Conheça mais Marcel Octavio:

"Vivo há 10 anos de musicais, é o que me sustenta", diz ator de Tempo de Amar


  • 17 de novembro de 2017
Foto: Guilherme Logullo


Por Claudia Dias

Em quase todas as suas cenas em Tempo de Amar, Marcel Octavio aparece discutindo a política do início do século e mostrando, de forma firme, sua posição. Em breve, será inclusive responsável por um atentado contra políticos em um navio que segue do Brasil para Portugal. Nesse caso, intérprete e personagem divergem. Mesmo afirmando que tem suas convicções políticas, ele prefere ficar "na dele" a participar do "fla x flu" político que se instaurou, principalmente nas redes sociais. Por outro lado, é firme ao mostrar sua posição com relação ao teatro brasileiro e aos musicais, que o lançaram para o mercado em 2007.

Marcel é um dos raros atores que vem conseguindo sobreviver de sua arte, mesmo com a temporada de escassez de patrocínios. Atualmente, está em cartaz em São Paulo com o espetáculo Rio Mais Brasil, que também já rodou o Brasil. Como ator "de musicais" ele vibra com o atual momento do gênero. Mais ainda com a chegada de novos espetáculos brasileiros. Ele, no entanto, não desmerece os americanos. “Eles têm 100 anos de experiência e nós, estamos começando agora. Mas, dá muito orgulho de ver”, comentou.

Conciliar teatro e novela

"Os dois projetos surgiram juntos. Eu fiquei muito animado de ter passado no musical e no teste para a novela. Eu conversei com o meu agente e com os produtores tanto da novela quanto da peça para chegar a um acordo. E o pessoal da peça topou que eu tivesse um stand in para mim, que é um ator substituto para os dias que eu tivesse gravação. Até agora, foram poucas as vezes que eu precisei ser substituído. Dá para conciliar as duas coisas sim."

Personagem de Rio Mais Brasil

"No musical, eu interpreto um artista gaúcho, que é o Caio, que vai para o Rio de Janeiro na esperança de passar em uma audição para um filme. Na história, a diretora e um produtor vão fazer um filme sobre o livro O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro, e querem chamar gente do Brasil inteiro. E ele vai lá para tentar mostrar o que ele sabe."

Convite para a novela

"Surgiu de uma forma inesperada. Foi uma grande surpresa para mim. O Jayme (Monjardim, diretor da novela) tinha me visto fazer uma participação pequena em um filme musical que eu fiz em 2006, que foi Os Saltimbancos Trapalhões. Ele me viu e pediu para a nossa produtora de elenco, que é a Dani Pereira, entrar em contato comigo. Aí, eu fiz o teste no Projac e, depois de dois meses, eu tive a notícia de que tinha sido aprovado.

Rio-São Paulo

A minha rotina é uma coisa que eu esqueço. Eu vivo para o meu trabalho, ultimamente. A peça chegou em São Paulo agora, mas estávamos viajando em turnê por vários lugares. Mas, tem dado para conciliar com a novela. Tem sido mais ou menos tranquilo. Eu sou do Rio, mas me mudei para São Paulo, com a minha mulher, que também é atriz - Mariana Galindo. E nós estamos morando em São Paulo. Mas acaba que já estamos acostumados a estar entre as duas cidades. Eu tenho família no Rio, ela tem família em São Paulo e contamos com a ajuda das nossas famílias, quando temos que pular de um lugar para o outro.

Posição política como o personagem da novela

Tenho uma posição política, mas que é muito baseada na minha crença de vida. No que acredito e levo como filosofia para a minha vida. E os políticos, acredito que deveriam se posicionar desta mesma maneira. Quanto a me posicionar, sempre deixei claro as minhas posições, nunca fiquei muito 'na minha'. Mas, ultimamente, com as mídias sociais, vemos um embate de pessoas querendo brigar e nunca achei isso positivo. Nunca achei que gerasse algum fruto bom. É feio! Não tem um argumento que sustente uma briga assim. Então, os ânimos ganham uma proporção que a gente não imagina e eu tenho preferido ficar um pouco na minha, pelo menos nas mídias sociais.

Atual momento político brasileiro

Não é muito diferente do que vive o personagem da novela. Nós temos quase as mesmas brigas. Os nomes são diferentes, mas as brigas acabam sendo as mesmas. Você ainda vê o povo brasileiro sofrendo muito, pelo menos a grande massa, em cima de poucos burocratas no poder, que lutam pouco pelo povo e mais por si próprios. É triste ver que isso não muda muito. Eu acredito que a vida política é mais parecida com um ciclo do que com um avanço. Nós tendemos a nos repetir. É como eu vejo que isso tem acontecido agora. Não acho que mudou muito dos anos 20 para os novos anos 20, 2017.

Dificuldade de se fazer cultura no Brasil

É uma crise difícil. É muito duro para nós, que vivemos de cultura, nunca passarmos ilesos por uma crise. Porque o primeiro aspecto da sociedade que sofre é o cultural. Principalmente no Brasil, nós dependemos de apoio financeiro para conseguir viver de teatro. Não é como nos Estados Unidos, que conseguem viver de bilheteria. Nós até temos alguns subsídios que nos ajudam nisso, como a Lei Rouanet, por exemplo, mas sem interesse do patrocinador nada acontece. E em um momento de crise, as empresas querem se fechar para doações para a cultura, querem cortar os seus gastos ao máximo e a primeira coisa a ser afetada é a área cultural. Então, de dois anos para cá, nós sofremos muito com isso. Sentimos na pele mesmo, o Rio principalmente. Eu, que sou um ator carioca, fico muito triste de pensar nisso. Vejo que o Rio ficou afundado na crise. Em São Paulo, a gente ainda consegue colocar o povo para trabalhar um pouco. As produções musicais diminuíram muito. Estamos torcendo para uma volta, um retorno dos musicais. 2018 está prometendo muita coisa boa para que a gente possa sair desse período de crise. 

Musicais

Eu vivo de musicais há 10 anos. Meu primeiro musical foi em 2007 e eu não parei de trabalhar desde então. Eu acho que sim, o estilo ganhou muita força. Esse movimento começou um pouquinho antes de 2007, com o retorno de grandes musicais da Broadway. Começou a ganhar força como um produto que lota teatros e tem patrocínios grandes com “Noviça Rebelde”, em 2006, e aí, voltou uma onda de musicais muito boa, tanto no Rio quanto em São Paulo. Eu surfei nessa onda, estou vivendo de musicais desde então. Posso dizer que foi o que me sustentou a vida inteira. Feliz e com orgulho, digo que consegui viver de teatro na minha carreira inteira. E isso é muito saudável e muito produtivo. E está tendo uma renovação, principalmente no teatro musical brasileiro. Claro que é muito bonito a gente ver e fazer as coisas que vêm de fora, eu mesmo já fiz muita coisa. Mas, é muito bom, dá muito orgulho ver que temos produtores novos chegando, é muito bom ver essa renovada que o mercado está dando. Eu acho que é a parte mais rica, é o que dá orgulho, ver o nosso teatro crescer sem depender do teatro musical americano. Mas, digo que não há o menor demérito nisso, sou apaixonado pelo teatro musical americano. Eles têm 100 anos de experiência nisso e nós estamos começando agora. Mas, dá muito orgulho ver que tem muita coisa nova e nacional chegando.



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