Gabriel Falcão brilha no teatro musical: “Requer resiliência”

Em cartaz com Meu Destino é Ser Star, em São Paulo, ele exalta paixão pela música e o palco


  • 18 de março de 2019
Foto: Sergio Santoian


Por Luciana Marques

*Esta entrevista também está disponível em vídeo, abaixo.

Diferente de muitos jovens atores, Gabriel Falcão, de 28 anos, já se destacava nos palcos bem antes de ter o rosto conhecido na TV, em Malhação Casa Cheia, em 2013, como o protagonista Ben. “O teatro sempre foi um lugar que eu me senti muito à vontade, desde novo”, conta.

E como a música também é uma paixão em sua vida, ele acabou galgando a carreira no teatro musical. Tanto que hoje já é um dos nomes mais requisitados para trabalhos do gênero no país. Atualmente, Gabriel tem um dos papeis centrais na superprodução Meu Destino é Ser Star, embalada por hits de Lulu Santos.

Após temporada de sucesso no Rio, a montagem, que mostra o processo de criação de um musical, está em cartaz no Teatro Frei Caneca, em São Paulo, até 14 de abril. Na entrevista, o ator lembra da batalha até conquistar um espaço e elege a canção de Lulu que mais lhe emociona no espetáculo.

Em cena de Meu Destino é Ser Star com Myra Ruiz. Foto: Felipe Panfili/Divulgação

O que tem mais instigado você ao participar do musical Meu Destino é Ser Star?

São duas coisas, na verdade! Acho que a primeira é poder contar essa história que acho muito importante de ser mostrada, dos bastidores do processo criativo dos artistas, o processo de criação de um espetáculo, como é difícil, trabalhoso, cansativo. E por outro lado estar de volta aos musicais (ele fez Os Miseráveis, em 2017) em um papel tão legal, tão central, cercado de gente muito boa, talentosa. São essas duas coisas que mais me instigam.

O espetáculo mostra os bastidores de uma audição, da produção de um musical. Você que já fez alguns musicais acaba se identificando com momentos desse “bastidor”, de conflitos, inseguranças?

Nossa, vários! Acho que o mais característico é o momento das audições. É uma coisa muito específica do teatro musical. Você chega, prepara uma música, uma cena, e apresenta diante de uma banca que está ali te avaliando para ver se você é ou não a pessoa certa para fazer aquele personagem. Isso é bem específico e todo o mundo passa por isso. E é engraçado que cada um lida de um jeito diferente, tem gente que adora, tem gente que odeia, tem gente que fica muito nervoso, tem que gente que fica muito tranquilo. Então é bem como aparece no musical mesmo, é engraçado.

 

 

Lulu Santos é um poeta. Tem alguma música que hoje você canta no espetáculo e que tem um significado especial pra você?

Acho que significado especial todas as canções têm, porque a gente ficou trabalhando com elas dois meses todos os dias, ouvindo, entendendo e colocando na dramaturgia, na fala dos personagens. Mas tem uma música que cada vez que eu ouço eu fico mais impressionado, que é Certas Coisas. É uma letra, uma melodia, uma composição muito absurda, muito linda, muito verdadeira. Pega a essência do que é você estar apaixonado e não poder falar.

Por que o teatro musical te conquistou?

Juntou as duas coisas que eu mais gosto: teatro e música. Eu sempre fui apaixonado por música, meu pai é múico, foi produtor musical, minha mãe toca instrumentos. Então eu sempre vivi cercado de música e desde criança sempre amei ouvir, tentar tocar. Eu aprendi sozinho a tocar teclado, violão, depois fui fazer aula de canto. E quando conheci o teatro musical fiquei muito feliz com algo que juntasse esses dois universos. E além disso eu vi o quão difícil é. Eu fui à Nova York quando era mais novo, quando estava descobrindo o teatro musical, e eu vi o quão difícil é por parte dos atores, dos artistas, de transmitir aquele conteúdo das letras, da música, através de uma fala, transformar aquilo em cena. E da parte dos espectadores como é prazeroso, efetivo, como a emoção chega de uma forma às vezes mais poderosa, mais potente, do que só com a fala. Acho que por tudo isso o teatro musical me conquistou desde novo e para sempre.

Foto: Markos Fortes/Divulgação

Diferentemente de muitos jovens atores você vem galgando sua carreira no teatro musical, tanto que só depois foi para a TV... De que forma essa base do teatro tem sido fundamental para a sua carreira?

Eu comecei muito cedo, fazendo teatro desde criança, depois fui estudar, fiz faculdade de teatro. E começaram a surgir oportunidades no teatro musical. Então, para mim, é um lugar muito prazeroso de estar, no palco, vivenciando um personagem, diante de uma plateia. Isso é fundamental! Acho que o teatro requer uma autonomia muito grande por parte do ator, porque você não tem intermediário entre o ator e o público. Você não tem como editar, não tem corte, câmera, tela, então o ator tem que saber transmitir, vivenciar aquilo tudo, sem nenhum artefato, anteparo, intermediário. É ele e a plateia. Então prepara a gente para fazer qualquer outra coisa, claro que são meios, mídias diferentes, com ferramentas, linguagens diferentes. Mas eu acho que o teatro dá essa base de autonomia no processo do ator. É muito importante pra mim e acho que para qualquer ator.

Você é um ator jovem, mas já tem vários trabalhos no teatro, protagonizou Malhação... Como vê essa sua trajetória, já que não é uma carreira fácil, né? Também passou por perrengues no início?

Pois é, não é uma carreira fácil, não mesmo. Acho que ao contrário do que muita gente pode pensar requer muito estudo, dedicação, investimento, muita sorte. Você tem que correr sempre atrás, vai ouvir muitos nãos. Eu, como todo o mundo, passei por perrengues assim no início. Fiz quinhentos milhões de testes, de audições, e não passei. É muito normal... Então, requer muita resiliência também, porque você ouve muitos nãos e vai sempre ouvir. Você tem que estar preparado para isso e para isso não te desmotivar, pelo contrário, para que seja uma coisa que te incentive a continuar, a se aprimorar, a continuar buscando e a entender esse mercado, que não é fácil. É difícil, mas quem quer, tem que aprender a lidar.

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