Giullia Buscacio, a Isabel: “Muito feliz com a trajetória que venho tendo na carreira”

Atriz fala do desafio de viver a jovem à frente do seu tempo, filha de Lola e Júlio, em Éramos Seis


16 de novembro de 2019

Foto: Sergio Baia

*Entrevista disponível em vídeo, abaixo.

Desde 2016, quando se destacou como a romântica Olívia, em Velho Chico, Giullia Buscacio vem emendando trabalhos importantes na Globo. Em 2017, ela fez a Jacira, de Novo Mundo, em 2018, a Elisa, em O Sétimo Guardião. Seu mais novo desafio é dar vida à Isabel, a caçula de Lola (Gloria Pires) e Júlio (Antonio Calloni), em Éramos Seis. “Muito feliz com esta trajetória que eu venho tendo. Cada um desses personagens tem um espaço no meu coração”, diz.

E deste a estreia da segunda fase, ela tem feito bonito na pele dessa jovem divertida, determinada e à frente do seu tempo, já que a trama se passa em 1930. “Ela é uma menina independente, sabe ocupar o espaço dela. Ela sabe dizer as coisas certas na hora certa, eu fico impressionada com ela, inclusive”, conta Giullia. A atriz ainda fala como é a relação com os seus “irmãos” da ficção, Nicolas Prattes, André Luiz Frambach e Danilo Mesquita.

Isabel é uma mulher à frente de seu tempo? Sim, ela é. A nossa fase da novela fala muito sobre o que os jovens daquele período querem para o futuro. A Isabel tem muito isso: ela está plantando um futuro diferente para as mulheres ao seu redor. Ela busca uma coisa nova. Nessa novela temos mulheres muito fortes, apesar de ser uma novela de época, são mulheres muito fortes e empoderadas.

Isabel (Giullia Buscacio). Foto: Globo/Raquel Cunha

Assim como a Isabel, você se considera uma dessas mulheres fortes, empoderadas? Eu me considero uma dessas mulheres, até por ter vindo de uma família de muitas mulheres, a minha mãe, a minha irmã... Eu acho que eu aprendo muito com elas, assim como a Isabel deve ter aprendido muito com a Lola, porque a Lola é uma mulher forte.

Há mais identificações entre você e a Isabel? Acho que a questão familiar, esse carinho que ela tem com a família eu me identifico. Mas ela é muito diferente de mim. Pra mim, é até uma novidade fazer uma personagem que cresceu no meio de três meninos. Na minha casa, somos mais mulheres do que homens, somo três mulheres. Então, a gente se pergunta: como é pra Isabel ser essa figura feminina tão ‘potente’ no meio de tantos homens? Sobretudo naquela época, em que a questão da masculinidade era presente de uma forma não tão bacana. Bem diferente de hoje, quando temos lutado cada vez mais pela igualdade de gênero.

Como tem sido a troca com os seus irmãos da ficção? Está sendo incrível, eu ganhei amigos, irmãos, está sendo muito divertido. A gente está se dando superbem.

E que tal ser “filha” de Gloria Pires e Antonio Calloni? É uma responsabilidade (risos). E está sendo muito gostoso, é muito bom poder estar trocando com eles. É muito bom estar com pessoas que eu cresci admirando, e estar em cena com eles, estar trabalhando e aprendendo, está sendo incrível.

Foto: Sergio Baia

E o coração da Isabel, ela vai se apaixonar, conta pra gente... Vem romances por aí... Não sabemos ainda qual será o romance, mas teremos.  Também não sei qual vai ser a reação desses irmãos a um namoro dela, porque é a única menina da família. Não sei se vão levar numa boa ou não...

Éramos Seis é uma novela que está há muito tempo dentro do coração do brasileiro. Como você lida com a responsabilidade de recontar essa história tão icônica? 
Me fizeram uma pergunta parecida nos últimos dias… E eu confesso que só depois dessa pergunta é que comecei a sentir isso (risos). Confesso que antes não pensava tanto. Eu acho que sempre é uma responsabilidade, porque você está dando vida a algo que alguém escreveu, idealizou. Tem uma responsabilidade muito grande por isso. Acho que a responsabilidade não muda tanto assim pra mim. Eu coloco o mesmo peso. Mas, realmente, parando pra pensar… Tem uma ‘passagem de bola’, né? Essa personagem já foi de alguém. Então, sim, existe essa coisa de querer honrar esse personagem, até em respeito aos atores que já o fizeram antes.

Você chegou a assistir algo das outras versões? Eu cheguei a ver, mas não muita coisa não. Achei importante, até para ter uma noção da imagem que o público tem dessa novela, embora estejamos fazendo uma coisa nova. Cada vez que essa novela voltar a ser feita, será uma coisa nova. Porque são novas pessoas, uma nova época, um novo todo.

Você comentou que chegou a conversar com atores das versões anteriores. Como foi essa troca de figurinhas? Eu estava em O Sétimo Guardião com o Marcos Caruso, que fez um dos personagens da última Éramos Seis (1994). Ele falou da novela com um carinho tão grande… No meu último dia de gravação, rolou quase uma passagem de bastão. Inclusive, na minha última cena na novela, ele me deu um beijinho e falou: ‘esse beijinho aqui é lá pro Éramos Seis. Pra você ir com muita sorte e que dê tudo certo!’ Rolaram também workshops atores como o Othon Bastos, Osmar Prado e Nicette Bruno, que já fizeram outras versões.

Isabel (Giullia Buscacio), Carlos (Danilo Mesquita), Julinho (André Luiz Frambach) e Alfredo (Nicolas Prattes); à frente, Júlio (Antonio Calloni) e Lola (Gloria Pires). Foto: Globo/Raquel Cunha

Você acredita que o mundo mudou muito da época da Isabel para a atual? Mesmo com essa diferença cronológica tão grande, você vê que muitas coisas ainda são parecidas. Muita coisa que a Isabel vai viver tem a ver com o que a gente ainda está vivendo. Infelizmente.

Você se inspirou em alguém para compor sua personagem? Na verdade, o que tem me movido mais na Isabel é essa relação dela com o seu entorno. Porque é uma história muito familiar. Então esse lado é o que tem me norteado. Entender como essa figura feminina se desenvolve dentro desse ambiente.

 

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