Livia Dabarian: Ela cantou para Sasha, na barriga de Xuxa, e hoje é estrela do teatro musical


  • 16 de novembro de 2017
Foto: Danillo Facchini


Por Redação

Ex-integrante do Gente Inocente, no ar de 2000 a 2002, na Globo, Livia Dabarian dava verdadeiro espetáculo cantando, dançando ou atuando. Na época, chegou a imitar com desenvoltura nomes como Claudia Raia, Ivete Sangalo e Miguel Falabella. Pouco antes, integrou o grupo infantil Oxigênios. E emocionou ao cantar no Xuxa Park, em 1998, no último programa antes da apresentadora Xuxa Meneghel dar à luz Sasha. “Foi icônico, absolutamente inesquecível”, relembra.

E se o talento de Livia, ainda pequena, já dava o que falar, imagina hoje. Formada em teatro musical na American Musical and Dramatic Academy, em Nova York, ela é um dos principais nomes da nova geração do gênero no Brasil. Atuou, dentre outros, em Chacrinha, o musical, We Will Rock You, Just 4 Show, Freddie Mercury Revisited, ao lado do marido, o ator e cantor Alírio Netto, e, recentemente, como a perua Mary Matoso, em Vamp, o musical. Na montagem, que encerrou temporada nesse domingo, em São Paulo, ela era ainda a stand-in de Cláudia Ohana.

Paralelo aos trabalhos no teatro, Livia também dá show, cantando, ao vivo, no reality Dancing Brasil, da Record. Nesse bate-papo com o Portal ArteBlitz, ela fala ainda de sonhos e da fase difícil, em Londres, quando cogitou desistir da carreira.

Você começou nova na TV. De que forma isso foi importante na transformação da atriz que se tornou hoje?

Foi legal porque ganhei senso de responsabilidade cedo. Era criança, mas cobrada como adulto. Então, foi muito legal crescer nesse meio, onde entendi que tem que estudar e se dedicar muito para ser alguém. Acho que isso mudou toda a minha perspectiva de achar que ser atriz ia ser só glamour, dar entrevistas... Vi desde cedo que a gente precisa ralar muito.

"Era criança, mas cobrada como adulto. Ganhei senso de responsabilidade cedo. Foi legal porque entendi que tem que estudar e se dedicar muito para ser alguém nesse meio. Não é só glamour..."

Há muitos casos de crianças que fazem sucesso e, depois, não conseguem mais trabalho. Teve algum período difícil para você?

Com certeza! Eu tive uma fase bem difícil quando fui morar em Londres para tentar fazer uma faculdade de teatro musical. Chegando lá, onde morei dois anos e meio, literalmente, eu só recebi não. Não passei para nenhuma faculdade, para nenhum teste. Então, foi um período muito difícil da minha vida no qual realmente considerei desistir. Mas, em pouco tempo, mandei um DVD para fazer uma audição na AMDA, faculdade de teatro musical em Nova Iorque. Eu passei como bolsista. Aí a minha experiência foi gratificante e muito diferente da que tinha tido em Londres. Então, tudo valeu à pena, mas, olha, foi bem difícil... Trabalhei como garçonete, animadora infantil, tudo para sobreviver.

A atriz com o marido, Alírio Netto, em Freddie Mercury Revisited. Vídeo: YouTube Alírio Bossle Netto

Como avalia sua carreira até hoje, tudo tem acontecido de forma natural?

Olha, não diria que de forma muito natural, porque isso pareceria uma coisa destinada a ser e óbvia a acontecer. Então, não acho que foi esse o caso comigo. Tive que ralar muito, correr atrás, fazer muita audição, levar muito não. E aprender a lidar com os nãos, o que não foi fácil. Também acredito que, quando uma coisa está destinada para acontecer, quando ela é sua, se você batalha, se dedica, vai ser sua. Sou muito agradecida por toda essa jornada que tenho tido, até pelas partes difíceis, porque acho que elas me ensinaram a ter perseverança e força de vontade para continuar.

"Quando fui tentar estudar teatro musical em Londres, não passei para nenhuma faculdade, para nenhum teste. Então, foi um período muito difícil da minha vida no qual eu realmente considerei desistir."

Você tem feito muito musical, é uma vertente do teatro que diria ser sua paixão?

Sim, tenho feito muito teatro musical e é uma das linguagens que eu mais amo. Gosto muito quando tanto a voz quanto o corpo estão concentrados em contar uma história só. E é exatamente o que o teatro musical é. A gente mistura dança, canto e atuação com o intuito de contar uma história. E isso é muito legal porque a gente tem a oportunidade de aprender um pouco de cada coisa e se melhorar como artista. Gosto de assistir teatro musical, de fazer, mas explorar outras linguagens também. Já fiz cinema quando nova, mas é algo que adoraria fazer novamente e TV também. Televisão é um veículo que comunica com uma quantidade imensurável de pessoas. 

O que tem achado dos musicais no Brasil. Já fazemos produções como lá fora?

O teatro musical tem crescido muito no Brasi, desde 2003 e 2005, quando as grandes produções vieram para cá, A Bela e a Fera, O Fantasma da Ópera. Hoje nós temos muito mais produções acontecendo ao mesmo tempo. Vamp, por exemplo, é uma história originalmente brasileira, da nossa TV, dos anos 90. Então, tem crescido, sim, não só em tamanho, mas em qualidade de produção. Muitas coisas estão mudando e crescendo, muita gente está interessada em fazer teatro musical. E é bonito de ver. Acho que a gente tem produções incríveis como lá de fora, sim. E eu gosto muito de misturar. Por exemplo, fiz o We Will Rock You, uma história com músicas do Queen, do Freddie Mercury, que estreou em Londres. Agora tive a oportunidade de fazer Vamp. É legal como artista, você poder explorar esses dois mundos. Um da cultura do exterior e outro da nossa própria cultura.

Livia canta no último Xuxa Park antes da apresentadora ter Sasha, em 1998. Vídeo: Youtube SomenteX

Você participou de um momento importante na vida da Xuxa, quando cantou para ela em um programa especial antes de ela ter a Sasha. Como é reencontrá-la agora no Dancing Brasil?

Pois é, foi bem icônico na minha vida esse episódio em que eu cantei para a Xuxa quando ela estava grávida da Sasha, no último Xuxa Park. Foi absolutamente inesquecível! E é muito legal a relação que tenho com ela, é uma pessoa incrível, extremamente iluminada. A gente se encontrou em Nova York quando eu estava morando lá. E ver agora a Sasha crescendo e se tornando uma mulher, surreal... Elas são mulheres de fibra força, fé. É um prazer grande trabalhar com a Xuxa de novo no Dancing. Cantar lá é incrível, acho o programa maravilhoso. É sempre muito gostoso quando a gente se encontra. Ela me abraça. Agora conheceu o meu marido, o Alírio, e ela chama a gente de 'Alivia', misturou nossos nomes (risos). Então, ela é uma pessoa muito querida, fofa, que eu amo de paixão.

"Estar no palco com o meu marido, Alírio, é sempre uma experiência incrível. A troca que a gente tem no olhar, no toque... É catártico!"

Como é dividir o palco com o seu marido no musical Freddie Mercury Revisit?

É absolutamente maravilhoso. A gente se conheceu dessa forma, fazendo We Will Rock You juntos. E o nosso relacionamento surgiu da relação que a gente tinha no backstage. E estar no palco com ele é sempre uma experiência incrível. A troca que a gente tem no olhar, no toque. Me sinto assim: no lugar que eu mais amo no mundo (palco), com o meu porto seguro, que é o meu marido. Então, é catártico! E é muito gostoso também porque eu amo ouvir a voz dele. Ele canta muito e eu sou, não só apaixonada pela pessoa, mas pelo artista que ele é. Ele me inspira muito.

Fale da experiência de ter feito a Mary Matoso em Vamp, o musical?

Uma experiência incrível trabalhar com esse elenco maravilhoso, o Ney Latorraca é uma das pessoas mais doces e gentis que eu já conheci. E essa personagem só tem me trouxe coisas boas. Sempre quis fazer uma vilã e ela foi a minha primeira. Fiquei muito contente de poder explorar esse outro lado, perua, vampira. 

"Foi icônico na minha vida esse episódio em que cantei para a Xuxa quando ela estava grávida da Sasha, no último Xuxa Park. Absolutamente inesquecível! Ela é uma pessoa incrível, extremamente iluminada."

E tem ainda o Just 4 Show, explique um pouco sobre esse projeto...

O Just 4 Show foi um projeto que a Kiara Sasso desenvolveu junto com o Lázaro Menezes, marido dela, de juntar quatro cantoras de teatro musical e a gente explorar, não só músicas do gênero, mas pop, pop rock. A ideia era fazer coisas que o público não esperava. Foi um delícia cantar esse repertório completamente diferente do que a gente está tão acostumada. O público acho que gostou bastante e espero que tenham outros shows.

Qual o seu sonho na carreira?

Nossa, é difícil essa pergunta. Quem sabe me dividir entre fazer um musical na Broadway e um filme em Hollywood, em que eu mesma estivesse cantando (risos). Se é para sonhar alto, a gente vai sonhar, jogar lá pra cima...


 



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