Flávio Tolezani sobre os anos 90: “As coisas tinham o seu tempo”

Após o pedófilo Vinícius, ator viverá o gente boa Raimundo na nova trama das 7


  • 27 de janeiro de 2019
Foto: Isabella Pinheiro/GShow


Por Luciana Marques

Impossível não ligar o nome de Flávio Tolezani até hoje ao delegado pedófilo Vinícius, de O Outro Lado do Paraíso, trabalho pelo o qual foi bastante elogiado. Mas a partir desta terça-feira, 29 de janeiro, o público verá o ator num papel completamente diferente em Verão 90.

Ele será Raimundo, dono do restaurante de comida nordestina em Ipanema, Rio, Baião de Dois. “Ele é completamente do bem, tem uma empatia enorme pelas pessoas”, conta. Na trama das 7, apesar da origem humilde, Raimundo é hoje um bem-sucedido empresário e é apaixonado por Janaína (Dira Paes).

Na entrevista, Tolezani, ator respeitado no teatro com cerca de 20 espetáculos no currículo, fala também com saudades dos anos 90. “As coisas tinham o seu tempo, mas hoje tudo se atropela”, avalia ele, que é pai de Ana Clara, de 14 anos.

Janaína (Dira Paes) e Raimundo (Flávio Tolezani). Foto: Globo/João Cotta

Como é a proximidade do Raimundo com a Janaína (Dira Paes)?

A Janaína é essa personagem que também é muito sedutora, no sentido de que ela é conquistadora. Porque ela está no mesmo plano do Raimundo. São pessoas completamente do bem, que tem uma empatia enorme, se identificam com as pessoas e como a Janaína é com os filhos e com a família, o Raimundo é com todo mundo que está ao seu redor. Então eles são muito próximos nesse sentido.

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O que você acha que o Raimundo faria para conquistar a Janaína?

A única coisa que o Raimundo poderia fazer, que é o jeito que eu o vejo, pelo menos até agora, é ser ele mesmo. É o que ele faz, ele só demonstra o tempo todo o quanto ele se importa com os outros e isso faz bem para ele. É um cara que não é nem um pouco invasivo, ele convive com ela e ajuda. Ele é dono de um restaurante e as pessoas transitam por lá, assim como a Janaína.

Você se acha parecido com ele?

Em alguns aspectos ele acaba tendo um pouco de mim. Eu acho que esse cuidado com os outros, a preocupação constante.

Como é para você até hoje a repercussão do personagem Vinícius em O Outro Lado do Paraíso, as pessoas ainda comentam?

O retorno foi muito positivo. A princípio, existia a preocupação que não fosse. As pessoas separam o que é o personagem e o que é a pessoa, e aí vem com muito carinho elogiar o trabalho. Foi tudo lindo, não faço nenhum esforço para tirar a imagem do Vinícius, não me preocupei com isso. Mas vejo com um olhar muito positivo.

Você tinha preocupação na época com a sua filha, né?

Sim, porque pensava o que poderia chegar até ela referente ao personagem. E como é que as pessoas veriam isso, mas foi tudo ótimo.

Vinícius (Flávio Tolezani). Foto: Globo/Raquel Cunha

Verão 90 se passa nos saudosos anos 1990. O que mais marcou na sua vida nessa época?

Tem muita coisa que eu poderia falar, mas tem uma que vem na cabeça e que eu não sei se é por causa da novela, mas a parte musical é muito presente. A minha adolescência, a parte de identificação musical. Então cada música que toca na novela, eu lembro da época. Ainda tem a TV que passava os clipes, nessa época para mim toda música tinha uma identidade visual, hoje em dia não sei se é muito assim.

Você sente falta de algumas coisas daquela época?

A gente sempre fica nessa coisa um pouco nostálgica, não posso falar que era melhor, mas tinha esse lado bom. Era gostoso você não poder encontrar a pessoa em tal horário e esperar ela chegar. As coisas tinham o seu tempo, hoje tudo se atropela. Eu sinto falta e lamento um pouco a minha filha não ter isso hoje, nunca ter tido essa vivência das coisas terem seu próprio tempo e ter que respeitar.



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