No ritmo musical de Jullie: “A vida tem sido generosa comigo”

Atriz, que lançou CD autoral, vive freira e é stand-in da Maria, em A Noviça Rebelde


  • 21 de agosto de 2018
Foto: Flora Negri


Por Luciana Marques

Cantora, compositora, dubladora e atriz, a capixaba Jullie, de 29 anos, se define como “uma criança adulta e velha”. E esse contraponto encanta. Basta vê-la atuando como uma das freiras do musical A Noviça Rebelde, em cartaz na Cidade das Artes, no Rio. Stand-in de Malu Rodrigues, eventualmente, ela também interpreta com maestria a protagonista do espetáculo, Maria. “É bastante especial integrar este elenco e contar essa história sobre amor, resistência e poder feminino”, diz.

Apaixonada por música e pelo gênero teatro musical desde nova, aos 13 anos, Jullie teve sua primeira experiência na carreira como cantora do programa Gente Inocente. E logo depois fez o musical infantil Festival na Insetolândia, em Vila Velha. Aos 16, se mudou para o Rio para se dedicar à profissão. “Me joguei, e estou aí me jogando até hoje”, brinca.

Já com um CD lançado, Hey!, Jullie integrou a segunda edição do The Voice Brasil, mostrando na estreia a música autoral Gasolina. Ela, que já gravou dueto com Joe Jonas, do Jonas Brothers, lançou no ano passado o álbum autoral Até o Sol. “Me inspiram as minhas vivências, o amor, a beleza das coisas simples. Canto o que sinto”, ressalta ela, destaque ainda recentemente como protagonista do musical Constellation, com direção de Jarbas Homem de Mello.

Nos bastidores de A Noviça Rebelde. Foto: Divulgação

A Serpente retrata amor de duas irmãs pelo mesmo homem

Kiara Sasso, Rosamaria Murtinho e Soraya Ravenle em Isaura Garcia

Desde quando você descobriu essa sua paixão por musicais, quando criança já curtia ver?

Quando criança e adolescente eu adorava ver filmes musicais, como Grease, Chicago e Moulin Rouge. Costumava assistir aos musicais infantis que rolavam no circuito teatral da minha cidade (Vila Velha - ES) e das cidades vizinhas. Aos 13 anos, fui contratada como cantora do programa Gente Inocente, e dentre as minhas apresentações, tive contato com alguns sucessos do gênero musical. Aos 15, pude experimentar o palco do teatro ao integrar o musical infantil Festival na Insetolândia, que ficou em cartaz na minha cidade natal. Aos 16 anos, mudei para o Rio com o intuito de seguir o meu caminho artístico. Tive experiências com a música, TV, cinema, dublagem... Me joguei em tudo. Aos 22 anos, lembro de assistir ao musical Hair (de Charles Möeller & Claudio Botelho), e pensar que eu queria me jogar nessa também. Então, estou aí me jogando.

Você vem emendando ótimos trabalhos em musicais. Por que a predileção por este gênero?

Sempre gostei muito de cantar e dançar, embora não seja uma bailarina profissional, e com o tempo comecei a estudar interpretação. O teatro musical é muito interessante pois é onde podemos unir essas expressões artísticas. Comecei a investir neste gênero ao ver que havia um mercado para isso, e que eu poderia me capacitar para tal. Ultimamente, a vida tem sido bastante generosa comigo, pois tenho emendado um trabalho com outro, todos eles diferentes entre si. Está sendo maravilhoso!

Como a Maria, de A Noviça Rebelde. Foto: Leonardo Iglesias 

Acha que aqui no Brasil já estamos fazendo musicais tão bons, em termos de artistas, técnicos e estrutura, como os lá de fora?

Temos ótimos profissionais aqui no Brasil. Continuamos crescendo, nos capacitando, nos desenvolvendo, nos empenhando para sermos cada vez melhores e mais completos. Conseguimos levantar espetáculos incríveis, sendo em montagens de sucessos da Broadway ou em nossas criações. Temos soluções criativas, fazemos dar certo. Não acho que deixamos a desejar. Somos diferentes e muito bons também, somos capazes. Mas isso não quer dizer que sempre acertamos. Isso não acontece em lugar nenhum, ao meu ver.

Quem são suas referências no gênero teatro musical?

Quando assisto alguém e fico emocionada, de alguma forma essa pessoa acaba se tornando uma referência pra mim. A lista é extensa, mas resolvi falar das nossas mulheres incríveis que estão ativas no mercado do teatro musical brasileiro. Totia Meireles, Stella Maria Rodrigues, Soraya Ravenle, Laila Garin, Amanda Acosta, Juliane Bodini são exemplos de artistas que quando assisto, penso: 'Caramba, é isso! Que bom que eu estou aqui presenciando esse momento!'

Há algum personagem de musical que seria um sonho seu fazer?

Adoraria fazer Once, com meu marido Nando Motta, que canta e toca violão lindamente. Acho as músicas lindas. Também me interessaria muito estar em algum projeto com texto e canções inéditas, sobre o feminino, algo urgente e necessário. Joguei no ar!

Foto: Flora Negri

O que instiga mais você nessa nova montagem de A Noviça Rebelde, porque além de ser uma das freiras, você também é stand-in da Maria, né?

Maria é uma personagem muito presente na memória das pessoas, eternizada pela impecável Julie Andrews. Poder criar memórias desta querida personagem para o público do teatro é um desafio. A Noviça Rebelde é um clássico, está sendo pra lá de especial integrar este elenco e contar essa história sobre amor, resistência e poder feminino.

Qual a importância da participação no The Voice para a sua carreira?

O The Voice é uma vitrine legal, a repercussão dura pouco, então, é preciso aproveitar o momento. Foi muito bacana ter cantado uma música autoral e ter mostrado um pouquinho do meu trabalho para um grande número de telespectadores.

Você já tem CDs lançados, fez vários shows. Há preferência entre cantar ou atuar?

Amo fazer as duas coisas. Como tenho passado bastante tempo em temporada no teatro, acabo não dando conta de fazer muitos shows, mas adoraria fazer pequenas turnês com o trabalho autoral. Ainda me organizo para isso.

Com o time poderoso de freiras do musical A Noviça Rebelde. Foto: Divulgação

Ser cantor no Brasil não é fácil, mas o mercado está mudando com as plataformas digitais, é uma outra forma de se chegar ao público. Como você vê isso, ficou mais fácil ou a concorrência aumentou muito?

Acho ótimo termos a internet como aliada para mostrar nossa arte ao mundo. Claro que dessa forma, existe uma maior concorrência por atenção, devido à grande quantidade de artistas. Para sermos vistos por um público maior na internet, temos que investir para ampliar o nosso alcance ou nos aliar à pessoas que têm influência digital. De qualquer forma, é maravilhoso saber que existe vida além do mainstream, que não dependemos de grandes gravadoras e contratos para tocar o barco. Com criatividade, foco e um bom gerenciamento pode-se ir longe. Como ouvinte de música, estou muito feliz por ter a facilidade de conhecer novos artistas do mundo inteiro, que provavelmente eu não conheceria, não fosse a internet.



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