Daniel de Oliveira: “A história de Éder Jofre comove, deve ser vista”

Ele estreia a série, um desdobramento do filme sobre o bicampeão mundial de boxe


  • 06 de janeiro de 2019
Foto: Globo/João Cotta


Por Redação

Praticante de boxe há 12 anos, certo dia Daniel de Oliveira socou o azulejo do banheiro durante um banho. Nesse momento, ele teve um insight: “Vou viver Éder Jofre no cinema”. Na época não rolou, mas oito anos depois, ele rodava o longa 10 Segundos Para Vencer, na pele do bicampeão mundial de boxe. Éder está entre os dez melhores pugilistas do mundo, no Hall da Fama, em Nova York.

E a partir desta terça-feira, 8 de janeiro, essa história de vida fantástica será contada em quatro episódios, em formato de minissérie na Globo, com 25 minutos de cenas inéditas, na Globo. “Éder Jofre é um nome a ser reverenciado, que me emociona muito. Sua história merece ser vista. E agora como série vai ter um alcance muito maior, porque infelizmente o cinema não tem esse alcance aqui no Brasil. Vem os 'Vingadores' e acabam com a gente”, avalia Daniel.

Exibida logo após Elis – Viver é Melhor que Sonhar, com direção de José Alvarenga Jr e roteiro de Thomas Stavros, a produção mergulha mais profundamente na vida pessoal do atleta, mostrando sua relação com a esposa Cida (Keli Freitas), a mãe Angelina (Sandra Corveloni) e o pai e treinador Kid Jofre (Osmar Prado).

E o ArteBlitz bateu um ótimo papo com Daniel, que já brilhou na pele de outros personagens reais no cinema, como Cazuza e Stuart Angel. E ele manda sempre muito bem, né? Então não dá para perder de vê-lo vivendo Éder, que de 81 lutas, teve 75 vitórias, quatro empates e apenas duas derrotas, ambas por pontos. E nunca ouviu a famosa contagem de '10 segundos', tempo que o atleta tem para se levantar após uma queda.

Éder Jofre (Daniel de Oliveira). Foto: Gui Maia

Como foi representar este homem que é um grande vencedor ?

Para mim foi um prazer, um privilégio. É uma maravilha isso me acontecer e eu ter a idade certa para fazer. Eu acho que foi um presente, porque recebi o convite e comecei a rodar no dia do meu aniversário. Há 10 anos, eu estava rodando um filme em São Paulo chamado Boca, com Flávio Frederico. No hotel, eu tive uma 'viagem', soquei o azulejo quando estava tomando banho: ‘Opa, eu vou fazer Éder Jofre no cinema'. Tive esse insight, vamos dizer assim. E eu cheguei a ligar pra Éder, e ele respondeu: ‘Ó meu, já tem um cara que estava fazendo esse negócio de filme e cinema, meu’. Pedi desculpas, desliguei o telefone e esqueci. O mundo girou e oito anos depois me chamaram para fazer o filme.

Cauã Reymond: “Comecei a entender a posição feminina melhor”

Cauã Reymond e Maria Casadevall: Alta tensão em Ilha de Ferro

Você teve a oportunidade de estar com ele?

Sim, e foi maravilhoso! Fomos visitá-lo em São Paulo, almoçamos com ele. Mas eu vi que era pouco, precisava ter mais encontros com ele. Me mudei para São Paulo por uma semana, fiquei lá trocando ideia. Foram dias bem intensos com ele, conhecemos lugares de boxe, e ele falando da família, mostrando fotos antigas... Eles foram bem carinhosos comigo. Estivemos no Parque Peruche, onde ele nasceu, em São Paulo. E ele me mostrou uma casa, o lugar em que ele conheceu a esposa. Foi bem bacana.

Essa produção tem muitas cenas de luta, você chegou a se machucar em alguma momento?

Um filme de boxe não tem como não se machucar. Eu pratico boxe há onze anos, então já estou acostumado com soco e tal. Eu comecei a viciar em soco, olha só que onda (risos)! Eu falei até para o meu mestre de boxe: ‘Pô, eu levo pancadas e tô gostando. E ele respondeu que é natural.

O seu corpo mudou muito com preparação para o filme?

É sofrimento, regime mesmo, malhar pra caramba, intensificar mais. Tomava aqueles shakes malucos, aqueles produtos doidos. Foi difícil porque tem que ter uma disciplina. O filme começou no dia do meu aniversário. Eu com 39 anos fazer um filme de um boxeador que passa por várias fases, tem que estar preparado. Saber trabalhar o corpo em prol do personagem. É interessante brincar com isso para você poder entrar em outro universo.

O pai do boxeador, Kid Jofre (Osmar Prado). Foto: Gui Maia

Você é um tipo de ator que agarra as oportunidades e encara os desafios na sua vida, né?

Os desafios vão aparecendo, e eu gosto muito. Interpretar personagens reais é uma coisa que está sempre presente na minha carreira. Se eu olho para trás eu vejo Cazuza, foi o primeiro personagem real e muito importante. Depois eu fiz o Stuart Angel, o filho da Zuzu Angel. Fiz o Frei Beto (Batismo de Sangue), o Santos Dumont em um curta, William da Silva Lima em 400 contra 1. Fiz personagens da história do Brasil. E agora o Éder.

Qual personagem biográfico você gostaria muito ainda de interpretar?

Tenho um nome, mas não posso falar para não estragar a ideia...

Você se sente um cara agraciado por ter pego personagens de tanto peso?

Ter feito Aos Teus Olhos, da Carol Jabor, foi um privilégio. É muito de instinto de escolher esses personagens. Jamais que vou negar um filme da Carol Jabor. São personagens irrecusáveis e ao mesmo tempo temos que estar no lugar certo.

Foto: Globo/João Cotta

Vem novela em 2019?

Por enquanto, não. Vou fazer uma participação na série da Hebe Camargo. Vai ser em São Paulo. Não sei se o personagem é marido ou namorado dela. Eles ficaram juntos por oito anos, é uma pequena participação. Mostra a situação da Hebe naquele momento. Como é uma série, tem que enxugar demais. Era um longa, agora virou série. Imagina a Hebe, quantas histórias ela não tem? Mas me surpreendeu esse personagem. Se chama Luiz Ramos.

Estamos no início de 2019, quais os seus desejos para esse ano?

Estar um tempo maior com com a família, ficar no aconchego do lar, viajar um pouco. Olha, tudo que me vem na cabeça é saúde. Tendo isso a gente corre atrás das outras coisas. Tomara que o Brasil siga um caminho bom, está difícil, mas torcemos e trabalhamos para isso. Temos que estar firmes esperando o melhor

O público brasileiro gosta muito de ver comédia no cinnema, e você está indo para um lado diferente. Você gravou o filme Morto Não Fala, um terror nacional... Como foi isso?

Sim, aqui no Brasil se assiste terror, mas é terror de fora. Para mim foi um prazer, eu estava bem curioso de saber como é fazer um filme de terror, tem muito pouco, vira um nicho. Daí chegou o Dennison Ramalho, que é um craque, eu vi os curtas dele, o cara é muito bom e reconhecido. Eu fui no festival de Austin, no Texas, e quando falaram o nome dele, tiveram muitas reações positivas. O Brasil está começando a esquentar esse nicho aí.



Veja Também