Fausto Silva e o desafio da TV aberta: “Criatividade e ousadia”

Há 29 anos à frente do Domingão, ele diz que não pensa em aposentaria


  • 16 de dezembro de 2018
Foto: Globo/Victor Pollak


Por Redação

Referência como apresentador de TV, um dos mais queridos pelo público e também o mais requisitado da publicidade, Fausto Silva dispensa apresentações. Também pudera! São 54 anos de carreira, e 29 à frente do emblemático Domingão do Faustão, da TV Globo. “Aqui é renovação constante e insatisfação permanente”, ensina ele.

Inteligente, culto, perspicaz, com suas tiradas inteligentes, falas – às vezes, até longas demais -, mas sempre com respeito aos convidados e a seu público, ele diz que a TV aberta tem que ousar para poder concorrer com a internet e as plataformas de streamings. “Todo mundo acha que não vai dar certo e não faz. Falta tentar fazer as coisas”, diz.

Na entrevista, Fausto, que é pai de João Guilherme, de 14 anos, e Rodrigo, de 10, do casamento com Luciana Cardoso, e de Lara, de 20, da relação anterior com Magda Colares, falou ainda se pensa em aposentadoria. Quer saber? Leia a entrevista!

Ano que vem o Domingão do Faustão completa 30 anos no ar. Qual o balanço você faz disso tudo?

O balanço é que a gente nem acredita (de estar tanto tempo no ar), mas vamos ver se conseguimos mais uns dois ou três anos, esticar um pouco, pagar as contas e não perder o pique.

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Como é manter-se um apresentador de credibilidade perante o público e líder de audiência há quase 30 anos?

Você só tem credibilidade quando vai para um caminho em que acredita. Quando você pensa em audiência a qualquer custo – e muita gente faz isso – primeiro, você só tem alguma audiência no começo, que é o chamado efeito doce de leite, você come muito depois enjoa, e depois, tem outro problema. O anunciante de bom nível não vai entrar em um programa que não tenha bom nível. Para ele é muito ruim colocar a publicidade de sua empresa em um programa de baixo nível. Ainda que às vezes a gente dê umas derrapadas, porque ninguém é perfeito, você tem que ter consciência disso, e manter certa coerência porque tem que ser uma programação de bom gosto. E sempre estar insatisfeito. Qualquer pessoa em qualquer profissão, quando você tiver a oportunidade de fazer outras áreas, outras editorias, faça porque vale a pena. Sempre se aprende alguma coisa. E aqui no Domingão também, sempre a gente aprende alguma coisa, afinal o programa é ao vivo.

Já pensa em se aposentar?

Não. Até porque não posso. Com filho pequeno e pilha de carnê para pagar não tem como. A gente tem que correr.

Você consegue enxergar algum sucessor seu na TV?

Tem um monte de gente aí...

Foto: Globo/Victor Pollak

Na sua opiniao qual seria hoje o maior desafio da TV aberta?

O desafio é continuar a fazer o que está fazendo como nos Estados Unidos, em que a TV aberta está cada vez com mais audiência, mais conteúdo ao vivo, seja esporte, programa popular ou jornalismo. Qualquer que seja a profissão, se você não tiver criatividade e ousadia, acaba nem se testando para saber se vai dar certo ou não.

Você apoiaria se um filho seu decidisse seguir essa carreira, acha que algum deles pode ir por esse caminho da comunicação?

Não sei. Se tiver vontade, juízo e realmente quiser… Não vou ficar com essa coisa de impor só porque é filho, porque aí é pior. Se o cara não tiver muita consciência acaba se expondo demais aí vai ver como é a cobrança.

O Melhores do Ano - Troféu Domingão é um grande sucesso. E houve momentos de grande emoção na semana passada. Qual o balanço você faz deste prêmio?

O legal do prêmio é a mistura de estilos, idades, gerações. E mostrar para todo mundo essa confraternização sincera. Não é aquela coisa para o público curtir, uma coisa fake. O brasileiro já está cheio de coisa falsa, mas aqui é de verdade. Eu percebo isso, até porque se fosse o contrário eu seria o primeiro a bagunçar. Quando você percebe isso, da Fernanda Montenegro até a mais jovem, todos já têm noção que é importante respeitar seu colega. Você percebe que o cara é decente quando concorre com você na mesma situação, e ele é leal. Quando o cara está acima, é chefe, puxam o saco dele, quando está embaixo, puxa o teu saco para subir, quando está no mesmo nível teu e seu concorrente te respeita, você vê que a pessoa tem caráter. Pode concorrer, disputar até um papel no caso de ator, ou um cargo no caso de jornalista, mas precisa ser decente.

Com Patrícia Pillar no Melhores do Ano. Foto: Globo/Victor Pollak

O que vem de novidade para o ano que vem?

O programa é que nem supermercado, é para todas as idades, todas as classes, todos os sexos então temos que ter atrações para todo mundo. É difícil, porque não é um programa específico e segmentado. Esse é o maior desafio. Estamos sempre tentando trazer novidades e nem adianta anunciar antes, porque nem sabemos se vai dar certo ou não. O que a gente vai mostrar nessa história de 30 anos é que a primeira competição de comida foi aqui, várias coisas que a gente já fez há 30 anos, a história acaba se repetindo. Tem muita emoção, muita história para contar, mas principalmente esses quadros que são vitoriosos (Dança dos Famosos e Show dos Famosos).

O que você espera para de 2019?

Como todo brasileiro, pagar as contas, os boletos, ter otimismo, e encarar 2019. A vida é assim! A gente aprende, seja motorista de táxi, dona de casa, o político demora mais porque é mais burro para aprender, mas o negócio é simples. Não esquentar muito a cabeça, senão a gente só fica pensando nisso, temos que tocar a vida.



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