Carmo Dalla Vecchia: “Rafael ser pai dos gêmeos me surpreendeu”

Ator avalia “inferno astral” do personagem na reta final de Malhação


  • 13 de fevereiro de 2019
Foto: Globo/Marília Cabral


Por Redação

Nesses últimos capítulos de Malhação: Vidas Brasileiras, o personagem Rafael, vivido por Carmo Dalla Vecchia, vive um verdadeiro “inferno astral”, como define o próprio ator. Em meio a problemas com a ONG Percurso, de repente ele fica sabendo que é o pai biológico de Flora (Jeniffer Oliveira) e Alex (Daniel Rangel), de relação que teve ainda jovem com Gabriela (Camila Morgado). E é ele próprio, através de uma transfusão de sangue, que salva a vida da jovem.

Para Carmo, foi surpreendente essa reviravolta feita pela autora Patrícia Moretzsohn. “O Rafael ser pai dos gêmeos é o que mais me surpreendeu na trajetória do personagem. Esse tipo de situação nos desafia bastante como intérpretes”, garante. Com esse turbilhão de emoções, Rafael também enfrentará uma crise na relação com Gabriela. O diretor da ONG, pai de Marcio (André Luiz Frambach), ainda terá a difícil missão de se aproximar dos filhos. E não será fácil!

O ator também festeja a troca com o elenco jovem. E dá um recado a quem deseja seguir a carreira artística. “A pior coisa do mundo é a gente ser mediano. E a nossa profissão é difícil, não tem espaço para médios”, ressalta.

Rafael (Carmo Dalla Veccha). Foto: Globo/Raquel Cunha

Como vê essa fase turbulenta na vida do Rafael?

Na verdade são muitos acontecimentos que acabam dificultando a estrutura da ONG através deste universo. Não posso contar muita coisa para não dar spoiller. Mas o inferno astral dele acontece nessa quinzena. Tudo o que poderia ocorrer de problemas para ele enfrentar na história aparecem neste momento.

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Mas ele já superou momentos complicados, como a recaída no alcoolismo, né?

Eu achei lindo! É um assunto que às vezes as pessoas têm preconceito de falar. É difícil dentro de casa você falar sobre esse assunto e acho que uma das funções da TV é justamente promover o diálogo. As pessoas precisam dialogar e ver que elas não estão sozinhas, e que não acontece apenas com elas. Muitas das vezes as pessoas vêem o alcoolismo como um problema de caráter e não como uma doença. No caso do Rafael isso era muito claro, é um cara que tem uma ONG, é um cara super legal com uma proposta muito humanista, e ainda assim tinha esse problema.

E teve também a reconciliação com o filho Márcio, que não foi fácil...

O filho foi brincar com fogo, se queimou, e queimou o pai mais ainda por ter feito ele voltar a beber. A própria reconciliação dos dois veio a partir dessa história do alcoolismo. Achei bonito! A própria reconciliação dos dois veio a partir dessa história do alcoolismo. Achei bonito! Problemas são ruins na vida, mas fazem a gente crescer, desenvolver, evoluir e ter uma postura diferente diante daquilo que está acontecendo. A pior coisa do mundo é a gente ser mediano. Tem algumas profissões que talvez você possa executar seu trabalho. Num trabalho de artistas, a gente tem que sonhar, e para sonhar tem que ser muito corajoso. Se você é mediano não tem coragem de sonhar. A grande dificuldade de um artista é sair da mediocridade, do que os outros já fizeram e da sua acomodação. É uma carreira difícil, as pessoas idealizam demais, e acho que elas têm sim que correr atrás dos seus sonhos, seja ele qual for. É um mercado pequeno e acho que o medo de todo artista é ser médio. Na nossa profissão não tem espaço para médios.

Gabriela (Camila Morgado) e Rafael (Carmo Dalla Vecchia). Foto: Globo/João Miguel Júnior

A Solange (Fernanda Paes Leme) dá em cima do Rafael e ele resiste. Como você vê isso?

Eu acho muito bonito a pessoa equivocada que jura que não está a fim (risos). Essa é a Solange! Mas eu acho essa personagem muito crível. Ela até se equivoca no início, mas quando o Rafael tem a crise com a Gabriela, ela se aproxima e revela que tem um lado bom. A Solange não é uma vilã, é uma pessoa sozinha que toma decisões erradas.

Como tem sido a troca com essa galera jovem de Malhação?

É muito gostoso ter um elenco tão jovem e disposto. E ver pessoas que ainda não tinham tanta experiência mas vão descobrindo. Nosso trabalho basicamente é tentar dar verdade para uma pessoa que não existe. Cada pessoa tem o seu mecanismo para isso. E você encontrar vários universos de pessoas que estão começando e ver como elas se relacionam, é muito interessante. É muito importante ver o que eu tenho a aprender com aquela pessoa que está começando.

Flora (Jeniffer Oliveira) e Rafael (Carmo Dalla Vecchia). Foto: Globo/João Miguel Júnior

A novela termina em abril. Já bate uma saudade?

Eu não penso muito no final. Penso no hoje, em aproveitar o que está acontecendo agora. Acho que vai dar saudade de muitas pessoas, com as quais criamos uma família aqui e das quais eu acabei gravando diariamente. Eu fico olhando pra eles todos e fico lembrando de quando eu fiz Chiquititas, que a gente era uma família na Argentina. Fizemos a novela lá por 1 ano, e hoje temos uma história juntos. Eu olho pra esse pessoal de Malhação e penso como será daqui a 10 anos. ‘Será que eles vão se encontrar ainda? Será que vão se falar? Será que eles vão continuar na mesma profissão?’. Por isso que eu acho que é bom a gente focar no presente.

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