Guta Stresser diz ter que dar conta de não deixar Bebel "baixar"

Após 14 anos em A Grande Família, ela se destaca como a Rosália de Malhação


  • 12 de maio de 2018
Foto: Globo/Raquel Cunha


Por Luciana Marques

Indagada se já virou a página de A Grande Família, seriado no qual viveu a personagem Bebel por 14 anos, Guta Stresser é franca: “Não! Sinto muita saudade! Foi uma fase bastante muito feliz da minha vida”, admite ela, que soma 30 anos de carreira, iniciada no teatro. Mas como grande atriz que é, ela vem se destacando num papel bem diferente, o da doméstica Rosália, em Malhação: Vidas Brasileiras.

E as novidades não param por aí. Após uma reeducação alimentar, Guta, de 45 anos, perdeu 20kg, também parou de fumar, e hoje leva uma vida mais em “equilíbrio”. Sobre o seu grande sonho de ser mãe – ela é casada com o músico André Paixão – , diz que ainda pensa, mas confessa que todo o processo de um tratamento é bastante exaustivo. E, por enquanto, está feliz com a sua filhota da ficção, Maria Alice, vivia pela atriz Alice Milagres.

Rosália (Guta Stresser). Foto: Globo/Raquel Cunha

Você diria que a Rosália é uma heroína?

Eu acho! Quando comecei a criar o personagem, eu fico olhando essas mulheres... Há pouco tempo mesmo, com as chuvas, a moça que trabalha lá em casa, a Claudia, em quem me inspirei muito também, viu sua casa ser inundada. É uma mulher batalhadora, mãe de família, trabalha o dia inteiro na casa de alguém e, de repente, sofre com os alagamentos... A Rosália é daquele tipo que mora na casa da patroa. Mas essas mulheres que trabalham o dia inteiro na casa dos patrões e voltam para casa e aí vão fazer jantar para as famílias, como a Claudia... E o pouquinho que tem perde com uma chuvarada. Mas no dia seguinte está lá, trabalhando, com sorrisão no rosto... Aí você fala: 'Nossa! é uma heroína!'

Depois de encarnar esse papel, mudou a sua visão dessas profissionais?

Acho que sim! Sempre respeitei muito a classe. Limpar a casa do outro, arrumar a cama, fazer comida, passar a roupa, e não faltar dignidade. Nunca quis que a Rosália fosse diferente, e é uma coisa da direção também. A gente quer justamente empoderar essa mulher, essa classe, dar respeito, e não colocar naquele lugar da pobrezinha, da coitadinha. E, sim, de uma mulher profissional que trabalha, rala, dá duro.

Foto: Globo/Raquel Cunha

Como ela lida com as humilhações que a filha sofre, principalmente da Pérola (Rayssa Brattilieri)?

Ela fica dividida, quer que as duas sejam as melhores amigas do mundo, ela ama a Pérola, viu essa menina crescer. Por conta da situação financeira, a filha não morava com ela, mas com uma tia em outra cidade. Rosália é uma mãe solteira, então, quer tudo para filha de melhor e, ao mesmo tempo, ela morre de medo que as duas não se deêm bem, que a Alice sofra algum tipo de preconceito. Seja lá o quer for, naquela casa ou nessa cidade. Ela quer o melhor para a filha. Ela fica totalmente dividida. Mas acho que foi um divisor de águas na vida da Rosália a volta da Maria Alice para perto dela.

E a questão da maternidade, você já falou que quer muito um filho. Segue tentando?

Eu dei um tempo, é muito tratamento, o tratamento é brabo para a mulher, bastante sofrido. E quando não dá certo, é uma tristeza. Mas eu ainda penso. Penso em adotar e, nesse momento, estou podendo realizar essa maternidade aqui, sendo mãe dessa menina maravilhosa que é a Alice Milagres. Está sendo uma delícia trabalhar com ela, sempre fui muito fã da mãe dela (Gorete Milagres). Acho a Alice uma menina muito madura, está morando sozinha desde os 18 anos, batalha, rala pra caramba, corre atrás, estuda, faz faculdade. Então, me sinto babona, podia realmente ter uma filha da idade dela, e fico toda coruja vivendo isso agora aqui na ficção. E aí vamos ver na vida o que vai acontecer.

Maria Alice (Alice Milagres) e a mãe, Rosália (Guta Stresser). Foto: Globo/Raquel Cunha

Você está super em forma. Perdeu mesmo 20kg?

Foram 20. Mas eu já dei uma engordadinha porque eu parei de fumar. Foram dois anos de reeducação alimentar, muita malhação. Fiz muay thai, pratico yoga, às vezes, faço musculação, treino normal. Manter que é o mais difícil, eu dei uma super emagrecida, e agora recuperei um pouco de peso e acho que estou num momento bom.

O que é mais difícil para você na reeducação alimentar?

Doces, chocolate. Apesar que agora tem esses chocolates maravilhosos, tantos por cento de cacau, aí eu me permito. Mas sempre fui chocólatra, na verdade, é aquela história, o difícil é o equilíbrio, não é que você tirou o glúten da alimentação, que a pessoa nunca mais na vida vai comer um pedaço de pizza. Um dia você pode comer um pedaço de pizza, mas não todo dia. Então, se um dia eu peguei mais pesado, depois faz aquele detox, fica mais pianinho. No começo, fui mais radical, não tinha nenhum dia de pé na jaca, mas depois que atingi um objetivo, aí me liberei para um dia comer um doce maravilhoso, um dia comer pizza, outro sanduíche.

Você está se sentindo mais bonita?

Estou! A gente se sente mais leve, normal, porque chega uma hora que você fica se sentindo pesada, e tem uma coisa do caimento da roupa, bota uma roupa cai bem, veste bem, é muito bom.

A Grande Família já terminou há um tempo, mas ainda te chamam de Bebel?

Ainda. Eterna Bebel! Há um fã clube até hoje de A Grande Família, são ativos nas redes sociais, diariamente postam fotos dos personagens, e falam das saudades que sentem, e de episódios.

Agostinho (Pedro Cardoso) e Bebel (Guta Stresser), em A Grande Família. Foto: Globo/Mathues Cabral

Você sente saudades ou já virou a página?

Não! Sinto muita saudade! Foi uma fase muito feliz da minha vida, sinto saudades dos colegas, daquela convivência diária, são pessoas que quando a gente se encontra é motivo de muita festa. O Lucinho Mauro, a Marieta Severo, o Marco Nanini. Enfim, todos eles. Ficou uma família mesmo. Lógico que cada um seguiu o seu caminho, mas quando a gente se vê, é motivo de muita comemoração.

Então, Bebel tem um cantinho bem especial no seu coração?

Totalmente! Devo muito a ela, é um personagem que fico lutando para ela não vir de novo. Tudo o que eu faço, tem aquela preocupação de não ficar parecida com a Bebel. A Rosália, por exemplo, é totalmente diferente, não tem nada a ver. É um outro universo, e acho que estou dando conta de não deixar a Bebel 'baixar'. (risos).

Como avalia a sua trajetória, tudo aconteceu da forma que tinha que ser?

Foi difícil quando acabou A Grande Família. Mas nenhuma mágoa, simplesmente foi difícil após 14 anos naquela coisa tão certa e, de repente, você está ali no cinema, batalhando, fazendo um filme aqui, uma peça ali... Sempre fiz teatro, tentei fazer cinema, o que deu para fazer, porque era difícil. Mas agora tem um filme para ser lançado que é o Antes que eu me Esqueça, com o Zé de Abreu, Danton Mello, protagonista, Letícia Isnard. Estou super feliz com o resultado, minha personagem é a Joelma, uma prostituta, bem diferente da Bebel, da Rosália. Mas não há nenhuma mágoa, acho que as coisas que aconteceram no passado, ali em A Grande Família, as brigas, ficaram no passado. Hoje em dia a lembrança de tudo é muito boa, é só de amor. E acho que fiz boas escolhas, trabalhei com pessoas que eu amei trabalhar, Antônio Abujamra no teatro, grandes mestres. E tive muita sorte também!

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