Bárbara Borges, a Livona: “Sou uma metamorfose ambulante”

Ela cita aprendizados em Jesus e diz que personagem dará jeito de se vingar de Caifás


  • 03 de abril de 2019
Foto: Vinícius Mochizuki


Por Luciana Marques

Com 24 anos de carreira na TV, sendo 18 desde a estreia em novelas, em Porto dos Milagres, em 2001 - antes ela integrou o famoso time de Paquitas da Xuxa -, Bárbara Borges define-se como uma “metamorfose ambulante”. Para ela, que está com 40 anos, o amadurecimento não tem a ver só com a idade. “Acredito que viver é uma dádiva divina, é uma oportunidade de crescimento e evolução. Estou mudando a cada dia”, diz.

No ar na trama bíblica Jesus, a atriz tem se destacado como a Livona, a serva do sumo sacerdote Caifás (Eucir de Souza) e da mulher dele Judite (Marcella Muniz), que acabou morta pelo próprio marido. A personagem é cheia de nuances e já despertou todo o tipo de sentimento no público: da raiva à compaixão. “Agora nesta reta final, muitos se sensibilizaram com o sofrimento dela e esperam que ela se afaste de Caifás, case com Hélio e reconheça Jesus como o Messias”, ressalta a atriz, mãe de Martin, de 4 anos, e de Theo, de 2, do casamento com Pedro Delfino.

Livona (Bárbara Borges). Foto: Blad Meneghel/Record TV

Como você definiria hoje a Livona?

Definitivamente Livona não é vilã nem vítima, está mais para sobrevivente mesmo. Ainda mais sendo serva e convivendo diretamente com Caifás, que tanto a abusou e humilhou e ainda matou Adela (irmã de Livona) e apedrejou até a morte sua mulher Judite por adultério. Livona sobreviveu à tantas maldades de Caifás.

O que o público pode esperar do final dela, virão surpresas?

Livona já disse ter vontade, mas não ter coragem de matar Caifás, entretanto, ela arrumará uma maneira de se vingar dele! 

 

 

O que mais aprendeu pessoalmente ao dar vida a essa personagem de várias nuances?

Livona teve muitas nuances sim, mas um traço marcante para mim da personalidade da Livona que me tocou muito foi a lealdade à sua senhora, Judite. A amizade entre elas. 

E profissionalmente, o que significou este trabalho?

Este foi sem dúvida um trabalho marcante na minha carreira. Eu quis muito fazer essa novela! Lembro que quando me chamaram pra viver Livona, ela era a serva de Caifás e Judite e teria apenas uma trama de tentar engravidar Caifás e rivalizar com Judite. Eu senti tanto entusiasmo em fazer esse trabalho! Quando me dei conta a Livona foi muito além do que se imaginava no início da trama. Nessa reta final, foi a única mulher presente na cena do julgamento de Jesus na casa de Caifás e, coagida por Caifás e Anás, testemunhou contra Jesus. Fui contemplada com cenas maravilhosas e impactantes! A cumplicidade e o jogo cênico do trio Caifás, Judite e Livona também foi muito forte! 

Livona (Bárbara Borges), Judite (Marcella Muniz) e Caifás (Eucir de Souza). Foto: Blad Meneghel/Record TV

É a sua primeira trama bíblica... E muitos atores dizem que aprendem com os textos, as passagens da bíblia, você também?

Todo trabalho que fiz é um aprendizado. Traz muitas lições! Sem dúvida, fazer Jesus me trouxe mais conhecimento sobre passagens da Bíblia. 

Eu sei que você medita, acompanha o Pre Baba... Qual a sua relação com religião e o que você mais acredita hoje?

Eu não tenho religião, mas respeito muito a religião e fé das pessoas. Eu sinto uma profunda conexão com Deus, com o 'Divino', quando medito. Quando canto mantras também. 

Você completa em 2019, 10 anos de Record. Como definiria esta parceria, acha que tudo tem acontecido como deve ser?

Em fevereiro completou 10 anos em que comecei a trabalhar na Record, mas hoje já não faço parte do casting da emissora. Com o fim da novela Belaventura, em Agosto de 2017, o contrato não foi renovado mas fiz na sequência a terceira temporada do Dancing Brasil e emendei em Jesus. Tenho muita satisfação com os trabalhos que fiz na Record. Sou grata!

Falando nesta questão de autoconhecimento, acabou tomando uma grande proporção aquele post que você fez sobre estar há quatro meses sem beber álcool, as pessoas se preocuparam com você... Acha que houve um entendimento errado?

O que aconteceu é que me vi diante de um sensacionalismo. Virou um escândalo e isso gerou algumas distorções. Infelizmente há muito preconceito e falta de conhecimento sobre o alcoolismo. 

Foto: Vinícius Mochizuki

Mudou algo em você com a chegada dos 40?

Mudou e não foi porque fiz 40. Mudou porque estou mudando a cada dia. Sou uma metamorfose ambulante. Me permito mudar desde a cor e tamanho do cabelo à opinião.

Você é mãe de dois meninos lindos, serelepes... E hoje a gente vê, infelizmente, uma geração de jovens machistas por aí... Você e o seu marido se preocupam em relação a isso, na educação deles, do respeito perante ao outro e, principalmente, às mulheres? 

Nos preocupamos em educar nossos filhos para se tornarem adultos com valores sociais e éticos. Estamos atentos na desconstrução de muitas falas e atitudes que são repetidas de geração a geração e que nos mostram o quanto o machismo e o racismo são estruturais na nossa sociedade.  E tenho consciência que é me educando e o Pedro se educando, que juntos educamos nossos filhos. Eles aprendem vendo nossos exemplos, nossas ações no dia a dia. Não existe melhor maneira de ensinar aos filhos sobre respeito, que não seja sendo uma pessoa respeitosa, gentil. 

Já há planos de trabalho para depois da novela ou vai curtir férias?

Nada de férias! Já estou trabalhando nos meus projetos pessoais e fazendo contatos para próximos trabalhos.

Eucir de Souza, o vilão de Jesus: “Caifás tem sido uma dádiva”

Marcella Muniz festeja primeira vilã, Judite: “Achincalhada”

 



Veja Também