A hora de Carol Garcia: “Nunca desisti, tinha certeza que ia viver disso”

Cria do teatro, ela diverte em estreia na TV como a prostituta Sabrina de A Dona do Pedaço


  • 06 de junho de 2019
Foto: Jorge Bispo


Por Luciana Marques

*Entrevista também disponível em vídeo, abaixo.

Aos poucos, algumas caras novas na TV vão se destacando na ótima trama das 9, A Dona do Pedaço. Uma delas é Carol Garcia, intérprete da hilária prostituta Sabrina, criada pelo casal Dodô (Rosi Campos) e Eusébio (Marco Nanini). Ela faz a sua estreia na telinha após quase 20 anos de teatro. “Tive, claro, momentos de ansiedade, mais nova. Mas me sinto agora muito mais madura”, conta ela, que durante três anos fez parte do elenco do canal de humor do YouTube Parafernália.

Segundo a atriz, a sua garota de programa de rua vai divertir ainda mais o público, até porque o sonho dela é se casar com um milionário. Apesar de algumas cenas de drama, a personagem é leve, divertida, o que a aproxima de sua intérprete. “Assim como ela, sei me safar de situações complicadas com leveza e graça”, ressalta a Carol, que entre outros trabalhos atuou nas peças Cinco Julias, Círculo da Transformação em Espelho e As Bodas de Fígaro, e no filme Os Parças.

Sabrina (Carol Garcia). Foto: Reprodução Instagram

Como é a Sabrina? A Sabrina é uma louquinha (risos). Ela é criada pela Dodô (Rosi Campos) e o Eusébio (Marco Nanini) e finge em casa que trabalha como caixa numa loja de conveniências de um posto de gasolina, mas na verdade ela é garota de programa de rua. Ela bate ponto em outro lugar, não no posto...

Ela tem uma pegada forte no humor, né? Tem. Ela é uma personagem cômica, mas não é só isso. Eu já recebi umas cenas fortes também, de emoção. Mas ela é uma personagem divertida, descolada, leve, ela não vê questão alguma em ser prostituta, vê isso com leveza. E o que ela quer é achar um homem muito rico que a sustente. E eu acho que ela vai achar (risos).

Você chegou a conhecer garotas de programa, como foi a preparação? Eu assisti muitas entrevistas, li várias coisas e conversei com algumas garotas de programa de rua em São Paulo, porque a novela se passa lá. E isso mudou várias coisas na minha forma de atuação porque eu não queria fazer um estereótipo, parecer que eu estava copiando. E a conversa com elas me abriu muito a cabeça, o meu corpo está reagindo de maneira diferente. Elas me trouxeram muita informação importante.

Tem muita gente que tem “pré-conceito” com essa profissão. Mudou a sua forma de enxergar esse tipo de trabalho, as prostitutas? Muito! Eu tinha um pouco de preconceito. Eu não entendia como uma mulher que se diz feminista vai trabalhar vendendo o próprio corpo, satisfazendo a desejos de um machismo absoluto. Mas conversando com elas, eu compreendi bem. As prostitutas de rua me falaram que, em sua maioria, vem de uma realidade muito difícil, que é o caso da minha personagem. Diferente das prostitutas de luxo, que muitas escolhem essa profissão e veem isso como um grande prazer. Mas as de rua, que cobram um valor muito baixo, são bastante humildes, geralmente ajudam a família, têm filhos muito novas, elas têm que sobreviver. E uma coisa que me falaram é que pode ser muito legal e pode ser muito difícil também. Então elas lidam com essas duas polaridades.

E na trama como isso será tratado? Na novela vai focar mais na busca dela por uma homem milionário. E ela vai encontrar um homem assim, vai ter a vida que sempre sonhou e vai esfregar na cara da família (risos).

Você e a Sabrina se identificam em algo? Ela é muito divertida, alto astral, e eu brinco que o humor salvou a minha vida... A Sabrina sai de situações muito constrangedoras com rapidez, com velocidade de raciocínio, e eu acho que eu consegui também chegar nesse ponto de, com graça e leveza, me safar de situações difíceis.

Como está sendo gravar naquele núcleo com Nanini, Rosi, Betty Faria, Tonico Pereira? A primeira vez que eu estive numa sala com este núcleo, eu tive vontade de chorar... Meu Deus, o que eu fiz para merecer isso? Mas é muito aprendizado você estar ao lado desses atores. Eles são completamente diferentes uns dos outros. E todos trazem algo de novo para os mais jovens do núcleo. Eles são referências máximas para mim. Eu até falei para o Nanini que eu assisti 8 vezes a peça dele. Então, eu estou aprendendo e trocando bastante.

Com os irmãos da ficção Caio Castro, Glamour Garcia e Breno Bevan. Foto: Reprodução Instagram

Você começou a estudar teatro há quase 20 anos e só estreou agora na TV. Acha que demorou muito ou veio na hora que devia ser? Claro que eu tive uma ansiedade jovem de falar, meu Deus, eu preciso fazer uma novela. Mas como eu fui amadurecendo e trabalhando muito com o teatro, me sustentando e vivendo muito feliz com isso, acho que veio na hora certa. E é um personagem que eu estou muito feliz de fazer. É superdivertido, leve como eu, num núcleo maravilhoso. E eu estou muito mais madura agora, sem sombras de dúvidas, por causa da minha trajetória no teatro. Eu fiz várias oficinas na Globo. E eu acho que tudo isso ajudou, até pra eu fazer um teste legal para esse personagem.

A novela fala muito daquela pessoa que cai e levanta, dá a volta a por cima. Você tem muito disso também, de não desistir? Sim! Tem momentos na nossa profissão que dá vontade de não levantar da cama, quando a gente está sem trabalho, porque a gente não fica de férias, a gente fica desempregado. Então acabava um trabalho e eu pensava, o que eu vou fazer? É bem difícil! Embora eu tenha falado algumas vezes, ah, queria ter feito outra coisa, é mentira. Eu nunca desisti e eu tinha certeza que ia viver disso. E eu acho que as coisas estão se encaminhado cada vez mais para eu realmente não ter dúvidas de que é isso que eu amo e eu vou fazer pra sempre.

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