Adriana Birolli: “Pedem spoiler, perguntam se Patrícia e Antenor terminam juntos, é engraçado”

Atriz festeja sucesso da reprise de Fina Estampa e avalia projeto de teatro a céu aberto pós-pandemia


  • 28 de maio de 2020
Foto: Globo/João Cotta


Por Luciana Marques

A edição especial de Fina Estampa, exibida originalmente em 2011, e que ocupa agora o horário da Globo por conta da pandemia da Covid-19, é novamente um fenômeno de audiência. A trama de Aguinaldo Silva tem dado média de 35 pontos, até mais do que Amor de Mãe, que teve as gravações suspensas. Todos sabem que novela é uma paixão do brasileiro, mas essa euforia surpreende até mesmo estrelas da trama. Adriana Birolli, que interpretou a mocinha Patrícia se diverte com pedidos de fãs por spoiler. “Me perguntam se ela termina com o Antenor, e é só dar um google que está tudo lá. Acho engraçado, mas é puro, bonito de ver”, diz.

Para a atriz, a torcida pelo casal Patrícia e Antenor (Caio Castro), apesar do rapaz ter mentido tanto e ter decepcionado a jovem, pode ser entendida pelo fato de muitas relações amorosas começarem de maneira disfuncional. “Tem muito isso, até que ponto se expor no início da relação”, avalia. Cria do teatro, a atriz ressalta que o fato de as pessoas estarem consumindo tanta cultura em tempos de isolamento social, só prova o quão ela é essencial. Mas Birolli acredita que muitos só perceberão isso se um dia ficarem 24 horas sem acesso a nada relacionado às artes. Sobre a volta aos palcos pós-pandemia, a atriz diz que é tudo muito complexo ainda, mas já começa a pensar em tocar um projeto de teatro em casa, a céu aberto.

A atriz, que também está no ar como a Lorena de Totalmente Demais, bateu um papo virtual com um grupo de jornalistas, organizado pela comunicação da Globo.

Quais lições você tirou de Fina Estampa? Fina Estampa é a novela mais antiga que está no ar. É a primeira vez que estou assistindo a uma reprise e é muito bacana poder assistir com esse distanciamento. Realmente, a gente vê que, em oito anos, graças a Deus, houve evolução (risos). Eu assisto e reconheço coisas que já identifiquei no meu trabalho e que não vou repetir mais. Foi minha segunda novela e era um papel imenso, uma grande responsabilidade. Foi uma novela especial, com um elenco muito unido. É um prazer assistir agora e ver o quanto ela ainda funciona. A união do elenco, a gente superava as dificuldades juntos. É uma trama que tem muito para ensinar, passa a mensagem de superação, de acreditar e fazer o bem. São personagens complexos e que passam por momentos de dúvida e crescimento. É um bom ensinamento de quarentena também, para que a gente saia mais evoluídos como humanos e irmãos de uma mesma natureza.

A Patrícia foi a sua segunda personagem, e foi um marco na sua carreira, deve ter aberto portas a você. O que mudou desde então? A Patrícia foi uma oportunidade muito linda. Eu saí da Isabel (Viver a Vida), que era uma carne de pescoço, propositalmente cruel com todos, apesar de ter comédia, e caí na Patrícia. Então existia muita cobrança de como ia ser isso, uma pessoa que tinha acabado de surgir. Eu lembro muito dessa pressão, de como ia ser a diferença de uma coisa para a outra. Eu imagino que tudo o que eu passei e aprendi com a Patrícia, desde a interpretação, e o aprendizado de como lidar com isso, de ter que estudar e melhorar para o outro dia. Eu era muito nova, mas eu acho que a serenidade é uma das coisas mais ao lado do ator. E quando a gente consegue isso num trabalho, o nosso rendimento é completamente diferente. Acredito que o mais importante para mim foi aprender a lidar com as variáveis com serenidade. Você pode encontrar um colega incrível ou não, mas você tem que saber entregar o seu trabalho maravilhoso.

Patrícia (Adriana Birolli) e Antenor (Caio Castro). Foto: Globo/João Miguel Júnior

Por que você acha que o casal Antenor e Patrícia deu tão certo, por que as pessoas torcem tanto, afinal ele é um cara com atitudes muito tortas, né? É impressionante a força desse casal, acho que é porque as pessoas são disfuncionais talvez. Muitas relações amorosas começam de maneira disfuncional. Hoje em dia há muito jogo, não sei se sempre foi assim, ah, não vou mostrar esse meu lado ainda, vou devagar, não vou falar que eu agosto daquilo, o que ele vai pensar de mim. Então tem muito isso, eu acho que as pessoas num começo de relação talvez realmente mintam muito, não tanto quanto o Antenor. Mas eu acho que tem um pouco disso, até que ponto se expor no início da relação. E talvez exista um pouco dessa identificação. Mas a história dos dois é muito amor com desafios e é o que as pessoas costumam encontrar na vida quando se apaixonam. Há desafios a serem enfrentados para que essa paixão dê certo. Na novela é lindo, mas na vida real é que é complicado. A Patrícia é uma menina imatura e ele também, são completamente dependentes dos pais. A Patrícia está passando agora por esse momento de libertação da família, principalmente em relação à mãe. É um casal muito querido. E tem muita gente me pedindo spoiler. Eu acho hilário porque é só dar um google e está tudo lá. Acho muito engraçado, me perguntam, mas eles vão terminar juntos? Terminaram, tiveram filho, tem tudo isso. Mas é uma procura ingênua, bonita de ver, como se estivesse gravando agora. Mas a quantidade de torcida por uma coisa que já se tem o resultado final é impressionante, foge da curva na minha opinião.

Como tem sido a sua quarentena, descobriu algum novo talento ou está entediado? Depende do dia (risos). Já descobri 390 mil novos talentos... Na verdade, acho que já descobri todos as habilidades que eu tinha (risos). No geral, eu só tenho o que agradecer porque tenho todas as possibilidades para passar bem a quarentena. Eu tenho casa, comida, conforto, está tudo certo, mas tem dias que a gente acorda mais irritado porque está trancado há muito tempo. Eu tenho muita energia para gastar.

Você acredita que esse momento de isolamento prova o papel crucial da cultura na vida das pessoas? Eu queria que uma coisa horrível acontecesse, uma paralisação cultural de 24 horas, porque a verdade é que a cultura está salvando a sanidade mental de muita gente. E apesar disso eu ainda acho que no Brasil a cultura não vai ser valorizada, está muito aquém disso. Eu acho que no nosso país não existe essa consciência do quanto a cultura é fundamental na formação do cidadão e do ser humano. Se ocorresse uma paralisação de 24 horas em que as pessoas não pudessem consumir cultura, elas iam entender.

Quais os seus projetos pós-pandemia? Acho que tá todo o mundo neste momento criando em casa projetos futuros. Eu estava lendo uma matéria onde dizia que os teatros devem reabrir no começo de julho, em São Paulo. E tinha um grupo de teatro falando que não adianta abrir, se as pessoas não vão ter coragem para ir. A gente vai abrir e vai poder ter 30% da ocupação, e se aparecer só 30% de público? Tem que ver o quanto isso é viável. Não adianta abrir e as produções não conseguirem se manter. Eu acho que uma coisa que eu pretendo continuar e vai ser uma boa alternativa nessa volta lenta aos trabalhos culturais, principalmente quando a gente fala em teatro, que é um lugar fechado, uma alternativa que eu estou vendo é um teatro que eu faço na minha casa. É o Teatro, Talheres e Taças, a céu aberto. A gente faz o teatro a céu aberto com jantar, acho que isso vai ser provavelmente o meu primeiro passo cultural de reinício.

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