Caio Paduan: “O amor por Dandara pode transformar Quinzinho”

Ator vê personagem como “símbolo da elite” e quer que ele assuma logo culpa por morte


  • 22 de abril de 2019
Foto: Sergio Baia


Por Redação

Ao ler o capítulo do acidente que culminou com a morte da DJ Nicole (Bárbara França), mais no início de Verão 90, até Caio Paduan se surpreendeu com a atitude covarde do seu personagem Quinzinho. Além de não assumir a culpa, ele ainda foi conivente com a armação de Jerônimo (Jesuíta Barbosa) para incriminar o inocente João (Rafael Vitti), que acabou condenado. “Quando li, pensei: 'Caramba!'. Mas o posicionamento dele seria o da maioria dos jovens de elite. Rola uma questão social para se discutir”, avalia o ator.

Mas quando o assunto é o coração do ricaço, não tem pra ninguém. A beleza, a malemolência e a atitude da dançarina de lambada Dandara (Dandara Mariana) mexem de tal maneira com Quinzinho, que ele será até capaz de confrontar a mãe, a poderosa Mercedes (Totia Meireles), por esse amor. Tanto que nesta próxima semana, em outra reviravolta surpreendente, os dois acabam se casando. “Eu acho que o amor dele por Dandara pode realmente transformá-lo”, constata.

Quinzinho (Caio Paduan). Foto: Reprodução Instagram

O Quinzinho é um menino que gosta da elite, mas se apaixona pela Dandara, né?

Exatamente! O coração não escolhe, né? O coração não vê cor, não vê bolso… O Quinzinho é muito extrovertido, animado e ela também. Ela é dançarina de lambada, baiana e esse tempero dos dois deu 'match'. A princípio, parece uma coisa muito carnal e não é, ele está completamente apaixonado. Mas como apresentar ela para a mãe, o pai e os amigos? Olha como é o Candé (Kayky Brito), amigo dele. Mas Quinzinho não é tão covarde quanto parece, com a Dandara ele dá uma peitada. Acho que isso é bem por amor, bem novelão.

 

 

Acredita que esse amor pode mexer com ele, mudá-lo de alguma forma?

Eu acho que é por onde está indo, junto com o acidente. O acidente é uma porrada muito forte, esses dias eu postei uma foto em uma rede social e perguntei quem assumiria a culpa... Aí teve um garoto que falou que não assumira. Teve uma galera falando que o certo é assumir, porque ele não empurrou a moça, mas no caso seria doloso. Ele estava em um lugar perigoso, com a amante, em uma discussão. Eu acho que ele vai começar a ver quem são essas pessoas também em volta dele.

Como vai ser a reação dele quando a Larissa (Marina Moschen) falar que está apaixonada por um menino que ele fala que é pobretão, o Diego (Sérgio Malheiros)?

Eu amei a reação! Ele tem umas reações geniais. É um parque de diversões, eu estou apaixonado pelo personagem por conta da dialética, da complexidade. Bom ou ruim, às vezes é generoso. Ele gosta até do Tobé (Bernardo Marinho), é como se fosse um irmão mais novo e ele manda umas boas que o Quinzinho gosta.

Você também se surpreendeu com a atitude do Quinzinho na cena da morte da Nicole?

Muito! Era um personagem aparentemente leve e eu não sabia como seria feito, isso me preocupava também, para que tivesse verdade na cena. Mas é importante para o momento no país, é um garoto que representa a elite brasileira. É um personagem que me leva para esse lugar social também e eu gosto, eu acho que é um dever do artista. O posicionamento dele é o que eu acho que a maioria dos jovens de elite faria, a gente tem alguns casos parecidos notórios e famosos, pessoas conhecidas que não pagaram e nem sabemos quando pagarão. Rola uma questão no Brasil sobre isso e o Quinzinho é o símbolo.

Foto: Reprodução Instagram

Acredita que ele pode ser perdoado por essa atitude tão covarde e maldosa?

Eu acho que ele tem que assumir, é o que eu quero que venha escrito daqui a pouco. Imagina a cena dele indo na delegacia e assumindo? Chegando na delegacia e falando que foi ele quem matou a Nicole? Eu, Caio, faria isso na hora, inclusive, não anos depois, mas como ele não fez e já foi covarde…

A gente ainda não sabe muito do passado dele, da irmã, a Gisela (Débora Nascimento). Parece que essa família vive pelo dinheiro e por ali nem passa nada de afeto. Como é isso para você?

Tem uma cena de uma conversa deles dois sobre isso. ‘O dinheiro vem para confundir o amor’, já dizia o Criolo. O dinheiro confunde, atrapalha, engana, e se o amor não for a coisa mais importante de uma família, de uma pessoa, teriam vários Quinzinhos e Giselas por aí.

Dandara (Dandara Mariana) e Quinzinho (Caio Paduan). Foto: Reprodução Globo

Como está vendo esse momento da sua carreira?

Esses dias alguém estava falando: ‘Não, porque quando eu comecei a carreira, eu ralei, eu fiz teatro, trabalhei em bar…’. E aí eu falei que eu também. Isso é com todo mundo, pega um cara que é professor de história em um colégio aí, ele rala para caramba ainda e ralou muito para fazer faculdade. É a minha história como mais um de vários brasileiros, algumas caem no colo? Sim, mas é isso. O negócio é o quanto você estuda e o quanto você se doa para o que quer. Eu faço testes há muito tempo e vejo gente fazendo e querendo muito, mas se eu posso falar alguma coisa é, ‘foca’. Eu nunca tive plano b, quando eu tive plano b, me desfoquei da carreira, porque fiz jornalismo por um ano por pressão da família.

 

 

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