A nova fase de Diego & Ray: “A base de tudo na carreira de um artista chama-se persistência”

Dupla, com vários sucessos na composição, festeja quase 2 anos de estrada e novo álbum Buteco 24 Horas 2


  • 12 de maio de 2020
Foto: Divulgação


Por Luciana Marques

Até pouco tempo, eles viam composições suas virarem hits na voz de grandes nomes do sertanejo, entre elas Homem de Família, de Gusttavo Lima, Ciumeira, de Marília Mendonça, e Tô na Moral no Céu, de Matheus & Kauan. Agora, Diego & Ray formam uma dupla que já vem fazendo a sua história de sucesso há quase dois anos. “O não faz parte. A base de tudo na carreira de um artista chama-se persistência”, afirma Ray.

Os dois acabam de lançar o álbum Buteco 24 Horas 2 – Vol. 1, o primeiro em parceria com a Universal Music. “O diferencial desse trabalho está na parte musical, estrutural, tudo mais bem feito, mais pensado”, conta Ray. Um dos grandes sucessos da dupla é Coração de Isca, que já supera 23 milhões de views no canal deles no youtube. Diego Ferrari é natural de Araguaína (TO) e Ray Antônio é natural de Pontes e Lacerda (MT). Eles se conheceram em Goiânia, onde residem atualmente.

Na entrevista, eles revelam que são muito diferentes, até em gosto musical. Mas que no fim das contas, o que vale é o respeito que um tem pelo outro. E isso a gente vê no palco e no trabalho deles.

Como vocês definiriam o álbum Buteco 24 horas 2 – Vol. 1? Desde que a gente começou a fazer o repertório, a gente já tinha três músicas predefinidas, que são excepcionais. Músicas à frente, que eram Previsão, Barra de Gelo e Leidiane. E as outras a gente prezou por gravar realmente o que a gente gosta. A gente queria mostrar a participação do Kauan (da dupla Kauan e Matheus), a roupagem nova de Coração de Isca. A gente não colocou nenhuma música para completar repertório. Na verdade, a gente teve que tirar músicas pra ficarem só as 14 mesmo. A escolha foi bem fácil desse primeiro EP, escolhas nossas, da gravadora, dos empresários.

Qual a mensagem que querem passar ao público com esse trabalho? A mensagem é o que a gente tenta passar nos nossos shows. Saber que todo o mundo que vai nos shows tem uma história. Às vezes, a pessoa se identifica com a gente, com uma música que fala de sofrimento, de relacionamento que deu errado. Então, o que a gente quer passar é uma sensação de empatia, de que a gente também passa por isso. E passa tranquilamente, pelos mesmos problemas, e a gente supera e bebe uma para comemorar. Acho que essa é a linha que Diego & Ray seguem, falar sobre coisas ruins, que todo o mundo passa, mas de uma forma que a pessoa sinta que aquilo já não afeta mais tanto ela. Que ela pode cantar, falar disso abertamente, de que já se sente recuperada. A gente quer passar isso, empatia, porque a gente passa pelos mesmos problemas, fala a mesma língua.

Qual o diferencial desse trabalho, a “cereja do bolo”, na opinião de vocês? Eu acredito que o diferencial em relação ao trabalho passado está mais na parte musical, estrutural. No primeiro Buteco a gente não tinha tanta estrutura, a gente não tinha um orçamento tão grande como a gente tem agora. Pra fazer acontecer mesmo do jeito que a gente quer, a parte musical desse projeto está totalmente diferente do que foi o primeiro. Está mais pensado, mais bem feito, a gente fez tudo com mais recurso, teve acesso a novas coisas, a músicos melhores. Então, acho que a cereja do bolo está na parte musical. Se a gente prestar a atenção, a parte musical teve uma evolução, está totalmente diferente do que a gente fez no primeiro.

Foto: Divulgação

Como foi o encontro de vocês dois na música, como iniciou a parceria? Eu e o Diego já vamos fazer dois anos de dupla. Mas a gente já é parceiro há mais de seis anos. A nossa parceria já era grande, a gente veio da composição junto. Nossa primeira música foi lá atrás, Homem de Família, do Gusttavo Lima. Antes disso, a gente já compunha junto, não com tanta frequência. Mas depois dessa canção, a gente já montou escritório junto e vem nessa pegada há seis anos. E a formação da dupla foi ao natural, foi a consequência do trabalho de composição juntos. Da composição surgiu a dupla que era uma coisa que a gente já fazia há muito tempo, que era cantar junto. Tanto eu quanto o Diego, a gente tinha outros projetos antes. Ele tinha projeto solo, Diego Ferrari, e eu tinha outra dupla. Mas tudo muito amador. O Diego já tinha uma carreira profissional, mas eu era um projeto amador. Mas na composição, a gente cantava tanto junto que a gente começou a imaginar que pudesse cantar junto. Mas demorou um pouco para acontecer, porque a gente tinha um pouco de receio, porque o Diego já tinha tido um projeto, e a gente sabia do tamanho do trabalho que é e de todas as dificuldades.

Vocês dois se parecem muito ou são muito diferentes em termos de gosto, de personalidade? Eu e o Diego somos totalmente diferentes em todos os aspectos, gosto musical, personalidade. Cada um tem o seu momento ruim, seu momento bom. Na questão do gosto musical, o Diego é do brega, ele gosta, é apaixonado por tudo brega. De Amado Batista, Júlio Nascimento, Léo Magalhães. Ele vem dessa verdade, já trabalhou muito com essa verdade. Eu já venho de outra linhagem, do gospel, do rapper, do rock nacional, do pop rock, do sertanejo universitário. O meu acesso ao sertanejo foi pelo sertanejo universitário, Jorge e Matheus, João Bosco e Vinícius. Então os nossos gostos são totalmente diferentes. Mas na hora de escolher o repertório a gente se respeita demais e se escuta muito. Eu escuto muito o Diego, ele me escuta bastante. Quando eu falo de uma música, o Diego para para escutar, eu faço a mesma coisa. A gente não bate cabeça com isso não.

De onde vem a inspiração na hora de compor. O amor e as relações continuam sendo o “carro-chefe”? O nosso foco na composição é falar de relacionamento. É  o que a gente gosta de falar, a gente só não gosta de viver as coisas que a gente fala (risos). E a gente segue muito essa linha de relacionamentos que deram errado e, geralmente, da pessoa que saiu prejudicada. Porque eu acho que a pessoa que fica mais sensível é quem  sai prejudicado. Então a gente quer cantar para esse tipo de público. E eu acredito que seja a maioria das pessoas. Quem nunca sofreu de amor? Quem não tem uma história ruim pra contar? E a gente gosta de falar sobre isso exatamente para a pessoa poder cantar sobre isso e sentir que se recuperou. Porque quando você consegue cantar uma coisa de coração mesmo é porque você já está recuperado. Então a gente parte muito desse princípio na hora da composição.

Ser músico no Brasil não é fácil. Vocês levaram muitos nãos até conseguir o espaço de vocês? Com certeza! Até hoje a gente recebe muito não. Acho que o ‘não’ a gente sempre tem. Mas eu acho que a carreira de um artista, a base de tudo chama-se persistência. Como o Hungria fala sempre, você tem que aprender a gostar do jogo, se você não gostar do jogo você não consegue ficar no jogo. Então você tem que conviver com os ‘nãos’ e comemorar os ‘sins’ que a gente consegue, que são muitos também.

O que mudou na vida de vocês neste último ano desde o grande sucesso Coração de isca? Coração de Isca mudou totalmente o jeito que a gente vive. Antes, a gente não tinha tanta gente entrando em contato com a gente. Hoje a gente faz contato com pessoas o tempo todo. Toda a hora você tem que dar atenção para o fã, para a pessoa que curte a sua música, para um amigo que também curte. O que mais mudou foi isso, o contato das pessoas com a gente, que ficou muito grande. A pessoa que escolhe ser artista tem que estar 100% disposta a dar essa atenção para o público e para quem gosta da sua música.

Qual o sonho de vocês na carreira? O nosso maior sonho é não precisar parar mais. Eu acredito que o sucesso seja relativo. Se a gente pegar de um ano para cá, a gente já fez sucesso no que a gente queria. Fez até mais sucesso do que a gente imaginava. Então eu acho que sucesso é muito relativo. É lógico que a gente tem grandes pretensões e o que a gente puder fazer, a gente vai fazer. Mas o sonho é de não precisar parar nunca de fazer isso que a gente faz. A gente ama cantar, ama compor. Esse é o nosso maior sonho, continuar vivendo da música e fazendo música.

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