vindo por ai.

Após o sequestro, a Manu volta para a casa da família pela droga ou pelo acolhimento?

Eu acho que pela droga, mas ela percebe a união dessa família. Eu acho que é tudo ao mesmo tempo, ela encontra coisas que não encontra na casa dela.

Foto: Edu Rodrigues

Você é baiana e está vivendo uma personagem da sua terra. Como tem sido?

Aprovo muito! (risos) É um sotaque difícil, não é fácil, não. Antes de entrar na novela eu estava achando que muitos atores que não são baianos estavam dando conta do recado muito bem. Hoje, neste estágio que a novela está, todos estão ainda melhores. Eu estou muito feliz de poder soltar, liberar e poder falar meu sotaque. Há trinta anos eu tento esconder e neutralizar o sotaque que é um trabalho natural dos atores, sendo que meu primeiro trabalho na TV foi em Tieta onde eu pude liberar meu sotaque. E agora estou tendo ter esse prazer de novo de trazer palavras e poder contribuir com minha baianidade.

Como você foi recebida na Globo após tantos anos?

Minha última novela na Globo foi O Clone. Fui muito bem recebida nessa volta, tenho muita consciência desta oportunidade. É um pacote de presente, uma história que se passa na Bahia, tenho vários amigos baianos na equipe e no elenco, estou muito emocionada.

Você acha que demorou muito para você voltar?

Sim, demorou. Fiz muitos outros trabalhos, fiquei muito tempo morando em Porto Alegre. Eu realmente dei as costas... Tive dificuldades, tive que retomar todos os contatos, entender o que estava acontecendo no cenário de teatro, TV e cinema. É um recomeço!

Como a Ana Raio, em Ana Raio e Zé Trovão, da Manchete, em 1990. Foto: Globo/Raquel Cunha

Por que ficou tanto tempo fora do mercado?

Eu escrevi um livro que se chama Medo do Sucesso. Estou num processo de autoconhecimento. Vou fazer 52 anos, mas um pouco antes disso comecei a querer me conhecer mais e entender os meus processos. Como ir além da coisa de pagar contas, cuidar de filhos e trabalhar. Me dei conta que na minha carreira quando eu estava num momento do auge, com muito destaque, exposição, eu resolvia me retirar, sair de cena, com desculpas muito plausíveis. Como a primeira vez que me retirei de cena para criar cavalo, só que, quando eu comecei a meditar e refletir, eu me dei conta que eram apenas desculpas, eu poderia ter criado cavalo e feitos todas as outras coisas, e continuar honrando meu espaço, meu trabalho e chances da vida.

Você foi símbolo de beleza em Ana Raio e Zé Trovão, e hoje, aos 51 anos está muito bem. Como lida com o passar dos anos?

Eu acho tambem que eu estou muito bem, porque eu sou uma cinquentenária. Então, quando eu fiz 50 anos, eu falei, caraca, é um número que pesa. Mas tem muita coisa de genética aí. Eu gosto de me movimentar, de fazer ginástica, mas não sou uma pessoa que vai para a academia todo o dia, vou duas vezes na semana, quando está maravilhoso, e quando eu tenho tempo. Então, não sou uma pessoa obcecada por boa forma, mas eu gosto de me mexer, eu tenho muita energia. E eu me alimento bem, eu não bebo, eu não fumo. Faço laser uma vez por ano, luz pulsada para produção de colágeno, acho que isso dá um super resultado. Mas não é muita coisa, mas tem uma coisa de energia, de bem estar também. Eu sinto que a energia, tem vezes que a pessoa passa uns dias comigo e eu conto a minha idade, e ela se assusta. Porque,, claro, eu já sinto no meu corpo um pouco de diferença, mas eu ando com turma, às vezes, de 20 anos. Eu saio com o meu filho, com os amigos dele, vamos jogar bola. Eu quero subir em árvore , quero correr, tem uma coisa de energia e eu acho que isso imprime mais.

Agradecimentos: Make: Walter Lobato; e Stylist: Humberto Correia  



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