Cauã Reymond: “Comecei a entender a posição feminina melhor”

Ele fala do “mergulho” em Ilha de Ferro e dos papos com colegas sobre empoderamento


  • 29 de novembro de 2018
Foto: Globo/Paulo Belote


Por Redação

Um dos atores mais requisitados de sua geração, Cauã Reymond surpreende a cada linha diferente de dramaturgia que ele se propõe a fazer. Seu mais novo e elogiadíssimo “mergulho” foi na série Ilha de Ferro, com os 12 episódios disponíveis para assinantes do Globoplay. “Foi um trabalho que exigiu muito fisicamente e emocionalmente”, conta.

Na trama de ação, drama e aventura de Max Mallmann e Adriana Lunardi, com supervisão de texto de Mauro Wilson, e direção artística de Afonso Poyart, Cauã dá vida ao petroleiro Dante. Coordenador de produção da plataforma PLT-137, eficiente e altamente qualificado, ele vê seu sonho de ser promovido ir por água abaixo com a chegada de Júlia (Maria Casadevall), nova ocupante do cargo.

Longe do mar, na terra ele tem que conviver com a traição da mulher, Leona (Sophie Charlotte), com o irmão, Bruno (Klebber Toledo). “Eu vi as personagens femininas muito fortes, e em conversas tanto com a Sophie quanto com a Maria, comecei a entender a posição feminina melhor”, afirma o ator.

Atualmente, Cauã roda o filme Pedro, em que dá vida a Dom Pedro I, e em 2 de janeiro, começa a filmar a segunda temporada de Ilha de Ferro.

Dante (Cauã Reymond). Foto: Divulgação

O que mais instigou você quando recebeu o convite?

Uma das primeiras coisas era que eu queria muito trabalhar com o Afonso (diretor). Também vi na história personagens femininas muito fortes, e isso me interessou. E a ambiguidade desse cara que trabalha numa plataforma metade do mês e metade do mês ele volta para a casa. Ele não gosta de voltar para a casa, porque a personagem da Sophie tem uma relação de amor e ódio com ele. Eles não conseguem se separar, mas também não conseguem ficar em harmonia. Isso de alguma forma tocou em mim e me fez querer fazer esse mergulho. Não sei, mas acho que me ofereceu um universo de personagem que não tinha uma cara só. E me impactou também muito a história dele com o irmão (papel de Klebber Toledo). Acho que mais para a frente as pessoas vão entender um pouco do passado deles, e ver como a vida dos dois foi difícil.

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Você mesmo citou que na trama a gente vê personagens femininas muito fortes, acha que isso já vem acontecendo mais na dramaturgia?

A gente está num momento em que as coisas já mudaram muito, estão mudando e tem que mudar muito mais, de amadurecimento em relação ao machismo e ao empoderamento feminino. E eu acho que essa mudança na dramaturgia já aconteceu, as personagens femininas estão se mostrando muito fortes. Às vezes eu até fico com um pouco de ciúmes, porque na hora que cheguei para fazer os melhores personagens masculinos, que é uma idade boa, as mulheres estão brilhando. E acho que elas têm que brilhar mesmo. E eu aprendi muito nesta série, acho que junto com o Dante também, porque ele tem um amadurecimento ao longo da série em relação ao machismo, ao enfrentamento que ele tem com essa mulher que agora ocupa aquele posto na plataforma. E ele é um cara eficiente, bom profissional, e de repente chega uma mulher que é tão boa quanto ele ou melhor. Acho que nas conversas fora de cena tanto com a Sophie quanto com a Maria, em muitos momentos até não concordei com algumas coisas, mas depois de um tempo eu amadureci e eu comecei a entender a posição feminina melhor. Espero que melhor do que o Dante, ele tem muito para amadurecer.

O desgaste neste trabalho foi mais emocional ou físico?

Acho que equilibrado, não só o meu personagem, todos. Principalmente para quem estava na plataforma, um maior esforço físico. Do meio para o final, a trama tomou um lugar de suspense. Mas acho que a gente tem momentos de drama muito pesados, do meu personagem com o do Klebber, com a da Sophie e com a da Maria.

Júlia (Maria Casadevall) e Dante (Cauã Reymond). Foto: Divulgação

A gente viu aquela cena excelente tanto artística, quanto técnica e de efeitos, da queda do helicóptero com você e o Klebber Toledo no primeiro episódio. Como é assistir esse tipo de cena já pronta?

Engraçado que foram tantos dias de filmagem, tantos dias diferentes, eu adorei. Foi uma cena difícil. A gente filmou um dia numa piscina, outro com um caminhão de água entrando numa traquitana comigo e com o Klebber, a gente filmou a cena dramática, filmamos um dia o helicóptero levantando... Então, foram muitos dias. Eu acho que o Afonso está de parabéns, porque ele dá um show nisso. É realmente um trabalho superior como direção e na parte técnica.

Já há três temporadas confirmadas, e o que mais se ouve por aí são elogios à série. Como é para você ser o protagonista desta produção?

Eu fico lisonjeado, espero que isso se desdobre em números e pessoas. Eu fico muito feliz, porque eu realmente fiz escolhas para estar nessa série, neguei personagens muito interessantes em veículos muito fortes e muito potentes para estar aqui.

Foto: Globo/Paulo Belote

Você vem agora numa linha com personagens de carga dramática mais forte, fugindo de estereótipos, é uma escolha?

Eu venho procurando isso. Alguém comentou sobre a dualidade que a série proporciona, e quando você sai e entra num outro tipo de dramaturgia, me interessa. Como interessou fazer a comédia com a Tatá Werneck, porque me levava para um caminho que eu sabia que ninguém imaginava naquele momento. Então voltar para cá, verticalizar, é interessante. Está dentro de mim, eu sou artista, e acho que se eu não fizer isso, eu vou virar um maracujazinho.



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