Armando Babaioff diz nunca ter vivido relação de ciúme doentio

Ele exalta parceria na trama das 9 com Roberta Rodrigues e fala de prêmios no teatro


  • 03 de julho de 2018
Foto: Globo/Paulo Belote


Por Redação

O policial Ionan, papel de Armando Babaioff, é aquele genro que toda a sogra gostaria de ter: apaixonado pela esposa, Doralice, vivida por Roberta Rodrigues, paizão, profissional dedicado... Mas já tem gente com muita peninha do rapaz, pelo tanto que ele sofre nas mãos da ciumentíssima mulher.

“Doralice é extremamente ciumenta, mas a gente tem a preocupação de que não seja apenas isso, até porque o texto nos dá uma gama de possibilidades e chances de experimentar. Tentamos investir no ciúme, na relação, no tesão, até porque um casal é composto por tudo isso”, explica Babaioff.

E o ator, que estreou na TV em Páginas da Vida, em 2006, está segurando muito bem o papel, com um tom correto de humor, principalmente nas cenas quentes entre o casal. Babaioff e Roberta, aliás, estão em ótima sintonia.

A fase também é frutífera para Armando nos palco. Produtor e ator do elogiado espetáculo Tom na Fazenda, do canadense Michel Marc Bouchard, ele faturou três importantes prêmios do teatro, em 2017, como Melhor Ator: Cesgranrio, Botequim Cultural e Cenyn.

Ionan (Armando Babaioff). Foto: Globo/João Cotta

Como está sendo a parceria com a Roberta Rodrigues?

Eu nunca havia trabalhando com ela anteriormente, a conheci durante o processo, e é uma atriz com 'A' (maiúsculo). Roberta é uma atriz de jogo, que percebe a cena da mesma forma que eu. Fico prestando atenção no que ela está fazendo para me alimentar e jogar com ela em cena.

Você já viveu algo como essa relação entre Ionan e Doralice, cheia de ciúme?

Não, nunca vivi nada parecido, mas conheço pessoas que já viveram. Já ouvi histórias em que a pessoa instalou aplicativo no celular do outro para tirar print do Whatsapp. O ciúme da personagem vai para um lugar ensandecido, a ponto de ela colocar gente para testá-lo na rua.

Dá para manter uma relação com uma pessoa desse tipo?

É isso que a gente vai descobrir na novela (risos). Está muito divertido, porque tem humor, mas ao mesmo tempo tem muito tesão entre os dois. Não é uma relação fria, não é uma relação morna, não é só ciúme doentio, tem muita coisa por de trás disso.

O seu personagem também tem um pouco de comédia, né?

Na verdade, a novela tem humor! Os personagens não são chapados, nem uma coisa só, são tridimensionais, como somos na vida. Acredito que o humor existe, até mesmo na pessoa mais ranzinza do mundo. O humor existe em todo lugar. Sobre o Ionan, por mais que ele seja um cara correto, por mais que ele tenha retidão, por mais que ele tenha um senso de justiça muito grande, é bem-humorado.

Doralice (Roberta Rodrigues) e Ionan (Armando Babaioff). Foto: Reprodução Globo

Qual o desafio na construção do Ionan? 

Eu acho que o grande desafio é mantermos a harmonia no meu núcleo que conquistamos através de tantos exercícios. É um elenco muito heterogêneo, cada um veio de um lugar diferente, e acho um barato a família Falcão, e me divirto pensando em quem nos escalou para vivermos uma família. Temos que manter o frescor do nosso primeiro encontro, que foi explosivo e difuso. Temos que parecer irmãos, mas não nos conhecemos. Me lembro de um dia que durante um exercício eu disse: ‘acho que preciso contar para vocês coisas da minha infância para vocês me conhecerem’, e começamos a contar histórias. Para mim, essa é a maior dificuldade, esse jogo de cena como se nos conhecêssemos há 20 ou 30 anos.

Qual foi a sua preparação para viver uma policial?

Vi todos os filmes que você possa imaginar, mas preciso me alimentar mais com relação a atitude dos policias, mais que qualquer outra coisa. Em outros aspectos, por exemplo, como segurar um revólver, tivemos o suporte da emissora que sempre investe nisso. A minha questão é como aliar isso à personalidade do Ionan, que é um policial, alegre, torcedor do Bahia, e tem muitas camadas, mérito da criação do João Emanuel Carneiro.

O fato de vestir uma farda policial mudou alguma coisa para você?

Não. Tenho muito respeito por todos os profissionais, e nesse momento quero utilizar esse personagem para vivenciar experiências dentro de um departamento de polícia. Ele é um cara que tem completa aversão à corrupção, então se acontecer algo e ele estiver presente, será o primeiro a falar ou participar para que aquilo não aconteça.

Seu personagem é um policial honesto, bacana de mostrar, até porque a maioria é assim, mas sempre existem os maus profissionais, né?

A corrupção está todos os lugares, é humana. A gente pode até falar sobre o que está acontecendo no país, mas acho que não vem ao caso. A corrupção é individual, e acontece no instante que omitimos alguma coisa. E eu estou ajudando a contar a história desse cara cheio de caráter dentro da polícia.

Em cena do premiado espetáculo Tom na Fazenda. Foto: Reprodução Instagram

Como está sendo a questão do sotaque?

Sou pernambucano...Estou me policiando, na verdade, para não colocar o jeito pernambucano de falar. Óbvio que a gente teve uma grande aula de prosódia aqui na Globo, e que foi muito importante, mas a gente escuta muito. Como o Ionan tem relação muito próxima com Beto (Emilio Dantas), minha referência de sotaque é ele. É um jogo que a gente joga muito feliz. Fora a coisa do humor, estou fazendo uma novela que tem o Vladimir Brichta e o Luis Lobianco, não tem como não ser bem-humorada.

Fale um pouco desse sucesso todo do espetáculo Tom na Fazenda...

Já está acontecendo há 1 ano. Eu produzo essa peça, eu traduzi o texto. Um espetáculo que foi super indicado a todos os prêmios, ganhamos inclusive o Shell, todos os prêmios que você pode imaginar. Eu só estou aqui na novela por causa dessa peça. O Dennis Carvalho foi ao teatro e me viu, viu a Kelzy Ecard (a Nice de Segundo Sol), e tirou a gente do teatro e colocou no elenco dessa novela. Estou muito feliz por vir do teatro.



Veja Também