Gratidão: Gianecchini e Ju Paes emocionam Marieta Severo em coletiva de Laços de Família

Eles lembram da total inexperiência na estreia, há 20 anos, e de como a atriz consagrada lhes estendeu a mão


  • 04 de setembro de 2020
Foto: Montagem


Por Luciana Marques

Hoje grandes estrelas do universo artístico, Reynaldo Gianecchini e Juliana Paes não esquecem de quem um dia lhes abraçou lá no início da carreira. Sem nenhuma  vergonha, eles admitem que não sabiam nada de televisão quando estrearam no clássico Laços de Família, de Manoel Carlos, em 2000. A trama volta ao ar no Vale a Pena Ver de Novo, nesta segunda-feira, dia 7. Gianecchini dá vida ao jovem Edu, num papel considerado grande, e Ju Paes interpreta a empregada Ritinha, que começou quase sem fala, mas teve um desfecho forte.

E nesta quinta-feira, 3, em coletiva online da trama organizada pela comunicação da Globo, Giane e Ju Paes demonstraram sua imensa gratidão à Marieta Severo. No folhetim, a consagrada atriz vive a socialite Alma, uma mulher forte, decidida e manipuladora. Ela é tia de Edu e patroa de Ritinha, com quem o marido, Danilo, vivido por Alexandre Borges, o traía. “Ela me ensinou sem saber. E eu tive tanta timidez de contar isso para ela depois. Obrigada, Marieta!”, disse Ju, sobre a cena em que Alma descobria Ritinha estava grávida de Danilo.

Gianecchini lembra que toda vez que encontra Marieta, ele fala desse sentimento de gratidão. “Eu já pedi perdão de tanto trabalho que eu dei pra ela”, contou ele, aos risos. A consagrada atriz se emocionou com as palavras dos colegas. “Acompanho todos os trabalhos de vocês, se tornaram dois grandes atores. E eu ter uma migalhinha disso aí me dá muito orgulho”, falou. Indagada se no início da carreira alguém foi tão generoso com ela, Marieta lembra de Yoná Magalhães, quando estava estreando na TV em O Sheik de Agadir, em 1966, na Globo. A atriz também contou que teve o apoio e se apoiou em Leila Diniz, que assim como ela, era iniciante.

Também participaram do papo online, Alexandre Borges, Zé Victor Castiel, que fez o Viriato, e Soraya Ravenle, a Yvete.

PRINCIPAIS LEMBRANÇAS DO TRABALHO

MARIETA SEVERO

“Lembro de momentos da ficção, claro, mas o que eu lembro mais é da realidade, é da gente. Eu lembro do Giane começando, da Ju começando, era um clima de trabalho muito gostoso, a gente se divertia muito em volta daquela mesa de jantar com o Alê, a Ju servindo, toda enrolada. Lembro muito do nosso convívio, eles começando... A primeira cena que eu fiz com Giane, ele tinha que falar um nome enorme...”

Foto: Globo/Fábio Rocha

REYNALDO GIANECCHINI

“Era meu nome, um nome gigante, com dez sobrenomes, e eu não conseguia falar”.

JULIANA PAES

“É engraçado o que a Marieta falou, me marcou muito. Eu lembro de na primeira semana ter chegado para a minha família falando, gente, eles se divertem muito, parece que não é trabalho. Claro, Marieta e o Alê Borges já vinham com aquele texto todo sabido, todos estavam seguros, sabiam o que fazer. E eu lembro que tinha muita risada. E também muitas cenas de comida, o que pra mim era terrível, eu não sabia nada, não sabia me posicionar pra luz. Eu ia servir com uma bandeja e gritavam, tá fazendo sombra pra Marieta. Eu via todos se divertindo, mas para mim era muito penoso, levei muita bronca.”

REYNALDO GIANECCHINI

“O que mais fica pra mim era o dia a dia. Eu tenho sensações dos bastidores, das externa no Joá. Eu lembro a primeira vez que eu encontrei a Marieta numa sala de produção e eu falei para ela o quanto pra mim era um prazer trabalhar com ela, eu a admiro muito até hoje. Eu lembro que eu tive que externar isso pra ela. Assim como eu lembra da Vera (Fischer) e da Carol (Dieckmann), a primeira vez que eu fiz o teste. Lembro da Ju Paes, a gente sentado na casa, tinha a cena em que a empregada servia, eu me sentia muito pequeno naquela movimentação toda. Era um misto de muito prazer de estar lá e um sufoco, porque foi muito difícil, eu não tinha experiência nenhuma, então era muito contraditório. Mas relações eram muito gostosas, pra mim foi o que mais ficou.”

ALEXANDRE BORGES

“A emoção do nosso núcleo sempre foi ter Marieta como o centro, o pilar. Ela estava antes muito ligada ao cinema e ao teatro, e este momento ela estava voltando para uma novela. Eu lembro que o mais importante pra mim, das minhas lembranças era firmar esse amor do Danilo com a Alma. A parte da Ritinha foi se desenvolvendo aos poucos. O mais importante era fazer esse casal forte.”

MARIETA SEVERO

“O Danilo era um cafajeste, mas amava a Alma...”

ALEXANDRE BORGES

“Era um momento especial, eu a recém tinha sido pai do Miguel. E fazer uma novela do grande Manoel Carlos, vendo o Giane chegando, galã maravilhoso, a Ju, aquela beleza incrível, a pureza, de estar começando. Então foi emocionante para todo o mundo.”

INSEGURANÇA DE INICIANTE

MARIETA SEVERO

“A gente não só erra, como também fica em pânico. Agora todos vocês têm já muito tempo de carreira e sabem disso. A gente está em pânico, mas a gente aprende a trabalhar. Mas o pânico é constante, não passa, essa insegurança, isso faz parte. Eu estou aí há 55 anos, mas a gente aprende a poder brincar, acima de uma insegurança, de um medo.”

Foto: Globo/João Miguel Júnior

JULIANA PAES

“A gente aprende a ficar criativo no caos. Tem dia que parece que vai engolir a gente. Mas eu tô muito feliz de a gente poder, 20 anos depois, estar falando dessa novela. E eu queria fazer um agradecimento especial a Marieta. Ela tem um papel fundamental na minha carreira e talvez ela não saiba. Eu não tive uma formação profissional, não tive chance, eu fui uma cria da casa que aprendeu fazendo, tomando bronca. Então cheguei na novela muito crua. É claro que nessa novela vão ter cenas que eu vou ficar muito constrangida de assistir. O que talvez eu tinha era o que se quer do personagem, a pureza, às vezes, o phisyque do personagem é mais forte do que você precisa de maturidade artística. Eu acho que eu tinha esse physique, muito mais do que talento aprimorado. Hoje em dia eu tenho muita consciência disso. Eu lembro de, na época, não saber me posicionar. Eu cheguei a dormir antes de entregar uma bandeja na sala, porque era uma cena enorme. Eu só tinha que falar sim, senhora. Eu cochilei, tadinha, eu tinha 20 anos. Na cena em que a Alma descobre que Rita está grávida e ela vai me dar um sacode, estava escrito: ‘Rita chora muito’. Eu disse, eu não sei fazer isso. Eu fiquei três noites sem dormir, em que eu vou pensar, na morte da minha avó, na briga com o namorado, o que eu vou encaixar nisso.... E quando a Marieta veio com esses olhos, que me segurou de verdade pelos braços, de um jeito tão genuíno, eu senti a emoção brotar de verdade. Eu não precisei pensar em pai, avô, cachorro, nada. Eu entendi, é isso. Tem que sentir, e foi o olhar, a força dela que me deu isso. Ela me ensinou sem saber. Então eu tenho muita gratidão por esse momento.

Foto: Globo/João Miguel Júnior

REYNALDO GIANECCHINI

“Eu faço das palavras da Ju as minhas. E eu já pedi perdão de tanto trabalho que eu dei pra Marieta. Eu, realmente, sem saber nada, eu estava muito nervoso, eu tinha muita cena, aquilo era um turbilhão. Pra mim era muito louco estar naquele set, claro que eu não estava tranquilo. E quem sofria era a Marieta. Várias vezes eu pedi desculpa e vou pedir eternamente. Em Verdades Secretas, eu disse, espero me redimir. Você foi fundamental para eu entender tanta coisa, me ajudou como profissional e foi muito generosa como pessoa. Me senti muito acolhido.”

MARIETA SEVERO

“Fiquei profundíssimamente emocionada com o que vocês falaram. E o que eu sentia ali é que eram dois atores talentosos que vinham para estar na profissão de uma maneira respeitosa, séria, que vinham para ficar. E eu quero dizer para os dois que eu acompanho tudo o que vocês fazem, acompanho meio como mãe. E eu tenho um enorme orgulho, mesmo, de cada trabalho, de vocês crescendo, conquistando, o que vocês passaram a ser, dois grandes atores.”

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