Anajú Dorigon: “Camila está me ensinando sobre empatia”

Vilã em Órfãos da Terra, ela exalta tema da trama e sente que sairá dali “outra atriz”


  • 12 de abril de 2019
Foto: Jonathan Giuliani; Stylist: Rafael Menezes; Make: Eliseu Santana


Por Luciana Marques

*Esta entrevista está disponível completa também em vídeo, abaixo.

Já na primeira gravação de Órfãos das Terra, cercada por feras da dramaturgia como Paulo Betti, Eliane Giardini, Emanuelle Araújo e Simone Gutierrez, que formam sua família na ficção, Anajú Dorigon disse: “Acho que vou sair outra atriz desta novela, porque é aprendizado a todo o momento”, ressalta.

E a jovem atriz de 24 anos é daquelas que tenta absorver todos os ensinamentos e agarrar as oportunidades. Tanto que nesses primeiros capítulos, ela já tem dado uma mostra de que a sua vilã promete. Na trama, Anajú dá vida à Camila, uma espécie de “ovelha negra” da família Nasser, mimada, intensa e sagaz.

A atriz, que prefere não rotular a personagem, revela ainda que buscou inspiração em nomes como Anitta e Felipe Neto para as frases de efeito de Camila em seus discursos prontos. “Eles têm tiradas inteligentes, e eu não tenho isso”, explica. Na entrevista, Anajú fala também sobre empatia, feminismo, moda, novo look...

Camila (Anajú Dorigon). Foto: Globo/Paulo Belote

O que mais instiga você ao interpretar a Camila?

A Camila é um pouco fogo, se ela tivesse um elemento, seria fogo. Então eu acho que essa intensidade dela, a inteligência, a sagacidade. Ela está sempre atenta a tudo, e independente do posicionamento dela, de a gente concordar ou não, ela sabe onde quer chegar e o que quer. E poder viver um pouco de uma vida como essa, cheia de fogo, paixão, intensidade, é delicioso. Como atriz eu estou me sentindo superdesafiada, porque é uma personagem difícil e, ao mesmo tempo, grata por poder viver várias emoções em uma personagem só.

 

 

Então dá para dizer que ela é vilã? E você chegou a se inspirar em alguém para compor o papel?

Eu não gosto de categorizar, ah, é vilã, ah, é mocinha. Eu acho que todos nós somos seres humanos , a gente é muito mais complexo, existe um universo interno gigantesco dentro da gente. Então essa é a forma que eu gosto de olhar. Como ela tem uma ironia presente em todos os discursos, até como mecanismo de defesa, eu procurei pessoas que tinham essas tiradas muito inteligentes. E eu encontrei duas: a Anitta e o Felipe Neto. Então eu falei, ok, acho que isso vai me ajudar a entender um pouco mais do tom, de uma tirada dali, daqui. Eu, naturalmente na minha vida não tenho tanto este hábito, então eu precisei encontrar um canal ali que fosse me conduzir de uma forma mais fácil, que fosse ajudar a enriquecer ela.

Como é estar num núcleo poderoso com Paulo Betti, Eliane Giardini, Emanuelle Araújo, Simone Gutierrez?

Acho que eu não poderia pedir por uma família melhor, o tempo inteiro a gente está aprendendo com eles. Com a Eliane, Paulo, Emanuelle,  Simone. É cem por cento do momento atenta, aberta a receber tudo isso que eles ensinam. É uma troca excelente. Eu confesso que, às vezes, dá vontade de parar e ficar só observando eles.

A Camila tem um pouco de humor também?

Do jeitinho dela, na acidez dela.

E ela vai atazanar a vida da mocinha Laila, né?

Um pouquinho, vai...

Foto: Jonathan Giuliani; Stylist: Rafael Menezes; Make: Eliseu Santana

Está preparada para ser xingada nas redes sociais, na rua?

Eu espero ser muito massacrada porque é o melhor indicador de que a gente está fazendo do jeitinho certo. Eu lembro muito de Jade, em Malhação, que foi minha primeira personagem, uma vilã. E ela era massacrada, e eu falava, graças a Deus, sinal de que está tudo bem, que eu estou fazendo certo.

Como são os looks da Camila?

Eu estou apaixonada pelo guarda roupa dessa mulher. O que eu posso dizer é que ela vai ter uma mudança grande na história dela, e eu estou ainda mais apaixonada pelo o que está por vir. Mas é muito legal, por exemplo, foi a primeira vez que eu cortei cabelo curto na vida. Eu gostei. Eu gosto de acessório, de coisa grande, de maquiagem, e com o cabelão ficava tudo muito,  agora esse aqui deixa mais clean. Acho que essa novela vai lançar muita moda, de vestuário, maquiagem, acessórios, gíria, ela tem tanta riqueza tanto lá fora, quanto aqui. Vai ter uma coleção de coisas para se inspirar.

A novela fala muito de empatia, num momento em que vemos muito intolerância por aí. Qual importância de falar desse tema dos refugiados, mas de forma tão delicada?

Eu acho de extrema necessidade a gente estar falando de empatia hoje. Eu acho que é a alma por trás de todos os discursos, de tudo o que vem acontecendo. Tudo se resumo à empatia, à compaixão, ao amor. Seja da forma que for. Eu costumo dizer que a novela é um serviço social, porque irá contar uma história tão rica, intensa, que podia estar se passando lá fora, aqui, em qualquer lugar, mas a mensagem é exatamente essa. E vivendo a Camila, que é tão diferente de mim, em termos de postura, atitude, ela está me ensinando muito sobre empatia. Porque para viver uma personagem que é tão distante de você, você tem que se colocar naquele lugar, acreditar naquilo que está fazendo. Se você não acreditar, quem vai te acompanhar, não vai acreditar também. Então ela está me ensinando muito este exercício da empatia. Por mais que tenha alguém que discorde do que eu concordo, que tem uma ideia, ponto de vista diferente do meu, ela tem as razões dela, os motivos para chegar a essa opinião que tem hoje.

Foto: Jonathan Giuliani; Stylist: Rafael Menezes; Make: Eliseu Santana

A gente vive esse momento também dessa “nova mulher”, de empoderamento. Qual a sua visão sobre isso, se considera uma feminista?

Eu acredito que todos nós devemos ter os mesmos direitos, independente de raça, gênero, cor, religião, cidadania, do que for, antes de tudo nós somos seres humanos. Na questão do posicionamento, acho muito interessante que hoje em dia a gente tem um pouquinho de tudo. Se a gente quer encontrar um conteúdo forte, militante, a gente tem acesso, uma linguagem de uma outra forma, a gente vai ter acesso também. O que eu acho mais legal de tudo isso que a gente está vivendo, é o acesso a informação. Porque antes de a gente tomar uma posição, se colocar num lugar, ou se colocar numa caixinha ou quebrar uma caixinha, é importante a gente se informar. Não tem como você tocar o coração do outro se você não for tocado antes, se você não entender, se aquela ideia não te tocar.

Você estreou em Malhação como uma vilã, depois fez um papel importante em Orgulho e Paixão... Acha que tudo tem acontecido como deve ser na sua carreira, no seu tempo?

Perfeitamente! Eu sou uma pessoa muito religiosa, independente do nome da religião. Eu tenho muita fé e acho que tudo acontece no momento exato e perfeito. Às vezes, a gente tem muita ansiedade, grita por dentro para que tudo aconteça logo, de uma vez. E a gente não está preparada. Hoje vejo claramente que aquilo que eu queria lá atrás, se tivesse acontecido, não estaria pronta para lidar. Então eu sou muito grata a Deus, ao universo. E ainda por ter me ensinado a percorrer essa trajetória pacífica, a entender que tudo tem o seu tempo. Então eu sou muito grata por tudo estar acontecendo de forma tão inteligente, de estar enriquecendo a minha alma da forma mais bonita possível.

 

 

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