Giulia Bertolli, a Meg: “O conselho da minha mãe é: dedique-se”

Formada em Artes Cênicas e Letras, filha de Lilia Cabral estreia em Malhação


  • 27 de abril de 2019
Foto: Globo/João Cotta


Por Luciana Marques

*Entrevista também disponível no vídeo abaixo.

Em sua estreia nas novelas em Malhação: Vidas Brasileiras – antes ela fez uma participação em O Sétimo Guardião -, Giulia Bertolli sabe das possíveis cobranças por ser filha de uma das maiores atrizes do país, Lilia Cabral. Mas já nos primeiros capítulos da trama dá para perceber que a sua base do teatro, no qual começou aos 13 anos, foi essencial para este momento. Tanto que ela vem fazendo bonito na pele da gente boa e sincerona Meg. “É dia após um dia, uma profissão de grandes alegrias, mas de muita responsabilidade”, ressalta.

O fato de ser filha de estrela global parece também não “afetar” Giulia, de 22 anos. Ela até poderia ser marrentinha, arrogante, mas pelo contrário, ao conversar com ela percebe-se ali uma jovem simples, acessível, de uma simpatia e com aquele brilho no olhar de estar agarrando uma grande oportunidade. Claro que isso tem muito a ver também com a sua estrutura familiar. Tanto que ao ser indagada sobre o conselho da mãe sobre a profissão, Giulia, que é formada em Artes Cênicas e Letras, tem a resposta na ponta da língua. “Dedique-se”, conta ela, que está em cartaz com E Se Mudássemos de Assunto?, até 1º de maio, às terças e quartas, na Casa de Cultura Laura Alvim, no Rio.

Meg (Giulia Bertolli). Foto: Globo/Estevam Avellar

O que mais chama a atenção na personagem Meg?

A forma que ela lida com a vida. Ela é uma pessoa que esquenta muito rápido, esfria muito rápido, e que corre muito atrás do que ela quer e não aceita muito não como resposta. Então acho que é isso, viver dessa forma, de uma forma tão verdadeira consigo mesma, tão cheia de vontades. Eu acho que isso é o que mais tem me instigado e me deixado com mais vontade ainda de fazer ela bem.

 

 

Há algo em que você se identifica com a personagem?

O que eu mais me identifico com a Meg é na questão de como ela lida com os amigos, que ela transforma tudo numa família, de realmente cuidar, manter aquelas amizades, aquele carinho.

Ela vai ter alguns envolvimentos na trama, né?

Ih, a Meg é cheia de casos amorosos. Tem o relacionamento com o Guga (Pedro Alves), que é um namoro, não é um namoro, o público vai ter que assistir para entender direito como vai ser isso. Também tem o Beto (John Buckley), que é um amigo, não é um amigo... Então ela é cheia de casos amorosos, conflitos. Mas é uma vida movimentada em termos de amor.

Na trama a personagem se relacionava com um menino, que acaba a relação por gostar de outro jovem. Você conversou com meninas que viveram essa mesma questão?

Eu conversei com uns amigos, vi muitas referências em filmes e séries. Na própria preparação para a novela a gente teve algumas palestras, a gente leu sobre muita coisa.

Como você reagiria em uma situação assim?

Eu nem sei. Acho que se fosse uma pessoa que eu gostasse muito e se a decisão dela estivesse realmente fazendo ela feliz, por mais que doesse no início, eu acho que iria apoiar. Porque no final das contas, pelo menos com o Guga a Meg, eles têm uma relação muito bonita, porque primeiro foram amigos e depois começaram a namorar. Então eu não deixaria esvair uma história tão bonita assim.

Giulia entre os pais, Lilia Cabral e Iwan Figueiredo. Foto: Reprodução Instagram

Você estreou na TV com uma participação em O Sétimo Guardião, mas efetivamente a sua estreia com um papel maior é agora em Malhação. Como é estrear num produto tão visto e que já lançou tantos atores?

Nossa, é de uma importância muito grande, porque Malhação eu via quando eu era mais nova, quando chegava da escola, eu amava. Acho que foi a primeira novela de fato que eu acompanhei. E estar anos depois num produto que me fez sonhar tanto quando eu era criança, sonhar com tantos começos, e está sendo um começo. Eu já tive um começo em O Sétimo Guardião, mas agora é uma outra fase. Então é um sonho, no melhor sentido da palavra.

E como foi essa participação em O Sétimo Guardião, deve ter sido algo muito afetivo e especial pra você, não é?

Nossa, foi incrível. Foi família, primeiro porque eu estava fazendo a personagem da minha mãe (Valentina) na fase jovem, e segundo porque eu estava com pessoas que me acompanham desde pequenininha, me viram crescer. Porque a minha mãe me leva muito nas novelas desde que eu era criança, então foi um início da melhor maneira que eu podia imaginar. Eu sou realmente muito grata a todos que me proporcionaram estar lá. O Papinha (diretor artístico), Aguinaldo (Silva – Autor), o Allan, a Lu, o Davi, a todos os diretores, todo o mundo que de alguma foram fizeram isso acontecer.

Eu já li entrevistas suas, da sua mãe, e sei que você batalha há um tempo no teatro. Fala um pouco disso, porque não é uma carreira fácil, certo?

Nossa, não é fácil! Eu comecei no teatro desde nova e até então nunca parei. E eu acho que os meus pais sempre me ensinaram que a educação é muito importante. Então eu sempre soube que queria ser atriz, mas eu também precisava, digamos, me educar para isso. Aí eu fiz faculdade de artes cênicas e de letras também, porque eu gosto muito de escrever. Eu acho que uma coisa ia ajudando na outra. E é isso, é dia após dia, é uma profissão que tem muitas alegrias, mas ao mesmo tempo tem muitas responsabilidades. São vidas que a gente defende, cada um aqui tem uma vidinha inteira para sí, realmente é uma responsabilidade. Mas graças a Deus é feita com muito amor e, por enquanto, só tem me proporcionado alegrias.

Qual o conselho que a sua mãe lhe deu em relação à carreira que você nunca vai esquecer?

Dedique-se. Estude, faça sempre o seu melhor, porque aí o resultado vem. Sou muito agradecida por ter a mãe que eu tenho, de ter ela do meu lado. Ela sempre me dá grandes conselhos, eu sempre falo que acho que ela foi a minha maior faculdade. Tudo o que eu aprendi ao longo da vida conversando com ela foram anos de ensinamentos que talvez eu não teria aprendido se não fosse filha dela.

 

 

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