Alejandro Claveaux: “Tenho cara de doido, fazia mais canalhas”

O Nicolau da trama das 9 adorou viver um homem do bem, policial honesto


  • 06 de maio de 2018
Foto: Globo/César Alves


Por Luciana Marques

O goiano Alejandro Claveaux diverte-se ao constatar que o policial Nicolau de O Outro Lado do Paraíso é o primeiro personagem em que ele pode experimentar esse lugar da “bondade e a pureza”. “Tenho cara de mal, de doido, me chamavam muito para fazer vilões, canalhas”, conta ele que tem no currículos alguns malvados como o Moisés de Malhação, em 2012, e o César de Alto Astral, em 2015.

Mas na atual trama de Walcyr Carrasco, ele não só pode fazer um papel do bem, um policial que honra a farda, mas também viu Nicolau terminar com seu grande amor, Adriana (Julia Dalavia), mesmo com todas as grosserias que ouviu dela e os intermináveis fora. “Foi uma surpresa ver os dois terminarem juntos”, contou o ator, que no ano passado esteve em cartaz com a peça Gota D'Agua, ao lado de Laila Garin

Foto: Reprodução Instagram

O que você está achando da novela nessa reta final?

Foi uma surpresa quando eu descobri que o Nicolau ficaria com a Adriana. Eu fiquei muito feliz, a gente tem uma conexão muito boa. O Nicolau é um cara do bem e eu gostei disso. Me chamavam muito para fazer vilões e canalhas, personagens completamente diferentes. Ele é o primeiro personagem que meu deu a oportunidade de explorar a bondade e a pureza. Ele tem a voz do público, fala o que as pessoas pensam.

O Nicolau também representa uma classe, não é?

Tenho recebido várias respostas de familiares de policiais por isso. Eu acho que o Nicolau escolheu essa profissão para ajudar as outras pessoas e muitos policiais estão aí nessa batalha, mesmo ganhando pouco. Aqui no Rio de Janeiro é um perigo ser policial e ele traz essa força. Eu estou muito feliz de saber que o público está gostando, isso me dá esperança.

Como foi construir esse personagem tão diferente de todos que você já fez?

Foi complicado. Eu tenho a cara de mal, de doido (risos). Eu tentei buscar um olhar doce, de pureza. Sou do interior de Goiânia e lá as pessoas são muito cuidadosas, se preocupam com os outros. Eu busquei essas pessoas e me preocupei com o olhar porque eu queria deixar o olhar falar mais que qualquer outra coisa.

Adriana (Julia Dalavia) e (Nicolau) Alejandro Claveaux. Foto: Globo/Raquel Cunha

A novela teve muitas reviravoltas...
 

É, até o final ainda vai ter muitas. A gente fica ansioso para saber o que vai acontecer com todos os personagens, começamos a ler tudo. Acho que o ritmo é de série, acontece muitas coisas que em uma novela comum demoraria um mês para acontecer. Por isso é um sucesso.

E a experiência de contracenar com a Gloria Pires?

Ela é carinhosa, trata todo mundo com amor, sabe o nome de todos. Ela é muito interessada, é uma grande parceira. O Emílio de Mello também é um ator que eu sempre admirei muito no teatro e a gente teve a oportunidade de trabalhar junto nessa reta final.

Nicolau (Alejandro Claveaux). Foto: Globo/Raquel Cunha
 

Como você recebia os foras da Adriana?

Ela é uma personagem bruta, grosseira, é complicada. Mas eu acho que quando uma pessoa recebe uma notícia ruim, de que vai morrer, é natural que o pânico aconteça e apresente reações. Ela foi muito grosseira, mas foi verdadeira com ela mesma. O Nicolau também é um cara verdadeiro e eu acho bom porque isso mostra que o relacionamento deles acontecerá na base da verdade. Isso deixa a coisa com menos conflito.

Num momento em que as pessoas só pensam em si, como foi interpretar esse cara tão ético?

Foi maravilhoso. Eu fui assaltado, há pouco tempo, com uma metralhadora na cabeça, quando estava no carro, em Botafogo, no Rio. Uma violência absurda, que me deu a sensação de impotência. Então, esse personagem me faz pensar que a morte não pode ser tão banalizada, a vida dos policiais e de todos nós é importante. Todos nós precisamos nos mobilizar para mudar isso e dizer ‘chega’.



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