Michelle Martins: “Engraçado, não tenho nada de comediante

No elenco de Os Suburbanos, ela festeja 5 anos em cartaz com Casar pra Quê?


  • 07 de março de 2018
Foto: Gustavo Paixão


A atriz Michelle Martins define-se como uma pessoa persistente. “Eu não desisto, não”, diz. E é assim desde nova, quando fez teste para Paquita, da Xuxa, e, de 2000 meninas, ficou entre as 20 finalistas. Acabou não sendo selecionada para o programa, mas, a partir daí, começou a modelar, até estudar teatro e se apaixonar pela arte.

E é com determinação que ela vai galgando o caminho na carreira e, cada vez mais, conquistando o seu espaço. Em 2017, atuou no sucesso A Força do Querer, como a Shirley, e está no elenco fixo do humorístico Os Suburbanos, no Multishow, como a Tatiene. E, há cinco anos, estrela, ao lado de Alessandro Anes, a comédia Casar pra Quê?, com direção de Eri Johnson, em cartaz no Teatro Gazeta, em São Paulo. A montagem já foi vista por mais de 800 mil espectadores no Brasil.

"A nossa carreira é difícil. Digo que é uma eterna busca. Não te deixa numa estabilidade, zona de conforto não existe. É uma profissão em que a gente precisa batalhar muito."

Em cena da peça Casar pra Quê?, com Alessandro Anes. Foto: Sergio Ricardo

Infância

Sempre fui presepeira. Minha mãe dizia que se tinha uma máquina fotográfica, eu estava ali na frente. É engraçado que nas fotos de família, da minha infância, está todo o mundo normal, e eu sempre com uma pose. Então, desde nova, já tinha uma veia para me mostrar, de certa forma.

Teste para Paquita e modelo

Tenho uma história muito doida. Eu fui quase paquita, adorava dançar, curtia muito a Xuxa. O meu primo era muito fã dela, e um dia viu a fila para teste de paquita e disse que tinham meninas de todos os perfis e que eu tinha que me inscrever. Eu fui, eram 2000 mil meninas. Fiz todos os testes e fui chegando, até a seleção de 20 finalistas. E foi um boom na época, dei entrevistas para diversos veículos. E começaram a especular que eu seria paquita. Conheci a Xuxa, a Marlene Mattos. Não fui paquita, mas as coisas começaram a acontecer e segui a carreira de modelo. Depois entrei na Elite Models, na época era com o Serginho Mattos. Comecei a modelar, fui para São Paulo, fiz diversos trabalhos, de publicidade, clipes com Snoop Dogg. E quando comecei a fazer publicidade, me veio essa vontade de aprender e estudar teatro e TV.

Atuação

Até então, não pensava em ser atriz. Estava curtindo a vida de modelo. Mas quando comecei a estudar teatro, me apaixonei de verdade. E foquei na carreira de atriz. Em seguida, fiz o espetáculo Dona Flor e Seus Dois Maridos, na época, com Pedro Vasconcelos dirigindo, com Duda Ribeiro, Marcelo Faria, Carol Castro, e eu fazendo a Magnólia. Fiquei cinco anos viajando com a peça. Aprendi muito, digo que foi a minha grande escola. Depois, na Record, fiz Bicho do Mato, que está reprisando agora, e Poder Paralelo. Fui para a Globo e fiz uma participação bacana em Força Tarefa, fiz teste para Fina Estampa e passei para viver a personagem Deusa. Depois fiz o Palhaço, Qualquer Gato Vira- Lata... E veio a Força do Querer.

Com Edson Celulari, em A Força do Querer. Foto: Globo/Raquel Cunha

"A Força do Querer foi um marco na minha carreira. Sempre tive um desejo grande fazer uma novela da Gloria Perez. E foi um grande sucesso, com um elenco maravilhoso... E a Shirley foi um presente, a personagem mais expressiva que eu tive na televisão."

A Força do Querer

Foi um marco na minha carreira. Eu sempre tive um desejo grande de fazer uma novela coma Gloria Perez. E fazer essa novela, que foi um grande sucesso, com um elenco maravilhoso... E a Shirley foi um presente, a personagem mais expressiva que eu tinha na minha carreira. Trabalhar com o Edson (Celulari) e a Bruna (Linzmeyer), duas pessoas talentosas, generosas. Foi tudo muito especial! O elenco todo, a direção do Papinha, e reencontrei o Pedro Vasconcelos, com quem fiz Dona Flor.

Determinação

Sou muito persistente, eu não desisto! E a nossa carreira é muito difícil, digo que é uma eterna busca. Não é uma carreira que te deixa numa estabilidade. Não tem, essa zona de conforto não existe. É uma profissão que a gente precisa batalhar e persistir muito. E hoje você pega uma novela, está contratada por aquele determinado período. Depois, continua a sua busca, pelo seu espaço e pelo trabalho em si de ator, pela arte. A gente sempre tem que estar fazendo e praticando. E para isso você precisa que as pessoas te dêem oportunidade. Então, vibro com cada trabalho que faço. Acredito muito em Deus, tenho uma conexão forte, e acredito que ele coloca as coisas para a gente sempre no momento certo. No momento em que a gente está preparado. Às vezes, a gente fica se perguntando, porque não rolou aquilo, não aconteceu, talvez por não estarmos preparados. Então é bacana que a gente possa ter essa conscência também na nossa profissão. Eu não vou desistir nunca. Eu continuo o meu caminho, trabalhando, feliz.

Foto: Gustavo Paixão

Teatro

Teatro é uma coisa que me dá um prazer enorme de fazer. É algo que posso dar continuidade sem parar. TV amo também. Acabei de gravar a quarta temporada de Os Suburbanos. E é uma delícia, porque é comédia e eu só trabalho ali com comediantes. A gente ri o tempo inteiro. O Rodrigo (Sant'anna) é uma pessoa maravilhosa. Ele é muito talentoso e extremamente generoso. Adoro fazer a Tatiene, não tem nada a ver com a Shirley, que era toda sofisticada. A Tatiene é barraqueira, num nível, sonsa, dissimulada...

"Acho que sou uma pessoa emotiva, ao mesmo tempo divertida. E positiva, eu acredito que tudo pode e vai dar certo."

Casar pra Quê?

A peça é um sucesso! Está em cartaz há 10 anos, eu faço há cinco. É um espetáculo que fala sobre o cotidiano de um casamento. É um casal, recém-casado. E o acerto da peça é que as pessoas se identificam. O bacana também é que a gente leva coisas do nosso casamento para o espetáculo. Ele é real! Claro que a gente aumenta um pouco. O tempo todo a gente vê na plateia um cutucando o outro, no final a gente só escuta isso: 'Meu Deus, vi a minha mulher no palco'. E vice-versa. Acho que o ganho é essa identificação, porque casamento é um assunto muito amplo, a gente vai ter assunto por muito tempo. E a peça trata disso. A Ana Lucia é aquela mulher que quer as coisas todas certinhas, e ele é o fanfarrão. O espetáculo começa no primeiro dia do casamento, e ele vai para onde? Jogar futebol! E aí já começa a discussão. Tem o play station que ele não larga, ela fala sozinha o dia inteiro em casa.

Crise do teatro

Eu acho muito triste. A gente está vivendo um momento muito difícil. Você manter um espetáculo durante dois meses já é um ganho. Eu acho que tem que se investir mais na cultura, no teatro, a gente tem pouquíssino apoio. Cadê essa galera que apoiava o teatro? Fala-se muito da questão do valor da peça, acham caro, mas existe um custo grande para pagar e, sem apoio, não tem como diminuir isso.

Foto: Gustavo Paixão

Veia cômica

É engraçado isso. Não tenho nada de comediante, não me vejo assim. E as coisas foram acontecendo. Em Dona Flor, a Magnólia era um pouco cômica, o espetáculo Casar pra Quê?, a Ana Lúcia não é cômica, mas a peça inteira é uma comédia. Então, você se envolve ali. Isso é o bacana, eu sou a atriz que faz comédia. E eu digo que é algo que eu gosto muito de fazer. E venho numa sequência de trabalhos assim, a peça, Os Suburbanos. Acho que o bacana do ator é isso, você se descobrir, o que você pode fazer. E a comédia me tira um pouco da zona de conforto. Eu fico olhando meus amigos que são comediantes e aprendo muito, é dificil fazer, sem que fique uma coisa caricata.

"Casar pra Quê? fala sobre o cotidiano de um casamento. E o acerto da peça é que as pessoas se identificam muito. O tempo todo a gente vê na plateia um cutucando o outro, no final a gente só escuta isso: 'Meu Deus, vi a minha mulher no palco'. E vice-versa."

Michelle x Michelle

Eu acho que eu sou uma pessoa que tenho fé, acredito nas pessoas, independente do que eu vá descobrir depois. Então, acho que sou uma pessoa emotiva, ao mesmo tempo divertida. Sou positiva, eu acredito que tudo pode e vai dar certo.

Casar pra Quê?. Comédia. Até 29/04. Teatro Gazeta. Av. Paulista, 900, Bela Vista, São Paulo. Sextas, ás 21h, sáb., e dom., às 20h. De R$ 70,00 a R$ 80,00. Duração: 70mi. Classificação: 14 anos.

 



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