Dira Paes: “Janaína passará a ver Raimundo não só como amigo”

Atriz ainda avalia coração dividido da chef entre filho dos sonhos e o do pesadelo


  • 16 de maio de 2019
Foto: Globo/João Cotta


Por Luciana Marques

Muitas mulheres têm se identificado com a força e a resiliência de Janaína Guerreiro, de Verão 90, interpretada brilhantemente por Dira Paes. Após se ver quase no fundo do poço, a personagem se reergueu e tornou-se uma chef de sucesso. “Ela tem esse jogo de cintura da mulher brasileira, que sempre dá um jeitinho, usando as suas habilidades”, diz a atriz.

Nesta reta final da trama, vem mais novidade por aí. Agora que Janaína vê o seu relacionamento com Herculano (Humberto Martins) terminar, por conta de uma armação de Jerônimo (Jesuíta Barbosa), a empresária começa a enxergar Raimundo (Flávio Tolezani) com um outro olhar. “Tem um dia que ela chega e fala: ‘Estou achando você diferente”, revela.

No bate-papo, realizado nos Estúdios Globo, Dira também opina se Jerônimo ainda pode surpreender a mãe e se regenerar.

Como você vê a trajetória da Janaína até aqui?

Eu acho que Janaína construiu um caminho com foco. E até o próprio desajuste que ela encontra com o filho Jerônimo fortaleceu, deu mais garra. Quase uma inversão de valores. Enquanto o Jerônimo luta de maneira escusa para conseguir o que quer, por outro lado, a Janaína dá o exemplo de que, sem passar ninguém para trás, ela conseguiu chegar aonde chegou. Então eu tenho muito orgulho desse lado da personagem.

 

 

Apesar de todas as armações que o Jerônimo já aprontou, você acha que a Janaína o protege?

Eu não usaria a palavra protege. Eu acho que ela tentou tirar o filho do coração, só que é impossível. Ela sempre acaba tendo a esperança de conseguir reverter isso. De certa maneira, eu acho que ela se sente na obrigação de tentar, de tirá-lo dessa vida no estelionato. Vemos que muita gente tem esse comportamento por prazer. E eu, Dira, começo a desconfiar, olhando a novela, que existe um certo prazer no Jerônimo em enganar, em se dar bem, em passar por cima das pessoas. Então eu acho que isso é a grande trama da Janaína por trás do personagem. É como encarar a vida com dois filhos tão diferentes. Tendo dado a mesma criação, o mesmo amor e você se encontrar numa situação onde seu coração está absolutamente dilacerado e dividido entre um filho que é dos sonhos e o filho que é o do pesadelo.

Você acha que o Jerônimo pode se regenerar?

Essa é a grande pergunta da novela, porque ele engana a Janaína. Ele, de certa maneira, a envolve novamente agora. Tem até um momento em que ela fala para ele: ‘eu vou descansar a minha cabeça no travesseiro porque eu sei que amanhã vou levantar e vou estar no lado de pessoas que me amam de verdade, não nessa solidão que você se encontra’. Então eu acho que esse caminho que ele escolheu é de muita solidão. E a solidão dói e vai matando aos poucos. Eu acho que mesmo o Jerônimo sendo essa pedra insensível em vários momentos, ele sente falta (de amor). Foi muito bonito ver a família, quase, cedendo de novo ao um amor que vem da raiz, de berço, em cena recente, quando ele foi espancado.

O que você mais ouve do público em relação a sua personagem?

As pessoas são muito carinhosas comigo. Falam que gostam muito da Janaína com seu jeito. Adoraram o doce de leite, teve uma repercussão incrível nas ruas. Eu achei muito bacana como o público se divertiu com um olhar tão particular com uma referência de um acontecimento do final da década de 80 para 90. Comentam que adoram os meus looks e perguntam muito dos meninos. É engraçado porque a trama dos meninos é muito forte. E agora estão querendo saber como vai ser a relação dela com o Raimundo.

Foto: Globo/João Miguel Júnior

E como será essa relação?

É bonito o momento em que Janaína consegue olhar o Raimundo não como amigo, mas como homem. Vai ter um momento sim em que ela olha para o Raimundo e fala: ‘Estou achando você diferente’ (risos). E ele não está diferente, é que ela abre uma brecha para que ele tenha uma chance com ela de fato.

Como está sendo a parceria com a Totia Meireles nos embates entre Janaína x Mercedes?

Janaína tinha uma vida simples em Armação, mas uma vida equilibrada. Ela elegeu a praia como quintal. E veio para o Rio por causa dos filhos. Então a Janaína tem muito a ver com a mulher brasileira que dá um jeito em tudo. Consegue, através das suas habilidades, sempre dar um jeitinho. Eu vejo isso com as manicures. Você tem um salário de manicure, mas tem que ter sua clientela por fora. Esse é um jogo de cintura da mulher brasileira, de se equilibrar. Quando ela enfrenta a Mercedes. Aliás, minha grande parceira de enfrentamento, é um encontro maravilhoso de novo aqui na novela com a Totia (Elas fizeram juntas Salve Jorge). Eu sinto que, na verdade, as mulheres se identificam porque é uma vitória contra o preconceito, contra uma hierarquia de classes. Por que uma pessoa que tem mais dinheiro pode olhar de cima para baixo a outra só pelo fato de não ter a mesma conta bancária? Isso acabou! É cafona até alguém que se sinta melhor do que o outro porque tem uma condição financeira melhor.

O que você tem mais aprendido durante essa sua jornada profissional vitoriosa?

Passados 30 anos, eu tenho vários filmes, uma carreira potente na televisão, no teatro eu tive menos oportunidade, por disponibilidade de tempo e de projetos. Mas sempre que tive foram prazerosos. Mas a máscara da gente vai se transformando. E a máscara da mulher é muito mais transformadora, então eu também estou me adequando para o que vai vir para mim nos próximos 20 anos. Eu também estou me programando para novas fases, demandas, personagens. Como agora, por exemplo, essa leva de personagens onde sempre tem uma relação de matriarcado. O que posso dizer é que é preciso ter serenidade quando se recebe os nãos. Você precisa manter a autoestima independente do que as pessoas falem ou achem de você. As pessoas comentam que a Dira sempre faz a mãe. Quem diz isso não conhece a minha carreira... Gente que não viu, por exemplo, a Norminha (Caminho das índias, 2009), que não tinha nada de mãe. São pessoas que viram Salve Jorge (Lucimar, 2012) e agora Verão 90. Mas isso não me incomoda porque eu tenho noção. O que deixa forte uma pessoa é a autoestima bem resolvida. Autoestima não é uma qualidade é uma necessidade para acordar todos os dias de manhã e encarar a vida.

 

 

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