Dira Paes: “Janaína vai dar um basta no Jerônimo em breve”

Atriz avalia dor da personagem em não entender, nem “conhecer” o filho mais velho


  • 16 de fevereiro de 2019
Foto: Globo/César Alves


Por Luciana Marques

Desde o início de Verão 90, o público já percebia um certo desvio de caráter em Jerônimo ainda criança (Diogo Caruso). Agora adulto (Jesuíta Barbosa), as coisas só pioraram. E nesta próxima semana, o irmão de João (Rafael Vitti) e filho da cozinheira Janaína (Dira Paes) será capaz de um ato imperdoável: incriminar o próprio irmão pela morte da DJ Nicole (Bárbara França), sem que ele tenha nada a ver com isso.

Assim, João será detido e o pior, depois condenado a três anos de prisão. Quem mais irá sofrer com esta história toda é Janaína. E o Portal ArteBlitz bateu um papo com Dira Paes sobre a dor dessa mãe ao enfrentar todos esses conflitos. E ela ressalta que a grande decepção com este filho mais velho não será só pela questão do desvio de caráter, mas de afeto. “A Janaína vai dar um basta em algum momento no Jerônimo”, conta a atriz, que na vida real é mãe de Inácio, de 10 anos, e Martim, de 2 anos.

Janaína (Dira Paes). Foto: Globo/João Miguel Júnior

Como está sendo viver essa personagem tão guerreira?   

Digo que a Janaína é precursora dessa mulher contemporânea do século 21. Ela ficou viúva cedo, cuidou dos filhos, trabalhou muito para sustentar essas crianças, mas é mulher também. Ela reúne aquela equação da mãe, mulher e amiga. Ela vem também com a força da dignidade, é muito autêntica, fala o que pensa. 

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Você se vê nessa mulher?  

Eu me vejo em todas as mulheres. Mas acredito que o que eu posso emprestar para a Janaína é a mãe que sou, porque eu tenho dois filhos também e não quero que eles briguem igual os meus filhos na ficção. Eu fico sempre fazendo uma projeção de como deve ser duro ser mãe de dois filhos que não se entendem. Janaína tem uma fala que me comoveu muito, onde ela virou para o João e falou: ‘Como é que eu posso ajudar o Jerônimo? Como você ajuda alguém que você nem entende? Que você não conhece? Ele é tão diferente de mim’. É uma dificuldade, e acho que as mães vão se identificar. É a dificuldade de você amar alguém, mas não conseguir penetrar na alma dela desde criança. Como mãe a gente faz projetos tão lindos e maravilhosos para os filhos, e de repente você vê que tem um que não consegue dominar, compreender e nem aconselhar.

Na sua opinião, ela é do tipo que faria tudo por um filho, mesmo sabendo do desvio de caráter dele?

Eu acho que sim, porque a gente ama errado. O verdadeiro amor é eu te amo, mesmo eu achando você chato e intransigente. O amor é quase irracional nesse sentindo, e o amor de mãe é mais além. Por exemplo, quando a gente vai desmistificando os pais, quando a gente descobre que o nosso pai não é um herói, que a nossa mãe não é uma heroína, mesmo assim você ama. Agora a Janaína vai dar um basta em algum momento no Jerônimo. Mas esse basta não é uma questão do desvio do caráter, mas é do desvio do afeto. Porque o caráter parece que é mais racional e o afeto é emocional. Ela já tinha compreendido que tem um desvio de alguma coisa racionalmente, mas quando ele vai no afeto, ela não consegue, e aí começa uma outra etapa na novela.

João (Rafael Vitt), Janaína (Dira Paes) e Jerônimo (Jesuíta Barbosa). Foto: Globo/João Miguel Júnior

O que você acha que a trama traz de mais especial?  

Acho que a novela vem com uma força grande desse elenco jovem. Acredito que vai traduzir muito desses adultos que nós somos hoje. A novela tem também um charme, uma graça e uma elegância na própria moda dos anos 80 e 90, acho que vamos trazer elementos que vão ser surpreendentes para os jovens de hoje. É uma novela com muita emoção também, os encontros e desencontros dessa mãe com esse filho, com o amor que ela acha que tem, e o fato de ter que engolir a sogra do outro filho, a Lidiane (Claudia Raia). É uma personagem desafiadora, porque tem conexões com vários personagens. E acho que vou estar nessa pluralidade de emoção. É uma trama das 7, mas brinco falando que se a gente der uma intençãozinha a mais, vira das 9. Mas eu gosto muito dessa trama em relação ao Jerônimo, gosto também que o João não é um bobo. As autoras conseguiram uma coisa que é muito difícil, não deixar os heróis vivendo na inocência de estarem sendo enganados por pessoas espertas. O embate da Janaína é reconhecer que o filho tem um desvio de personalidade e ela não ser capaz de conseguir entrar no filho.

Janaína (Dira Paes) e Herculano (Humberto Martins). Foto: Reprodução Globo

A personagem tem um pouco de humor também naqueles duelos com Lidiane, né?   

Com certeza! É inevitável porque elas são muito diferentes. Vai ser um bom embate porque a personagem dela é maravilhosa. Agora a minha é mais essência. Acho que se a gente tivesse há 30 anos, elas sem dúvidas não seriam personagens que simpatizariam uma com a outra, aí tem uma trama também que se desenrola. O presente que ganhei do Jorginho de ter me escolhido para esse personagem me honra muito. Primeiro ver o Jesuíta debutar em uma novela, é um ator incrível, e a gente já esteve junto fora daqui em outros trabalhos. E ver também o desabrochar do Rafa Vitti, um jovem homem que tem 23 anos, muito lindo. E poder repetir essa parceria com a Claudia (Raia), porque eu a admiro muito. Eu falo que se ela não fosse atriz ela poderia ser médica, porque só falta dar uma receita e assinar. Ela é uma pessoa muito experiente e generosa, divide tudo. O Humberto (Martins), nós somos um casal que se olhou e ficou junto. Então a gente está descobrindo qual a nossa graça, mas acho legal quando a gente descobre algo além do beijo. Tem humor também e vai ter uma surpresa que em breve ela vai ter um segundo candidato (Raimundo - Flávio Tolezani).

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