Camila Rodrigues: “Mexe não só com o corpo, mas o psicológico”

Atriz cita aprendizados como disciplina e paciência na participação no Dancing Brasil


  • 29 de outubro de 2018
Foto: Arthur Germano


Por Luciana Marques

Dona de papéis memoráveis como o da Rainha Nefertari de Os Dez Mandamentos, Camila Rodrigues encara mais um desafio em sua carreira. Mas agora num terreno em que não lhe é tão íntimo. A atriz é uma das participantes do reality Dancing Brasil, da Record TV. “Está sendo muito mais difícil do que eu imaginava”, admite.

Mas a cada quarta-feira Camila vem se superando com uma nova e linda apresentação na companhia de seu par, o dançarino Djeiko. “A competição não é com os outros, é com nós mesmos”, diz. Para a atriz, esse processo todo de ensaios exaustivos, dores por várias partes corpo, também tem lhe ensinado a ter mais disciplina e paciência. Ah, ela também revela estar mais competitiva!

Confira o bate-papo que tivemos com a nossa sempre Rainha Camila Rodrigues.

 

Camila Rodrigues e o bailarino Djeiko. Foto: Blad Meneghel

Como está sendo essa experiência de participar do Dancing Brasil?

Muito difícil! Na verdade, nunca dancei, mas pensava: 'Ah, tenho ritmo, sou alongada'. Mas nada disso adiantou. Achava que quatro horas de ensaio ia ser pouco, e depois de quatro horas eu estou morta. O corpo sente. E eu já comecei o programa com uma dor na coluna, e isso só vai piorando, porque é tudo muito intenso. A gente tem três dias para pegar a coreografia. Se você quiser ensaiar com seu bailarino fora desses horários, não tem problema, mas tem que ver a disposição deles. Eles trabalham demais aqui. E eu nunca tinha convivido com bailarinos, é uma profissão difícil, um trabalho lindo, de atleta literalmente. Você tem que comer bem, descansar, ter uma preparação física boa. Só o alongamento já dá ódio no coração porque dói muito, são 40 minutos. E não é uma coisa que faz assim, 1,2,3 vamos lá...

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E como está a sintonia com o Djeico, seu par?

Muito bacana! E todo o mundo aqui é muito legal, unido. Começando pela direção do programa. Tenho certeza que vou sair daqui com vários amigos. E vou ter mais vontade de dançar com toda certeza, o que eu não achava que conseguisse fazer. Sou muito moleca, então fazer esses passos, é o pé junto com a mão, com a cabeça, a postura... Pensar em tudo isso nesse tempo tão curto, que o corpo ainda não responde a tudo que você quer, não é fácil. Às vezes, dá uma certa frustração, porque você apresenta e os jurados não dão notas tão boas, na hora você fala ok, mas depois você vê e diz, pôxa, não achei isso... Então, a gente passa por isso tudo, mexe com vários lugares não só do corpo, mas acho que muito no psicológico também.

O que você tem mais aprendido?

Eu acho que é a disciplina. Se não dá para trocar o horário do ensaio, são as quatro horas que a gente tem que cumprir. E nesse tempo a gente precisa gravar junto com a equipe, ter paciência, ficar tranquila, repetir 495 mil vezes o que você não sabe fazer, então, respira fundo e vai. Porque dói, machuca, irrita, você quer fazer aquilo, mas seu corpo não responde. Acho que é isso, disciplina e a paciência que aprendo muito também. Não é só o corpo como eu estou falando, é muito a cabeça mesmo.

 

 

Você acha que isso tudo está sendo importante também para a artista Camila Rodrigues?

A gente tem mais noção corporalmente, é completamente diferente de uma aula de corpo para o teatro. Mas você fica com uma postura diferente, te dá uma consciência de palco, primeiro porque a gente tem uma estreia toda quarta-feira. São três dias para aprender e tem que parecer que você sabe fazer aquilo maravilhosamente bem. E tem o nervosismo ali do ao vivo, então tem que conseguir mentalmente bloquear tudo isso e fazer o seu melhor.

E a questão de estar sendo julgada, como lida?

Eu lido bem na verdade, mesmo não concordando, às vezes. Concordo com muitas coisas que falaram, com a questão de que estava um pouco morno demais. O Djeiko é muito clássico, então a gente estava fazendo tudo muito clássico, só uma dança, a gente não fazia um show. Também é a primeira vez dele aqui, então eu acho que a gente está aprendendo mais do programa a cada apresentação. E os jurados também exigem muito tecnicamente. Isso é bom porque faz você ficar mais focada no que você tem que fazer. Mas às vezes a gente se frustra um pouco. Pôxa, não concordo! Mas não adianta (risos). Porque isso não vai mudar, e também não pode te desanimar. Aí eu falo: 'Não, peraí, quero fazer melhor na semana que vem'. É muito legal você entrar, fazer um personagem. Eu sempre penso: 'Sou uma bailarina. Sou maravilhosa! Vambora!'

Camila Rodrigues e o bailarino Djeiko. Foto: Blad Meneghel

Você tem se surpreendido com você?

Muito e também com os participantes. Porque durante o workshop a gente já olhava e falava, aquele é bom, aquele nem tanto. Mas depois a gente queimava a língua. Porque a evolução é muito grande das pessoas, os professores sabem tirar o melhor de todos. Aí envolve nós, atores, o Amaral, jogador, o Oscar, comediante, a Juliana, jornalista, que tem o físico muito bom, a Lu, cantora, que está acostumada com palco. Eles vão tirar o que você tem de melhor nesse show, porque não somos bailarinos. E é uma superprodução, cenário, figurino. Fora os ensaios, que são muitos . E chega na quarta-feira e você já fez mil vezes aquilo antes de realmente se apresentar. Isso é bom por causa da repetição, mas quando você está machucado, com dor, aí começa a complicar. Você tem que saber se poupar algum dia para estar 100% na hora do espetáculo.

E a sintonia com a Xuxa?

Ela é maravilhosa! E o que eu fico impressionada é que ela tem um perfume que é muito ela. Aonde passa, eu falo: 'A Xuxa chegou!' Outra dia postei uma foto de uma vez em que fui ao Xou da Xuxa. E até brinquei, eu já dançava com ela, já era paquita e vocês nem sabiam disso. A Xuxa sempre causa aquele impacto, é delicioso estar ao lado dela, sempre carinhosa com a gente. E o ambiente aqui é maravilhoso, todo o mundo te trata bem. E essa competição na verdade não é com os outros, é com nós mesmos, porque não tem no que interferir no do outro. É você com você mesmo. É bastante cansativo, mas maravilhoso.

Camila Rodrigues e o bailarino Djeiko. Foto: Blad Meneghel

Você é uma pessoa competitiva?

Eu sou um pouco. Eu acho que estou ficando cada vez mais competitiva, e eu não era! Tanto que às vezes o cansaço bate, mas o meu lado competitivo diz, não, vamos lá...



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