Bianca Bin, de Êta Mundo Bom!: “Nesses tempos difíceis, uma novela com lema otimismo é inspirador”

Atriz se diverte revendo a trama com o marido, Guizé, e agradece sua Maria aos mestres Walcyr Carrasco e Jorge Fernando


  • 20 de agosto de 2020
Foto: Ricardo Vieira


Por Luciana Marques

Uma das melhores e mais requisitadas atrizes de sua geração, Bianca Bin agarra com unhas e dentes cada oportunidade. E isso vem desde o início da carreira no teatro e também na TV, quando estreou como a Marina, de Malhação, em 2009. Desde então, acumula protagonistas como a Açucena de Cordel Encantado, a Amelia de Joia Rara e a Clara de O Outro Lado do Paraíso. Atualmente, está no ar na reprise de Êta Mundo Bom!, no Vale a Pena Ver de Novo, como Maria, que se transformou na heroína da trama. “Maria foi a oportunidade de aprender e aprofundar o meu trabalho sob a guia dos mestres Walcyr Carrasco e do imortal, Jorginho Fernando”, diz ela, referindo-se ao autor e também ao diretor artístico da novela, que faleceu em 2019.

Nesses tempos difíceis, Bianca ressalta que a reexibição da novela, que traz o otimismo como tema, é no mínimo inspirador. E assim como milhares de brasileiros que tem feito a audiência bombar, ela se permite agora assistir como telespectadora, curtir e se divertir na frente da TV junto com o marido, Sérgio Guizé, intérprete do protagonista Candinho. Os dois passam a quarentena num sítio no interior de São Paulo. “É como uma celebração, lembramos de muitas histórias”, diz. O fato de estar próximo da natureza, de mexer na própria horta, a faz ter a cada vez mais a certeza de que a simplicidade é o melhor da vida.

Êta Mundo Bom! tem atingido recordes de audiência em sua reprise. Por que você acha que essa novela é tão querida pelo público e ainda provoca todo esse alvoroço? Em tempos tão difíceis, de grandes perdas, como estamos vivendo agora, assistir a uma novela cujo lema é o otimismo, a transmutação do negativo para o positivo, é no mínimo muito inspirador. Nos faz lembrar que também somos formados de matéria etérea, nos devolvendo através da arte, a fé na vida.    

O que a personagem Maria significou na sua carreira? Uma personagem forte que me trouxe muitas alegrias, no dia a dia da convivência com uma equipe e elenco maravilhosos.

Pirulito (JP Rufino), Celso (Rainer Cadete), Maria (Bianca Bin) e Alice (Nathalia Costa). Foto: Globo/João Miguel Júnior

Nós fizemos uma live com o Walcyr Carrasco e ele disse que a história da Maria, do romance com o Celso, da coisa da transformação pelo amor, tudo estava previsto... Mas ele admitiu que você fez o papel crescer, com a personagem se tornando uma “detetive”... Nas palavras dele, você arrebentou e tem um carisma absurdo. Como é ouvir isso de um autor como o Walcyr? Um presente, sei que é uma furada quando a gente faz um personagem buscando aprovação externa, ainda mais a do dono da trama! Mas o Walcyr, sendo quem originou a criação de Maria, elogiar minha interpretação é um motivo pra eu dormir feliz e com a sensação maravilhosa de dever cumprido. Maria “Sherlock Holmes” será inesquecível para mim. Devo muito ao Walcyr, e acho que formamos uma dupla e tanto! Quero trabalhar com ele de novo.

No início da novela, a relação de Maria e Celso parecia meio tóxica, ele era até agressivo. E o Walcyr disse que quis mostrar como o amor pode transformar... Como foi a construção desse casal com o Rainer Cadete, que acabou ganhando a torcida do público? Poder contar com a parceria do Rainer foi fundamentável para o sucesso do casal, creio eu. Além de um excelente ator, ele é o meu melhor amigo. Uma parceria melhor que essa, não poderia haver, né? Acho que química é uma questão de ajuste fino, quando se trata do trabalho do ator. É muito mais fácil de construir com o outro quando a gente se comunica bem, se respeita e gosta de quem está contracenando com a gente. Se temos liberdade e nos sentimos a vontade com o outro, muito mais fácil de confiarmos, nos entregarmos, criarmos, rirmos de nós mesmos. Para mim, esses são ingredientes fundamentais para o sucesso de uma boa parceria, o que faz um casalzão. Sobre o público ter aceitado tão bem a regeneração desse personagem, ao meu ver, devemos isso ao carisma e trabalho do Rainer e texto do Walcyr. Eles arrebentaram!

Foto: Ricardo Vieira

E o que você absorveu da troca com nomes como Eliane Giardini, Marco Nanini, Sérgio Guizé, Flávia Alessandra, elenco de feras, né? É uma escola estar diariamente com Eliane e Nanini, trocar em cena com eles é muito agregador, a experiência e o talento deles são provocação e inspiração a todo o tempo. Mas ainda mais legal do que isso, foi ter podido conviver com o humano deles, atrás das câmeras, numa rotina de gravação de novela. São pessoas incríveis! Sinto saudades. E quero aproveitar pra mandar um beijo para eles e deixar registrado aqui meu desejo de que estejam bem e com saúde. Minha profunda admiração e respeito. Espero encontrá-los em breve. Foi um período de muita aprendizagem com o elenco todo, no geral, sou grata. Fomos felizes e acho que esse também é um dos grandes motivos do sucesso de Êta Mundo Bom!

O lema do Candinho na novela é “tudo o que acontece de ruim na vida da gente é pra meiorá”. Acredita que é uma trama que o Brasil precisa ver mesmo nesse momento, que é uma espécie de alento para o brasileiro que perdeu um ente querido, o emprego, o negócio, para ele ter esperança de dias melhores?Sim, acredito que o otimismo, a alegria, as músicas, os cenários de época que nos remetem aquele tempo bom, onde o valor das coisas mora na simplicidade, que a novela traz, ajuda e muito a todos nós, principalmente num momento triste e de tantas perdas como esse que estamos vivendo agora. Êta Mundo Bom é um grande alento para tempos difíceis. E para as famílias que perderam seus entes, desejo amor incondicional para enfrentar essa dor. Mas dias melhores virão!

Você tem conseguido assistir a novela junto com o Guizé? Como é isso, vocês comentam, se divertem, são críticos? Sim! Amamos assistir juntos e comentamos demais também. Já as críticas não fazemos tanto, sinto mais uma energia de “está feito”, sabe? É um trabalho que temos muito orgulho. Assistirmos juntos é como uma celebração, lembramos muito das histórias com Jorginho, rimos muito falando dele e de todos os amigos e parceiros queridos que fizeram parte das nossas vidas naquela época. Só boas lembranças.

Celso (Rainer Cadete) e Maria (Bianca Bin), com Aninha no colo. Foto: Globo/João Miguel Júnior

Você tem conseguido idealizar trabalhos, criar, já tem algo definido para fazer pós-pandemia? Sim, estou cheia de ideias e animada pra voltar a trabalhar! Com vontade acumulada. Se Deus quiser, ainda esse ano, rodamos o longa do Vinicius Coimbra, Luís Alberto Abreu e da Priscila Steinman. O Amante de Julia. Estou super feliz.

Algumas pessoas não querem ser tocadas por tudo isso que tem acontecido no mundo. Mas os sábios dizem que de uma crise sempre dá para tirar algo bom. O que você tem tirado de positivo desse momento tão delicado? A lembrança de honrar o simples e essencial à vida, como a horta no nosso quintal. E de sempre voltar o meu olhar para a metade do copo que está cheia. Esses dois opostos sempre vão existir, a todo momento, de várias formas. Isso nunca vai mudar, até que a gente também desencarne. Depois do caos, vem sempre o equilíbrio... O aprendizado maior acho que é esse.

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