Andréia Horta: “Viver Elis me trouxe coragem de ser quem sou”

Atriz volta a interpretar cantora em minissérie baseada em filme, com cenas novas


  • 07 de janeiro de 2019
Foto: Globo/João Cotta


Por Luciana Marques

Em 2016, Andréia Horta era elogiadíssima pela interpretação densa, entregue e visceral nos cinemas daquela que é considerada até hoje por muitos a maior intérprete do Brasil: Elis Regina. “Foi um divisor para mim como pessoa e como artista, com certeza”, avalia a atriz. A partir desta terça, dia 8 de janeiro, após O Sétimo Guardião, o público terá a oportunidade de conferir novamente o trabalho de Andréia na pele da cantora em um docudrama de quatro episódios, baseado na cinebiografia.

A minissérie Elis – Viver é Melhor que Sonhar, com roteiro de George Moura, Hugo Prata, Luiz Bolognesi e Vera Egito, e direção de Hugo Prata, mistura cenas originais do longa, material documental e cenas de ficção novas, exclusivas, gravadas por Andréia. Quando recebeu o convite, inicialmente a atriz levou um susto. “Achei que a missão já tinha sido concluída”, conta.

O fio condutor da minissérie é uma entrevista fictícia gravada por Elis (Andréia Horta), que seria a última, antes de sua morte. A partir da conversa, criada com base em declarações reais da cantora, é construída a dramaturgia. Também gravaram para a produção Sérgio Guizé, como Tom Jobim; Mel Lisboa, como Rita Lee; e Thelmo Fernandes, como Vinicius de Moraes.

Elis Regina (Andréia Horta). Foto: Globo/Divulgação

Você disse na coletiva que ficou em dúvida se deveria aceitar o convite para esta produção depois de ter feito o filme. Por quê?

Já faziam três anos do filme, nós rodamos em 2015. E voltar não é simplesmente voltar. É sala de ensaio de novo, todo um trabalho... Primeira impressão foi, não, nós já fizemos, que ideia... Mas depois eu entendi que não, ainda tinha mesmo muita coisa. E mudei de ideia rapidinho.

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Sobre a questão da caracterização, você precisaou mudar o cabelo de novo?

Não. A gente usou peruca. Aliás, no filme o único cabelo que eu uso é o curto. Eu estava com aquele cabelo. A fase jovem, mais velha, era tudo com peruca.

Qual a importância de a minissérie estrear logo no início de 2019 e com um alcance bem maior do que no cinema?

A Elis se muda do Rio Grande do Sul para o Rio em 1964, e morre em 1982. Toda a trajetória artística dela se deu no período da Ditadura Militar. Então, era preciso naquele momento pensar muito sobre o que responder, voltamos a isso. Então não posso responder imediatamente. Eu acho que é da mais alta importância ser em janeiro exatamente. Primeiro porque é o mês do falecimento dela, Elis faleceu no dia 17 de janeiro. E é um mês em que o Brasil começa a ter um novo capítulo, e ter a Elis dizendo as coisas que ela está dizendo, eu acho da mais alta importância.

Foto: Globo/João Cotta

O que você trouxe para a sua vida deste universo da Elis Regina?

Coragem de ser quem eu sou. E o entendimento de que se a gente não for quem a gente é, a gente vai ser quem? Acho que a Elis recusou desde sempre se encaixar em qualquer coisa que não fosse ser fiel e honesta a ela mesma. Eu acho que esse foi um dos maiores aprendizados que ficaram para mim.

O que mais vem de lembrança quando você revê as cenas do filme?

Eu me arrepio inteira. Vem muita coisa, não conseguiria resumir em poucas palavras. Vem uma admiração infinita, uma gratidão muito grande pelo o universo ter me permitido realizar algo que era realmente um dos maiores sonhos da minha vida.

Qual foi a cena mais difícil?

A morte, certamente.

Interpretar Elis Regina você diria que foi um divisor de águas na sua carreira?

Com certeza! Principalmente, foi um divisor em mim como atriz, independente do que resulta a carreira. A carreira é para quem vê, e quem vê sempre tem os próprios julgamentos. Então isso é uma coisa que a gente nunca pode controlar e dar conta. Logo, não é uma coisa da qual eu me ocupo muito. Agora, eu me ocupo muito do que eu vou fazer - antes de dizer sim -, o que esse personagem pode me trazer. Então é antes uma questão muito pessoal. Concluindo, na carreira, não sei, mas para mim como pessoa e como artista, com certeza.

Vinicius de Moraes (Thelmo Fernandes) e Tom Jobim (Sérgio Guizé). Foto: Globo/Divulgação

Além da série, você tem outros projetos para 2019?

Tem a segunda temporada do meu programa no canal Brasil, O País do Cinema, a novela Nos Tempos do Imperador, da Thereza Falcão. E um filme que eu não posso falar ainda. Está ótimo!

Como está sendo a experiência de apresentar O País do Cinema, no canal Brasil?

Maravilhoso! Foi muito rico ter que assistir aos filmes que eu já tinha visto com um olhar para conversar com os realizadores. Alarga muito a visão. Você está olhando direção de arte, fotografia, roteiro, direção. Conversei com os realizadores, com a galera que está fazendo o primeiro filme, com a galera da nossa geração e de uma geração posterior. Conversei com diretores como Julio Bressane, Sergio Rezende e diretores que estão fazendo o primeiro filme. Então foi uma experiência muito maravilhosa.

Você sentiu vontade de, quem sabe, dirigir em um projeto futuro?

Dirigir ator é uma coisa que eu tenho vontade. Agora, dirigir um todo eu acho que ainda não.



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