André Rosa estreia como o Simas, meio-irmão rancoroso de Jesus

Cria do teatro, ele crê que “a essência de toda religião é tornar o humano, um ser melhor”


  • 20 de setembro de 2018
Foto: Sergio Santoian


Por Luciana Marques

Cria do teatro, André Rosa fez a sua primeira peça profissional em 2012. Desde então, participou de trabalhos como Malhação: Pro Dia Nascer Feliz, em 2016, e do espetáculo Alair, em 2017. Mas só agora, ele faz a sua estreia com um papel maior na TV.

André vive o Simas, meio-irmão de Jesus, na trama bíblica homônima da Record TV. “Me entrego tanto a cada trabalho, vivo tanto o presente que não fico pensando se demorei ou não para chegar onde estou”, constata ele.

O personagem tem instigado muito o ator. Até porque, Simas não acredita no Messias, e acaba sendo rancoroso com o irmão. “Queria muito que ele tivesse um ponto de virada, uma reconciliação com Jesus”, palpita ele, que se diz espiritualizado mas sem nenhuma religião específica.

Leia a entrevista e conheça mais sobre a história de André Rosa, de 29 anos, que iniciou a carreira como modelo. E lembra ter sentido uns olhares meio “tortos” quando decidiu fazer teatro.

Simas (André Rosa). Foto: Reprodução Instagram

O que tem mais instigado você ao participar de Jesus?

O que mais me instiga como ator é poder estar contando uma história onde eu me identifico. Estar trabalhando com pessoas que eu admiro. Esse trabalho me faz compilar as duas coisas em uma só. Um presente de 2018!

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Como definiria o Simas?

No meu ponto de vista, o Simas é o reflexo da carência de atenção. Em inúmeras vezes, ele se refere ao irmão (Jesus) como o mais querido da família. Ele não consegue compreender o propósito do Jesus. Isso acaba encaminhando para um jogo de competição, que culmina na frustração do Simas. Por isso, todas as atitudes do meu personagem são carregadas de rancor. 

Ele duvida que o irmão seja o Messias... Acha que logo ele passará a acreditar ou não?

Eu queria muito que o Simas tivesse um ponto de virada, uma reconciliação com o Jesus. Mas eu não posso dizer o que vai acontecer de fato. Vocês precisam assistir para saber como será o desenrolar disso tudo! (risos)

Atores que fazem tramas bíblicas dizem que acabam aprendendo muito com os textos, levando dizeres para as suas vidas. Acredita nisso?

Sem sombra de dúvidas. Vivemos em um momento virtual onde as pessoas não conseguem parar para respirar porque acabam sendo engolidas por essa máquina hostil do consumismo desenfreado. Como fazer parte dessa sociedade imediatista sem que a gente sucumba ao nosso limite físico mental? Acredito que esses textos acabam sendo uma forma de conexão com o divino que nos permite respirar em meio a tanto caos. Nos coloca no chão. Nos conforta e nos dá força pra encarar a vida de uma forma mais plena.  

Qual a sua relação com religião?

Eu digo para todos que não tenho religião, mas sou completamente espiritualizado. Acho que a essência de qualquer religião é tornar o humano, um ser melhor. Conectar sua espiritualidade com uma suprema consciência que vá guiar os seus passos, independente de qual for a escolha dessa religião. Eu acredito que Jesus pregava o amor, não uma religião. 

Foto: Sergio Santoian

Acha que demorou muito para você estrear na TV ou essa oportunidade veio no momento que tinha que ser?

A segunda pergunta combina mais com o que acredito. Eu estou vivendo um momento após o outro. E sinto que existem etapas necessárias para o meu desenvolvimento. A natureza se encarrega de me colocar no lugar do meu merecimento. Esse pensamento me tira o peso da responsabilidade, da projeção, e talvez até a frustração. E isso está longe de ser um pensamento acomodado. Acredito que se o trabalho não acontece, alguma coisa está errada e é preciso investigar. Faz parte do processo de qualquer profissional. 

Você é cria do teatro. Qual a importância de estar no palco para você?

A consciência que o teatro nos dá é inexplicável. Cada dia uma experiência diferente. Vivemos 50 anos em 2 horas de espetáculo. A troca de experiência entre palco e plateia me enche de paixão. Eu compreendi cedo a importância e a função que o teatro tem com a sociedade. É muita responsabilidade dizer qualquer coisa quando você sobe naquelas tábuas. Pode transformar uma vida para sempre. 

Você começou como modelo, quando viu que atuar era um desejo?

Naturalmente precisei fazer cursos de teatro para poder me soltar. Fui me interessando pelo teatro e deixando a moda de lado. Hoje em dia até esqueço que fui modelo. 

Sofreu algum tipo de preconceito por ser modelo e virar ator ou isso não existe mais?

Eu comecei tudo muito novo. Com 16 anos de idade. Antigamente existia uma resistência dos atores de teatro quando eu entrava para o grupo. Dizia que modelava e sentia umas caras se retorcendo, umas fungadas de nariz. Acho que o problema não é se você é modelo ou não. Está em como você chega em um novo universo onde já existe uma convenção criada por muito tempo. Naturalmente, você acaba sendo analisado, seja em qual lugar for. 

Quais os seus sonhos na carreira?

Eu tenho um sonho de com o meu trabalho fazer conexões mundiais. Poder viajar o mundo. Trabalhar com atores de etnias diferentes. Fazer trabalhos significativos que sirvam para a referência da nossa história. O alcance da nossa profissão é muito amplo e sempre nos traz ótimas surpresas. Quero ter a sorte de poder aproveitar bastante e aprender muito com essa carreira.



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