Junior Vieira: Talento no teatro, cinema e como roteirista

O ator está em cartaz como Martinho da Vila jovem em peça musicada


  • 22 de junho de 2018
Foto: Reprodução Instagram


Por Luciana Marques

*Entrevista também disponível em vídeo, abaixo.

Aos 30 anos, Junior Vieira vem fazendo importantes trabalhos em diferentes vertentes da arte. No teatro, ele se destaca como o Martinho da Vila jovem na peça musicada Martinho da Vila 8.0 – Uma Filosofia de Vida, em cartaz no Teatro Clara Nunes, no Rio. “Ele é uma lenda viva da música, então, pensei, não posso criar um personagem, eu tenho que viver esse personagem”, conta ele, que na montagem recebe o papel de Victor Hugo, e passa para Nill Marcondes.

Com jeitão tranquilo, ele lembra que a carreira de ator não é fácil. Mas quando começa a falar de seus trabalhos, a lista não termina nunca... Como roteirista, escreveu o primeiro conteúdo brasileiro para a Netflix, A Toca. E agora escreve uma série chamada Pavilhão 18, em que a atriz e influenciadora Kéfera, com quem atuou no sucesso de bilheteria, A Fada, está no projeto. Fora quatro filmes, dois a serem lançados, e dois para rodar. E ele ainda está no ar em Tô de Graça, do Multishow.

Foto: Divulgação

Como tem sido viver Martinho da Vila no teatro?

Eu tenho vindo de vários personagens biográficos. Eu fiz o Junior, jogador, maestro do Flamengo, na montagem Flamengo, que também era um espetáculo musicado. Fiz José do Patrocínio na serie Era uma Vez uma História, da Warner. E agora fazer Martinho, que é uma lenda viva, não só do samba, mas da música no Brasil... E saber que ele está com a gente, que ele veio assistir, é muito mais complicado. Porque eu não posso criar um personagem, tenho que viver esse personagem. E isso foi uma supresa pra mim bem boa.

O Nill Marcondes disse que ele é muito acelerado e precisou desacelerar para dar vida a Martinho. E para você, como foi a preparação?

Eu também sou muito acelerado, falo muito rápido. Mas eu encontrei com o Martinho, e fiquei observando ele, eu sou muito observador, sou curioso, perguntei muita coisa. E eu estudei muito, vi vários vídeos, shows. Teve um dia que eu fiquei quase 24 horas vivendo Martinho, escutando as coisas dele, e isso foi muito enriquecedor, por saber vários detalhes que quase ninguém sabia da vida dele. De como ele é ligado a causa negra, sobre o escritor Martinho, autor, acho que já fez mais de 1000 músicas. E eu acho que esse caminho foi difícil e ainda é, porque a gente teve três semanas para montar o espetáculo. Até hoje eu estou montando, ele ainda está um pouco na fisicalidade. E eu quero que ele venha de dentro para fora.

Os "Martinhos" da peça entre Martinho da Vila: Nill Marcondes, Junior Vieira e Victor Hugo. Foto: Cristina Granato/Divulgação

E como tem sido essa troca com o Nill Marcondes?

Ah, o Nill, o elenco todo em si é maravilhoso, de trocar, a gente sabe que tem uma sinergia boa. E o Nill é um grande professor, ele é um cara que escuta, super generoso, a gente troca bastante. Acho que ser amigo também faz a diferença na hora de você conseguir transitar, e poder dividir cenas com amigos. Ele é um cara que dá muitos conselhos também, a gente segue, ouve bastante, e vai aprendendo. A vida é este eterno aprendizado. Fico feliz de estar dividindo a cena com tanta gente importante e legal, que tem sempre a acrescentar na minha carreira.

Você tem só 30 anos, mas já fez coisas bacanas no teatro, o espetáculo Hair, vem fazendo muitas séries, filmes... Como vê tudo isso acontecendo?

Essa carreira não é nem um pouco fácil. Eu também não tenho tanta experiência assim em teatro, por conta de oportunidades mesmo, é um núcleo muito fechado. Eu fiz o Hair, com o Dennis Carvalho, vivi o Berger, personagem importante, fiz alguns outros espetáculos, de companhias importantes, trabalhei com a Royal Shakespeare, com a Theatre Ad Infinitum, companhia inglesa com notoriedade, com a Ensaio aberto, do Luiz Fernando Lobo, onde a gente fazia espetáculos potentes, falando sobre o Brasil, era um teatro documentário. Mas sou muito mais do cinema. E a gente sabe dessa transição entre esses pólos de formato de cinema, TV e teatro, que são totalmente diferentes. E é super enriquecedor participar deles todos. E eu gosto muito do teatro por ser essa arte viva, é aquele momento ali. O riso é agora, o choro é agora, a respiração, o riso da plateia, os comentários são imediatos. Não tem tempo para dar bobeira, é ali, é vivo.

Foto: Reprodução Instagram

Fale um pouco de seus próximos trabalhos...

Eu também sou roteirista, escrevi alguns projetos para a Netflix, como A Toca, o primeiro conteúdo brasileiro da plataforma, apesar de eles dizerem que é o 3%, que eu adoro também. Mas foi a A Toca. Eu trabalhei na Parafernália como roteirista, tem alguns vídeos lá que são bem vistos. Agora estou escrevendo uma série chamada Pavilhão 18. No cinema, estou com o longa A Morte Habita a Noite para sair esse ano, do Eduardo Morotó, tem também Feliz Ano Novo, do Rubem Fonseca e Guilherme Folly, e Ao Final da Conversa eles se Despedem com um Abraço, que está rodando vários festivais e ganhando prêmios, do Renan Brandão. E tenho dois longas para rodar esse ano ainda, um é em julho, outro mais em outubro.



Veja Também