Eduardo Sterblitch: “Adoro provocar esse público mais careta”

Humorista fala ainda da série Shippados, em que forma casal com Tatá Werneck


  • 18 de dezembro de 2018
Foto: Globo/Victor Pollak


Por Redação

Há dois anos na Globo, primeiro com contrato por obra para o PopStar, Amor & Sexo  e Tá no Ar, Eduardo Sterblitch vem conquistando cada vez mais espaço na casa com seu talento e versatilidade. Após oito anos de sucesso no Pânico com personagens como César Polvilho, Prateado e O Poderoso, ele assinou agora com a emissora carioca para a série Shippados, do Globoplay. “Minha vontade é sempre estar um passo à frente do público, para ele querer me ver e gostar”, diz.

O humorista conta ainda ter adorado participar da temporada atual do Amor & Sexo, um programa que, segundo ele, quebra tabus. “Sempre quero estar num lugar de provocar principalmente o público careta, tanto para o bem quanto para o mal”, ressalta. Essa nova fase do comediante parece ter sido aprovada pelo telespectador, tanto que ele ganhou o Melhores do Ano – Troféu Domingão, na categoria Comédia – ele concorreu com Marcelo Adnet e Welder Rodrigues. “Acho que minha mãe teve participação real nisso, não é piada (risos). Ela votava muito!”, conta ele, que este atuou nos longas O Homem Perfeito e Chacrinha – Velho Guerreiro.

Na entrevista, Sterblitch dá alguns detalhes de Shippados, série protagonizada por ele e Tatá Werneck, em que vivem um casal, e com estreia em 2019.

Com o troféu Melhores do Ano, na categoria Comédia. Foto: Globo/Selmy Yassuda

Como é para você terminar ano com um prêmio tão disputado como o Melhores do Ano, do Domingão do Faustão?

Não faz sentido porque estava com dois gênios ali no palco. São pessoas, inclusive, pelas quais eu estive no Tá no Ar. O Marcelo Adnet, o Welder Rodrigues, o Marcius Melhem, a Dani Calabresa, eles que me deram essa oportunidade. Acredito que pessoas do calibre do Adnet e do Welder não precisam de prêmio porque já representam a qualidade. Num momento em que as pessoas estão falando tão mal de artistas, por uma questão de lei Rouanet, todo mundo que é artista virou alvo político. Então a gente se sente tão odiado, então receber um prêmio é muito legal.

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Você acha que esse prêmio veio muito também por causa do seu carisma?

Acho que veio por causa de São Jorge. Acho que foi meu ‘xangozão’ que me ajudou (risos). Claro que não vou desmerecer o público, porque o público é a engrenagem principal disso, mas não tenho dúvida que para ganhar de pessoas tão absurdas, um prêmio popular assim, só com um santo feliz.

Você acha que sua passagem no Amor & Sexo também ajudou nesta projeção na Globo?

Acredito que minha indicação foi um carinho da casa, uma moral da Globo para mim. Sinto isso, porque realmente não me sinto merecedor. Não posso questionar também o voto popular, mas fico agradecido porque estava me sentindo um pouco desestimulado. Eu trabalho para o público, e o público é cruel também, sei disso porque também faço parte do público. Existe o tempo das coisas, mas sou muito ansioso, e receber um prêmio assim é incrível. Acho que tem a ver com tudo, até com o Encontro com Fátima Bernardes, porque participo tanto que já sou quase funcionário de lá.

Com Tatá Werneck, na série Shippados. Foto: Reprodução Instagram

Esse ano muita gente pegou pesado com o Amor & Sexo, e você foi um dos que estavam lá participando…

Mas eu adoro! Eu trabalhei no Pânico também que era um programa que provocava o público, então sempre quero estar num lugar de provocar principalmente o público careta, que faz parte de uma sociedade arcaica (risos). Sempre vou provocar essa galera, tanto para o bem quanto para o mal. No Amor & Sexo é uma coisa mais didática, não é humor. O Pânico era um programa de humor que a gente sangrava a piada, por isso às vezes até machucava. O Amor & Sexo é um programa social, político. As pessoas aprendem a transar ou se percebem pensando nisso. Falamos de assuntos que são tabus, e acho importante existir um programa desse. Minha intenção é falar com o maior número de pessoas.

Fale um pouco da série Shippados, que você está gravando...

É escrita pela Fernanda Young e o Alexandre Machado, e no elenco temos Tatá Werneck, Luis Lobianco, Clarice Falcão, Rafael Queiroga, Julia Rabelo, e a direção é da Patrícia Pedrosa. Os criadores são muito maravilhosos, a série é muito legal. Lançamos na CCXP, e o público amou os trechos exibidos. Está muito divertido fazer, e quando você está feliz fazendo, dá confiança e o público gosta. Quando é o contrário, o público percebe na hora.

O ator como Abelardo Barbosa na fase jovem, no filme Chacrinha. Foto: Reprodução Instagram

Vai estrear no Globoplay, é isso?

É para o Globoplay. O futuro é a internet! É um caminho natural, mas é uma coisa homeopática porque muita gente ainda não tem acesso. É uma das primeiras séries produzidas direto para a Globoplay, teve Ilha de Ferro também. A Globoplay está investindo muito. Isso é legal porque gera mais trabalho para o artista brasileiro. Meu personagem é meio sociopata, um cara que não consegue se dar bem com outras pessoas direito, porque é muito genuíno. A personagem da Tatá também, e eles se encontram depois de uma noite frustrada de ambos e acabam resolvendo processar o aplicativo de encontros. O advogado sugere que eles fiquem juntos, e eles começam a tentar. A primeira cena que gravamos foi uma cena de sexo, e isso liberou a nossa intimidade.

Você deixou o Pânico e veio para a Globo. Precisou moldar o seu humor?

Eu moldo de acordo com o que eu sinto que o público quer. Não gosto de fazer a mesma coisa. Quando sinto que estou confortável em um lugar, me sinto mal. Minha vontade é sempre estar um passo à frente do público, para ele querer me ver e gostar. Estou sempre tentando surpreender de alguma forma para manter o interesse das pessoas com minha figura.



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