Antônio Fagundes: “A TV aberta ainda vai existir por muito tempo”

Ele fala da parceria com crianças em série e da marca de 300 apresentações de peça


  • 19 de abril de 2019
Foto: Globo/João Cotta


Por Luciana Marques

*Entrevista também disponível em vídeo, abaixo.

Aos 70 anos de idade e 50 de carreira, Antônio Fagundes é o tipo do ator que está sempre em cena, principalmente no teatro, "para onde nunca volta, porque nunca saiu", como diz o próprio. Atualmente, ele está em cartaz com a comédia Baixa Terapia, em São Paulo, que chegou à marca de 300 apresentações este mês. Mas o público da TV também tem sempre o privilégio de ver o talento do ator em produções frequentes.

Agora, ele está no ar como o misterioso Ubiratan, de Se eu fechar os olhos agora. Na série de clima noir, o personagem, que vive em um asilo, se junta a Eduardo e Paulo, vividos respectivamente pelos atores mirins Xande Valois e João Gabriel D'Aleluia, para desvendar o assassinato de Anita (Thainá Duarte) e outros que acontecem na trama. “É muito bacana contracenar com eles, você vê aquele brilho no olho”, conta o ator.

Ubiratan (Antônio Fagundes). Foto: Globo/Mauricio Fidalgo

Como define o Ubiratan?

O Ubiratan é o auxiliar dos dois detetives da história, que são crianças. Ele mora no asilo e é envolvido nessa trama do assassinato que as crianças descobrem o corpo da menina e eles começam a fazer uma investigação. Eles acabam contando com o apoio do Ubiratan, que tem o apoio das crianças também. São três detetives improváveis tentando descobrir um assassinato.

Um mistério também envolve o personagem, né?

O personagem tem muitos mistérios, mas não posso adiantar. De qualquer forma é um personagem amargo, que tem um passado trágico e você vai descobrindo no desenvolver da trama, mas que em contato com essas crianças, parece que revive e começa a renascer. É uma relação improvável, mas positiva para o personagem.

Como é contracenar com esses garotos?

É muito bom, porque você vê aquele brilho no olho. Tem aquela coisa da descoberta e poder participar da descoberta deles, vai ser muito gostoso daqui uns vinte anos eles falarem: ‘Eu comecei com o Fagundes’.

Paulo (João Gabriel D'Aleluia), Ubiratan (Antônio Fagundes) e Eduardo (Xande Valois). Foto: Globo/Mauricio Fidalgo

Esse universo de mistério, todo mundo que aparenta ser o que não é, você gosta dessa temática?

Muito! E é muito difícil, porque o Ricardo (Linhares) fazendo uma adaptação maravilhosa, respeitando o livro, ele ainda conseguiu criar esse cima. É muito interessante a adaptação dele, muito forte e eu adoro policial, então fazer parte de um foi um prazer redobrado.

Você já tinha lido o livro da série?

Eu não só li o livro, como eu fiz o audiobook. Por uma coincidência quando me chamaram eu falei: ‘Meu Deus, que bom!’. Então eu já tinha uma certa intimidade com o livro e quando me convidaram eu adorei, um bruxinho velho sempre dá para fazer.

A Globo agora está investindo no streaming, como você vê isso?

Eu acho que a TV aberta ainda tem uma vida longa, particularmente aqui no Brasil. Por mais que reclamem que está caindo, em lugar nenhum no mundo uma TV aberta tem a audiência que a Globo tem. É uma coisa que você pega um Game of Thrones que faz sucesso lá fora, tem 16 milhões de espectadores, isso aqui no nosso país não quer dizer nada. A gente tem 40, 60 milhões de espectadores. Eu acho que a TV aberta ainda vai existir por muito tempo, com muita força. Mas é bom que a Globo esteja abrindo para os novos veículos, eles estão aí mesmo, não só o streaming, mas as pessoas estão vendo pelo celular agora.

Com elenco de Baixa Terapia. Ilana Kaplan e Fábio Espósito, Bruno Fagundes, Alexandra Martins e Mara Carvalho.

Foto: Divulgação

Você fez a série, estará na próxima das 7, Bom Sucesso... E não sai dos palcos, vide esse fenômeno que é a peça Baixa Terapia...

Eu sempre brinquei que a coisa que eu mais invejo dos meus colegas é quando falam: ‘Fulano de tal volta aos palcos’. Eu nunca voltei porque eu nunca saí'. A gente está com a peça em cartaz em São Paulo, que esse mês chegou à marca de 300 apresentações, já tivemos mais de 200 mil espectadores e está lotando. Fizemos Estados Unidos e três meses em Portugal, onde tivemos 60 mil espectadores, uma maravilha. Agora voltamos para finalizar a temporada aqui em São Paulo. Mas eu acho que não vai acabar não, porque continua lotando.

Vocês pretendem vir para o Rio?

No Rio a gente está tentando há anos, mas é complicado o Rio de Janeiro. Como diz o Crivella: ‘Uma esculhambação’. Não sei porque, um prefeito tão bom...

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