Carolina Dieckmann: “Espero com Afrodite que as mulheres olhem para si”

Atriz crê ainda que o amor pode transformar vários “Nicolaus” que existem por aí


  • 31 de janeiro de 2019
Foto: Globo/Estevam Avellar


Por Redação

Em O Sétimo Guardião, Carolina Dieckmann tem feito boas cenas nos embates tensos entre sua personagem, Afrodite, e o marido dela, o machista Nicolau, papel de Marcelo Serrado. Para a atriz, o importante é que através da evolução da personagem, que, aos poucos, foi deixando a submissão de lado, muitas mulheres possam também mudar suas vidas. “Espero com a Afrodite buscar este olhar da mulher para ela mesma”, diz.

Carol, que costuma dizer que “não é feminista, nem machista, mas ser humano”, acredita que o machismo vem muito da cultura e da educação de cada um. Assim, a atriz, mãe de Davi, de 19 anos, e de José, de 11 anos, crê que homens como o Nicolau podem sim se transformar através do amor e do diálogo. “A reflexão que eu busco é da gente olhar para o outro com mais afeto e compreensão”, ressalta.

Ah, em capítulo a ser exibido na semana que vem, após levar um tapa de Nicolau, Afrodite vai sair de casa.

Nicolau (Marcelo Serrado), Afrodite (Carolina Dieckmann) e Bebeto (Eduardo Speroni). Foto: Globo/Estevam Avellar

Por que você acha que a Afrodite demorou tanto para tomar a decisão de sair de casa?

Eu penso que, primeiro, nós não escolhemos por quem nos apaixonamos. E depois, muitas vezes já num relacionamento, você vai construindo uma família e vai tendo amor pelos frutos que aquela relação dá. O amor vai expandindo para aquilo tudo que a gente chama de família, de convivência. E depois você identifica que o cara que casou não é aquilo que você pensava, e que de repente você abriu mão de coisas que não deveria. Mas isso também não significa que você deixou de amar aquela pessoa. E não significa que através do amor você não consiga transformar aquela pessoa. Hoje vivemos uma discussão de apontar o dedo e julgar. Mas a gente tem que entender também que a possibilidade de transformação se dá através do amor, da compreensão.

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Você já conversou com mulheres que passam pela mesma situação da Afrodite?

Várias. Eu conheço muitas mulheres que não estão satisfeitas no casamento, ou com o que fizeram da vida delas. Tem muita particularidade. A Afrodite iniciou este olhar através da história da filha Diana (Laryssa Ayres), mas muitas vezes as histórias das mulheres não dão essa possibilidade, esse despertar. Quem sabe vendo tudo isso, mesmo que na dramaturgia, a mulher possa olhar para si, para a sua vida, aí já é o começo da revolução.

Você acha que as características do Nicolau são muito de um homem que vive numa cidade pacata como Serro Azul?

Não. A gente vê muitos desses por aí, no Rio de Janeiro, em 2018. Sei que é polêmico esse assunto, mas tem muito a ver com educação. A gente não pode cobrar que essas pessoas tenham a mesma percepção que a gente, que estudou, que teve amor de pai, de mãe, porque muita gente não teve. Quantos não estudaram? Quantos homens viram a mãe apanhar a vida inteira? Temos que olhar os outros com mais generosidade e menos dedo na cara. Olhar com mais empatia. Às vezes, a pessoa tem uma atitude machista e não se dá conta. Aquilo ali é a maneira que ela aprendeu de viver, e não parou para olhar para as próprias atitudes. Mas não são monstros. Claro que há pessoas que tem essa percepção e ainda assim pensam que a mulher é um bicho inferior, mas não é todo mundo. E muitas vezes a gente ama pessoas assim. A gente não pode simplesmente jogar as pessoas no lixo. Temos que saber olhar para o outro, pensar de que maneira queremos lutar e transformar.

Tem também pessoas que são machistas, e outras que reproduzem o discurso machista, né?

Essas pessoas estão aí. A gente deve ter pedaços de Nicolau em nossa família, em um colega de trabalho. A gente conhece essas pessoas, não com todas as qualidades e defeitos do Nicolau. Mas se a gente parar de acreditar no ser humano, acabou tudo.

Foto: Globo/Estevam Avellar

Já conversou com alguma pessoa machista para tentar alertar?

Eu tenho amigos com quem eu converso. Às vezes eu sinalizo, muitas vezes as pessoas entendem, muitas não. Tem que ter um jeito de falar, um cuidado para não invadir o espaço que é do outro. Eu conheço muita gente com muitos aspectos do Nicolau.

Você tem alguma preocupação a mais na criação de meninos?

Eu acho que tem algumas coisas. Um é o exemplo que você dá. Você não ter esse tipo de relação em casa já é uma maneira dos seus filhos verem uma coisa diferente. Acho que já existe uma revolução nas escolas, nas pessoas instruídas. O mundo já está mudando há um tempo. Meus filhos já estudaram em uma escola melhor que eu estudei, menos machista, então tem uma ajuda da sociedade privilegiada, o que não é o ideal. Meus filhos são privilegiados. E eu realmente identifico nos meus filhos zero machismo. Não vejo mesmo, mas acho que é um privilégio, não é algo para se comemorar, a gente tem muita coisa para conquistar. Mas é exemplo, amor, conversa.

Como está sendo a parceria com os seus filhos da ficção?

Muito bacana. Eu olho para eles como filhos. Automaticamente lembro da relação que eu tenho com os meus filhos e trago isso para eles também propositalmente. Esse amor materno que a gente tem, é muito bom poder emprestar para essa personagem.



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